Com estreia marcada para os cinemas brasileiros no dia 23 de abril, “Michael”, a cinebiografia do “Rei do Pop”, chega como um belo tributo à vida e à arte de Michael Jackson, reafirmando seu legado incontestável na história da música. O elenco conta com o sobrinho do cantor, Jaafar Jackson, interpretando o astro, Kat Graham (Diana Ross), Colman Domingo (Joe Jackson) e o ator mirim Juliano Valdi, interpretando o cantor na infância. A direção da trama foi feita por Antoine Fuqua e o roteiro por John Logan.
O longa retoma o início da trajetória de Michael, acompanhando-o desde sua infância em Gary, em 1966, como estrela do Jackson 5, passando por sua ascensão ao sucesso e terminando em 1988, durante um show da sua turnê Bad World Tour.
A narrativa conta a história de um garoto que já cantava e dançava desde os seus 6 anos de idade, iniciou sua carreira profissional aos 11 e acabou perdendo a chance de viver uma infância normal, seja pela exposição da fama, seja pela violência física e psicológica que sofria do pai.

A conturbada relação de Michael Jackson com o patriarca é um dos principais fios condutores da história. O filme deixa clara a estrutura de violência familiar e retrata Joseph Jackson como autoritário e explorador, sem hesitações. O roteiro expõe os reflexos disso na vida do protagonista, que foi regido por essa dinâmica de controle até mesmo depois do início de sua carreira solo, precisando criar coragem para conquistar sua autonomia ao longo de toda a trama.
Mesmo abordando o narcisismo parental vivenciado pelos Jackson, a obra aposta em um roteiro mais seguro e confortável, talvez simples até demais para falar sobre uma personalidade tão intensa. O resultado é um enredo que não apresenta informações novas ou surpreendentes sobre a vida privada do artista, deixando a desejar quanto ao aprofundamento das complexidades do cantor.

Ainda assim, o filme se sustenta como um tributo impactante e um grande espetáculo visual e sonoro. O destaque absoluto fica para a performance brilhante de Jaafar Jackson, que incorporou o próprio tio com maestria, capturando os trejeitos e a expressividade corporal, além de garantir uma similaridade física e vocal surpreendente.
Essa precisão de Jaafar é o que permite que as sequências musicais sejam, sem dúvida, o ponto alto da experiência cinematográfica. Assistir às recriações de sucessos como “Thriller” e “Billie Jean”, ou a momentos memoráveis de suas apresentações em turnê, é uma grande experiência imersiva que provoca um verdadeiro clímax sensorial, tornando impossível ficar estático ou não se deixar contagiar pela emoção.
No fim das contas, a obra se consagra como uma homenagem sensível e necessária, honrando toda a magnitude do fenômeno que foi Michael Jackson.
Confira abaixo o trailer de “Michael”:
FICHA TÉCNICA
Título: Michael
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: John Logan
Gênero: Biografia, Música, Drama
Duração: 2h7min
Classificação indicativa: 12
Foto de capa: Divulgação/Universal Pictures
Crítica de Júlia Quintas, com edição de texto de João Gabriel Lopes
LEIA TAMBÉM: “Devoradores de Estrelas”: Ryan Gosling surpreende com performance emocionante
LEIA TAMBÉM: Icônico filme francês “Betty Blue” volta aos cinemas em versão remasterizada

0 comentário em ““Michael” é uma homenagem merecida, mas com roteiro contido”