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Entre a nostalgia e o humor, “Mestres do Universo” encontra seu próprio caminho

Uma releitura nostálgica de He-Man que aposta no humor e no carisma, apesar de tropeços no ritmo e no roteiro

Após anos de tentativas, mudanças de estúdio e anúncios de elenco, “Mestres do Universo”, dirigido por Travis Knight, finalmente chega aos cinemas apostando em uma abordagem diferente do seu antecessor. Em vez de um épico de ação e aventura centrado nos conflitos de Eternia, o filme surpreende ao priorizar a comédia, construindo uma experiência mais leve e descontraída do que muitos fãs poderiam esperar.

A trama acompanha Adam (Nicholas Galitzine), príncipe de Eternia que retorna ao planeta 15 anos após o ataque do vilão Esqueleto (Jared Leto). Ao lado de sua amiga de infância Teela (Camila Mendes) e de seu pai, Mentor (Idris Elba), ele recupera a Espada do Poder e assume seu destino como He-Man, o Campeão de Grayskull.

Nicholas Galitzine como He-Man.
(Foto: Distribuição/Sony Pictures Releasing International)

A premissa segue elementos clássicos do desenho ao qual é inspirado, mas a execução opta por uma narrativa menos solene e mais voltada para o entretenimento imediato. A diferença em relação ao filme de 1987 fica evidente desde os primeiros minutos. Enquanto a produção anterior buscava se apoiar principalmente na aventura, a nova versão abraça o humor quase como sua principal identidade. Grande parte dessa escolha parece inspirada pelos memes e pela redescoberta do desenho dos anos 1980 na internet, influência perceptível em diversos momentos.

Nicholas Galitzine encontra o tom adequado para seu protagonista e entrega uma interpretação que funciona dentro da proposta do longa. O roteiro, porém, nem sempre acompanha esse equilíbrio. Algumas piadas surgem em momentos pouco oportunos e certas tentativas de mediação feitas pelo personagem acabam soando excessivas, enfraquecendo passagens que poderiam ter maior impacto.

Curiosamente, um dos maiores destaques do filme é Jared Leto como Esqueleto. O vilão consegue ser carismático e genuinamente engraçado quando a história exige, roubando a cena em diversas sequências. Sua performance também levanta uma questão interessante: parte desse resultado pode estar ligada ao fato de o personagem ser construído inteiramente em CGI, com uma voz fortemente modulada digitalmente, o que contribui para sua presença peculiar em cena. Pois nos últimos anos, o ganhador do Oscar não tem entregado boas atuações nos últimos filmes em que trabalhou.

Esqueleto vivido por Jared Leto.
(Foto: Distribuição/Sony Pictures Releasing International)

Mesmo com problemas de ritmo e uma sensação constante de correria para encaixar todos os elementos da história, Travis Knight evita que “Mestres do Universo” se transforme em um desastre semelhante ao longa dos anos 1980. Embora algumas transições narrativas aconteçam de forma abrupta, deixando o espectador momentaneamente perdido, o resultado final é um filme leve, divertido e capaz de prender a atenção do público do início ao fim.

FICHA TÉCNICA:

Título: Mestres do Universo

Direção: Travis Knight

Gênero: Comédia/Ação/Ficção científica

Duração: 2h22min

Classificação indicativa: 14 anos

Foto de capa: Distribuição/Sony Pictures Releasing International

Crítica de Wilson Estevam, com edição de texto de Ana Carolina Freitas

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