Cultura

“Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”, uma história de amadurecimento e resistência que desafia o totalitarismo

Com episódios semanais, a nova série explora o despertar de jovens que cresceram sob uma teocracia distópica

Baseada no livro de Margaret Atwood, a série “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead” já está entre nós no Disney+. A continuação de “The Handmaid’s Tale” estreou em abril com três episódios iniciais. Ao todo, a temporada terá 10 capítulos e será exibida semanalmente, com encerramento previsto para 27 de maio.

Com Bruce Miller na criação, a distopia se passa 15 anos após os eventos da série original, explorando a perspectiva de quem cresceu sob o regime totalitário e foi privado de uma infância comum. Na sequência, Agnes (Chase Infiniti), criada na elite do país, e Daisy (Lucy Halliday), recém-chegada do Canadá, têm seus caminhos cruzados pela Tia Lydia (Ann Dowd), uma das encarregadas de instruir as mulheres a serem submissas à elite governante. Juntas, as três planejam unir forças para desestabilizar o sistema.

Chase Infiniti e Lucy Halliday em “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”.
(Foto: Divulgação/Disney)

A trama desta vez traz o foco narrativo nas garotas que nasceram em Gilead e que enxergam a doutrina de formas totalmente distintas, considerando que possuem apenas a memória do lugar. Com papéis bem definidos, destacam-se as “ameixas”, com vestimentas roxas, que treinam para se tornar futuras esposas, e as “pérolas”, com vestimentas brancas, sendo meninas estrangeiras que foram convertidas às ideologias do local.

Ao serem apresentadas, as protagonistas sofrem um choque de realidade pelas diferenças e, junto à curiosidade de entendê-las, essa amizade torna-se uma grande ameaça ao sistema opressor. Assim, o amadurecimento aqui é duplo: Agnes precisa se desprender das mentiras que lhe foram contadas, enquanto Daisy precisa entender a brutalidade do solo que agora pisa.

Foto do elenco de “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”.
(Foto: DIvulgação/Disney+)

Por meio da Tia Lydia, que antes era encarregada de moldar mulheres à submissão extrema, assume agora o papel de uma espécie de mentora velada. Ao utilizar as adolescentes como peças estratégicas, ela articula um plano para desmantelar o próprio regime que anteriormente servia com tanta fidelidade e lealdade. Essa transição transforma as meninas em engrenagens de um contra-ataque sigiloso, comprovando que o conhecimento do sistema é a ferramenta mais eficaz para combatê-lo por dentro.

A série projeta uma realidade que soa distante, mas, na verdade, revela-se próxima ao evidenciar as raízes da misoginia ainda presentes em nossa sociedade. Consequentemente, a luta das mulheres na obra deixa de ser apenas um arco narrativo para se tornar um manifesto sobre a resistência contra o sistema que as desumaniza. Mais do que uma ficção, a busca dessas personagens pela liberdade reforça a urgência de protegermos, no mundo atual, direitos que nunca devem ser considerados permanentes.

Confira abaixo o trailer de “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”:

FICHA TÉCNICA

Título: Os Testamentos: Das Filhas de Gilead

Criação: Bruce Miller

Roteiro: Bruce Miller

Gênero: Drama, Ficção Distópica

Classificação indicativa: 18

Foto de Capa: Divulgação/Disney +

Crítica de Yohanna Tavares, com edição de texto de Cássia Verly

LEIA TAMBÉM: “Michael” é uma homenagem merecida, mas com roteiro contido

LEIA TAMBÉM: Cinema contra o esquecimento: por que filmes sobre a ditadura são essenciais em um país sem memória

0 comentário em ““Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”, uma história de amadurecimento e resistência que desafia o totalitarismo

Deixe um comentário