Após publicar um vídeo em que se pronunciou sobre comentários de que estaria contra a família Bolsonaro e explicou seu desentendimento com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Michelle Bolsonaro decidiu deixar a presidência do PL Mulher, setor feminino do Partido Liberal que busca incentivar a participação política de mulheres conservadoras. Em conversa com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, na última terça-feira (30), Michelle afirmou que a decisão foi motivada pelo desejo de se dedicar aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sua filha.
Em uma nota de esclarecimento publicada de forma conjunta nos perfis do PL Mulher, do Partido Liberal, de Valdemar Costa Neto e da ex-primeira-dama no Instagram, Michelle Bolsonaro reiterou que a decisão de deixar a presidência do PL Mulher foi tomada em conjunto com seu marido.
A presidência do segmento passará a ser ocupada por Priscila Costa, vereadora de Fortaleza pelo Partido Liberal, que já afirmou, em pronunciamento nas redes sociais, que chega ao cargo com o objetivo de pacificar e unir a direita.

(Foto de Beto Barata/PL)
Pronunciamento de Michelle sobre relação com Flávio Bolsonaro
De acordo com um vídeo de mais de 20 minutos publicado por Michelle Bolsonaro em suas redes sociais no fim de junho, o desentendimento entre a ex-primeira-dama e o enteado começou após Flávio Bolsonaro declarar apoio a Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo Governo do Ceará, no fim de 2025. Segundo Michelle, o candidato era conhecido por adotar posições mais à esquerda do espectro político.
Na publicação, Michelle afirmou que a vontade do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, era que a família apoiasse Eduardo Girão (Partido Novo). No entanto, durante o lançamento da pré-candidatura de Girão ao Governo do Ceará, no fim de 2025, apenas ela manifestou apoio ao político. Segundo Michelle, por não haver uma posição pública de Jair Bolsonaro naquele momento, ela foi acusada de trair a decisão da família de apoiar o candidato do PSDB.
No vídeo, a ex-primeira-dama afirma que demonstrou apoio à candidatura de Eduardo Girão por considerar que Ciro Gomes não é “verdadeiramente de direita”. Michelle também disse que, caso o deputado federal André Fernandes (PL-CE) declarasse apoio a Girão na disputa pelo Governo do Ceará, ele se tornaria um candidato forte, fiel aos princípios conservadores do Partido Liberal e com chances de derrotar Ciro Gomes, que, segundo ela, tem um histórico de apoio político ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Ademais, no caminho de volta a Brasília, Michelle conta que descobriu, pelas redes sociais, que Flávio e seus irmãos publicaram mensagens em tom agressivo contra ela, defendendo André Fernandes e a decisão de apoiar a candidatura de Ciro Gomes. A ex-primeira-dama criticou o fato de Flávio Bolsonaro não ter tentado entrar em contato com ela antes de se manifestar publicamente sobre o episódio.
Segundo Michelle, ela tem o direito de considerar equivocada uma aliança com alguém que, em sua visão, sempre se declarou inimigo de Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama também afirmou que busca manter coerência com os valores em que acredita e que não pretende abrir mão deles por pragmatismo político.
Michelle reiterou que nunca apoiará Ciro Gomes e defendeu que ninguém que considere Jair Bolsonaro uma liderança deveria declarar apoio ao candidato do PSDB. Além disso, relembrou episódios em que Ciro fez críticas à família Bolsonaro. A ex-primeira-dama também afirmou que, quando conseguiu entrar em contato com Flávio Bolsonaro após ver as publicações, foi agredida verbalmente durante a ligação. Segundo Michelle, o enteado teria pedido que ela ficasse fora das decisões do partido, sob a justificativa de que ela não entendia de política.
Por fim, Michelle voltou a justificar a decisão de se pronunciar nas redes sociais, afirmando que o objetivo era desmentir narrativas que, segundo ela, circulam na imprensa. Sobre o cenário político no Ceará, sustentou que, no primeiro turno, o apoio do Partido Liberal deveria ser destinado a Eduardo Girão, do Partido Novo, por considerá-lo um candidato fiel aos valores da direita.
Em resposta, Flávio Bolsonaro se pronunciou nas redes sociais, pediu desculpas publicamente e afirmou que nunca teve a intenção de ofender Michelle Bolsonaro, sua madrasta. No entanto, o senador e pré-candidato à Presidência da República não comentou as declarações sobre seu apoio a Ciro Gomes na disputa pelo Governo do Ceará.
Foto de capa: Flickr/Partido Liberal.
Reportagem de Natália Zichtl, com edição de texto de Cássia Verly
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