O palco do Teatro Rival Petrobras recebe, nesta quinta-feira (24), 19h30, no Centro do Rio, o show “Tributo a Nelson Sargento”, dirigido musicalmente por Paulão 7 Cordas e com direção artística do cantor e compositor Agenor de Oliveira, que foi seu parceiro em diversas composições. O evento marca o encerramento das homenagens pelo centenário de Nelson Sargento, falecido em 2021 e que completaria 101 anos esta semana, e também presta tributo à sua companheira, Evonete Belizario Mattos, que morreu em abril deste ano.
A banda do será formada por Ramón Araújo (violão 7 cordas), Léo Pereira (cavaquinho), Tiago Souza (bandolim), Waltis Zacarias e Bidu Campeche (percussão). O repertório inclui clássicos da carreira de Nelson Sargento, como “Primavera”, “Agoniza mas não morre”, “Falso amor sincero”, “Homenagem ao mestre Cartola”, “Dona Xepa” e “Falso moralista”, além de canções inéditas que farão parte de um disco a ser lançado em breve. Participam como convidados Áurea Martins, Nilze Carvalho, Didu Nogueira e Mestre Siqueira.
Com mais de 400 composições, o legado do sambista será celebrado ainda com a exposição “Nelson Sargento e a Arte Naïf”, em cartaz no espaço do teatro, com quadros pintados pelo compositor, obras de acervos públicos e privados.
Nelson Sargento: baobá do samba
O sambista, morador do Morro da Mangueira e um dos maiores nomes da música brasileira, faleceu em maio de 2021, vítima de complicações da Covid-19. Nascido Nelson Mattos, ele adotou o sobrenome “Sargento” em referência à patente que alcançou no Exército. Sua trajetória artística começou ainda na infância, no Morro do Salgueiro, onde aprendeu a tocar tamborim. Ao longo de seus quase 97 anos de vida, dedicou seis décadas ao samba, além de se destacar como ator, pintor, escritor e pesquisador da cultura popular.

Reconhecido por sua voz grave e presença marcante, Nelson Sargento usou sua arte como instrumento de combate ao racismo e à intolerância. Em entrevista ao programa “Por Acaso”, da TV Brasil, ele relembrou um episódio emblemático: durante uma viagem ao Japão em 1990, um agente de aeroporto duvidou que um homem negro pudesse estar ali.
“Você só tem três modalidades pra ir ao Japão: ou você é atleta, ou é milionário, ou faz samba. Eu faço samba”, respondeu, com a altivez que sempre o caracterizou.
Com cerca de 400 composições, seu legado inclui clássicos como “Agoniza, mas não morre” e quatro sambas-enredo, entre eles “Cântico à Natureza”, regravado por diversos artistas. Sua obra permanece como referência fundamental na história da música brasileira.
Serviço
“Tributo a Nelson Sargento”
24 de Julho, quinta, às 19h30
Ingressos a partir de R$ 50,00 podem ser comprados no Sympla
Teatro Rival Petrobras
Rua Álvaro Alvim, 33 – Centro, Rio de Janeiro
Foto de capa: Aryel Sacramento e Lyza Oliveira/Spectaculu
Reportagem de Daniela Oliveira
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