Em “Filhos de Sangue e Osso”, livro best-seller da escritora Tomi Adeyemi, o leitor acompanha Zélie, uma menina que perdeu a mãe após uma guerra entre majis e kosidáns, as categorias nas quais a sociedade foi dividida, que definiu para sempre o futuro do mundo em que vive. Os majis, conhecidos pelos seus cabelos brancos, possuem a bênção dos orixás e carregam seus poderes nas veias, já os kosidáns, como pessoas simples, não possuem nenhuma manifestação mágica.
Para além dessa divisão, outros dois personagens são inseridos na história como filhos da monarquia. Amari e Inan são filhos do rei Saran, dono de todo o reino. Após uma confusão no mercado da cidade, o destino dos três é unido pelos orixás com a missão de retornar com a magia de Orishä.

(Foto: Reprodução/Site Fandom)
O romance e ficção juvenil aborda religião de matrizes africanas como tema central da história trazendo um enredo pouco abordado em livros, o que faz com que o leitor conheça e compreenda o candomblé por meio da ficção. Durante todo o percurso de Zélie e Amari para reconstruir Orishä, descobrimos a história dos clãs e seus orixás, a segregação dos povos e toda a crueldade do rei para acabar com aqueles que possuem cabelo branco.
A autora do livro é formada em literatura em Harvard e veio a Salvador, no Brasil, para estudar mitologia, religião e cultura africana, o que inspirou a criação do livro. Com isso, Tomi usou toda a linguagem iorubá para produzir todos os três livros que se tornarão um filme em live action em 2027. O elenco já foi formado e conta com Amanda Stenberg e Viola Davis.

(Foto: Reprodução/Variety)
Com 85 capítulos, cenários descritivos e uma atmosfera angustiante, Adeyemi consegue misturar a tensão de uma guerra e o romance entre duas pessoas que foram nascidas para se odiar. Além de toda a história e batalha para reconstruir o mundo, conhecemos o passado dos protagonistas e todas as camadas dos seus traumas anteriores que fizeram eles chegarem ao ponto em que são introduzidos.
Foto de capa: Reprodução/Leitor Cabuloso
Reportagem de Gabriel Goulart, com edição de texto de Gustavo Pinheiro
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