Na última terça-feira (22), ocorreu a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O Brasil discursou na abertura da reunião e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as interferências dos Estados Unidos na soberania latino-americana. A participação desta vez marcou o 10º discurso de Lula na Assembleia. Como determina a tradição, mantida desde 1955, o Brasil é o primeiro a falar.
No discurso, Lula criticou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em como a Organização tem passado por um momento crítico em relação às guerras: “O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra’’. O presidente ainda diz que a ONU nunca esteve com a credibilidade tão baixa e que sua capacidade de proteger os mais vulneráveis nunca foi tão pequena.

Lula destacou a importância de fazer escolhas certas, com coragem e clareza de objetivos e reiterou que é o que se espera de um estadista: “Yasser Arafat e Yitzhak Rabin foram estadistas, desafiaram o passado para projetar um futuro de paz. Foram derrotados pelo ódio.”
O presidente comentou sobre a guerra na Palestina e como o povo foi afetado pelos conflitos.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço pelo radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, disse o presidente.
Sobre a soberania da América Latina, Lula fez um discurso acalorado em como o mundo tem se dividido em zonas de influência. O presidente afirmou que a proximidade da América Latina e do Caribe com os Estados Unidos é inevitável, especialmente diante do aumento de disputas e interesses de influência na região.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declara diante de aplausos. “Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos.”
Lula reforçou que foi percorrido um longo caminho para restaurar a vontade popular, mas que a democracia está novamente em risco. “Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência, em investidas neocoloniais por recursos estratégicos, constitui gestos anacrônicos”, disse Lula em seu discurso.
O presidente declarou apoio a soberania venezuelana, criticou a crise política na Nicarágua, comentou a crise no Haiti e prestou apoio à Cuba, que sofre sanções econômicas desde 1962. Também defendeu o direito de o povo venezuelano decidir seu próprio futuro, criticou as restrições à participação da oposição nas eleições da Nicarágua e afirmou que a situação no Haiti evidencia os limites da atuação da comunidade internacional.
“Em Cuba, o mundo assiste estarrecido a punição coletiva a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um centro energético ilegais.” declarou Lula.
Nas redes sociais, o discurso do presidente repercutiu e recebeu apoio do povo brasileiro. Lula é candidato para a reeleição à presidência que ocorre no dia 4 de outubro de 2026, se vencer, será seu 4º mandato.
O discurso completo também foi publicado no canal oficial do presidente no YouTube e pode ser conferido na íntegra pelos espectadores.
Foto de capa: Ricardo Stuckert/Flickr Lula Oficial
Reportagem de Nathália Fagundes, com edição de texto de Natália Zichtl
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