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“Supergirl” prova que é muito mais do que a versão feminina do Superman

Novo filme da DC encontra força no desenvolvimento da sua personagem, mas ainda sim não consegue fugir dos esteriótipos de um filme de super-herói

“Supergirl”, segundo filme da nova fase da DC Studios, estreia nos cinemas no dia 25 de junho e aposta em uma narrativa emocional centrada no desenvolvimento da protagonista. O longa apresenta uma aventura envolvente, complementando de forma eficiente a introdução da personagem em “Superman”.

Protagonizado por Milly Alcock e contando com Jason Momoa, Eve Ridley e David Corenswet no elenco, o filme introduz a Supergirl nesse novo universo cinematográfico. Inspirado na HQ “Supergirl: Mulher do Amanhã”, o longa acompanha Kara, uma heroína marcada pelas consequências de ter testemunhado a destruição de seu planeta, Krypton. Após conhecer Ruthye, uma jovem consumida pelo desejo de vingança pela morte dos pais, e ver seu cachorro Krypto ser colocado em perigo pelo mesmo responsável, ela embarca em uma jornada espacial ao lado da garota para encontrar o vilão Krem.

Supergirl e Krypto em cena do filme.
(Foto: Divulgação/Warner Bros.)

O filme se inicia com a morte dos pais de Ruthye e, logo em seguida, apresenta uma sequência de cenas que mostram Kara alcoolizada e levando uma vida vazia, embora tenha a companhia de seu cachorro, Krypto. Essas sequências já situam o espectador sobre o tom adotado ao longo da narrativa: temas mais sérios, sem abrir mão dos momentos de humor e ação.

Dessa forma, o filme aborda o luto e o sentimento de pertencimento de maneira muito interessante, o que foi uma surpresa positiva. Ao unir as duas protagonistas, a narrativa apresenta personagens que enfrentam a dor de formas distintas. Kara convive com esse sofrimento há muito tempo e lida com ele de maneira autodestrutiva, enquanto Ruthye ainda está consumida pela raiva e pelo desejo de vingança.

A presença de uma se torna essencial para a outra, mas principalmente para Kara, que, além de contribuir para o amadurecimento da jovem, acaba percebendo que, apesar de ser uma boa pessoa, permitiu que o luto a consumisse a ponto de levar uma vida vazia.

Logo, o filme realiza um excelente trabalho ao apresentar a personagem ao público que não conhece os quadrinhos, além de fugir dos estereótipos frequentemente associados às super-heroínas no cinema. Aqui, conhecemos profundamente Kara e sua personalidade. Ela não é apenas uma versão feminina do Superman, mas uma personagem com identidade própria, marcada pela empatia, resiliência e força. Essas características definem quem ela é e vão muito além de seus poderes.

Além da trama, o elenco entrega boas atuações, com destaque para Milly Alcock, que encontra o equilíbrio ideal entre as camadas dramáticas e o sarcasmo característico da Supergirl, e para Jason Momoa, que constrói um anti-herói carismático e convincente. A maquiagem é bem executada, os efeitos visuais funcionam dentro da proposta do filme e as cenas de ação são eficientes, apesar da presença de um vilão genérico. Assim, o longa não busca reinventar o gênero nem se afastar de suas fórmulas mais conhecidas, mas executa seus elementos com competência e proporciona uma experiência satisfatória ao público.

Jason Momoa como “Lobo’ em Supergirl.
(Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Portanto, “Supergirl” entrega um filme que surpreende em diversos aspectos, principalmente ao construir uma protagonista complexa, carismática e cheia de personalidade, algo ainda pouco comum no universo dos super-heróis. No entanto, o longa tropeça em algumas conveniências de roteiro e em sua curta duração que, ao meu ver, prejudica o desenvolvimento das consequências das decisões tomadas pela protagonista nos momentos finais da história.

Ainda assim, a produção reúne diversos pontos positivos e proporciona uma experiência divertida, mesmo sem buscar grandes inovações dentro do gênero.

Confira o trailer abaixo:

FICHA TÉCNICA:

Titulo: Supergirl

Direção: Craig Gillespie

Gênero: Ação, Aventura

Duração: 108 min

Classificação indicativa: 14 anos

Foto de Capa: Divulgação/Warner Bros.

Crítica de Carolina Bento, com edição de texto de Cássia Verly

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