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“Geração Capricho”: Foquinha fala sobre como adaptou a cultura pop no jornalismo tradicional na era digital

Em uma entrevista exclusiva, jornalista fala sobre o impacto da geração na forma de cobrir cultura pop hoje

Crescer sendo fã nunca foi um problema. Pelo contrário, pode ser o ponto de partida para uma carreira jornalística. Em um cenário em que o jornalismo tradicional disputa espaço com influenciadores e canais de opinião, a geração que cresceu lendo a revista Capricho encontrou um novo caminho: fazer da paixão pela cultura pop uma lente crítica e sensível para entender o mundo ao redor.

Foi essa geração que entendeu que é possível falar de sociedade e política ao mesmo tempo em que se fala das “divas pop”. Mais do que saber sobre celebridades, ser jornalista cultural é compreender o impacto do mundo pop por trás de cada acontecimento. É entrevistar ídolos com respeito e, acima de tudo, manter os princípios editoriais.

Foto: Camila Marzano

Fernanda Catania, mais conhecida como Foquinha, é um dos maiores nomes dessa virada. Jornalista e referência no YouTube e nas redes, ela construiu uma carreira que mistura carisma, responsabilidade, consistência editorial e muita leveza.

Em entrevista exclusiva para a Agência UVA na Rio2c, Fernanda Catania relembra sua trajetória desde a redação da Capricho até o YouTube, e reflete sobre ética, responsabilidade e a transformação do conteúdo na era digital, além dos bastidores da profissão e o que ainda carrega da sua experiência em uma das redações mais icônicas da juventude brasileira.

Agência UVA: O seu jeito ficou marcado por ser muito único em conseguir transitar entre a fofoca e o jornalismo com muita ética. Como você construiu isso e conseguiu manter esse cuidado nos dias de hoje?

Foquinha: Eu acho que fazer jornalismo faz diferença nessa hora. Desde o início a gente aprende o quanto ética e responsabilidade são fundamentais. Eu tenho meus princípios e levo comigo sempre. A minha experiência no jornalismo tradicional me deu essa bagagem. Claro, tem entrevistas que eu vejo hoje e penso, “Não faria dessa forma hoje”, mas justamente por ter passado por tudo isso, eu consigo aplicar essa ética no que faço hoje, mesmo num cenário difícil, com tanta notícia e tantos famosos aparecendo o tempo todo.

AUVA: Como você lida com aquelas notícias que sabe que vão “bombar”, mas que não necessariamente você quer falar sobre? Existe um equilíbrio entre querer visualizações e não querer falar do assunto do momento?

F: Eu busco equilibrar as duas coisas. Quando eu preciso dar uma notícia mais polêmica, tento trazer um viés que seja meu. Não falo da polêmica só por falar; eu contextualizo, explico. Tento fazer de um jeito diferente do que está todo mundo fazendo, sabe? Assim mantenho minha identidade sem fugir do que está sendo discutido. Não é só falar da polêmica por falar.

Foto: Isabel Vieira

AUVA: Você é uma das pioneiras no YouTube com esse formato jornalístico sobre cultura pop, principalmente por trazer um conteúdo muito diferente e didático. Como você consegue se reinventar, mesmo com tantas mudanças nas redes sociais?

F: Eu estou sempre recalculando a rota. Já são dez anos na internet, muita coisa mudou nesse tempo. Eu fico de olho nas tendências, claro, mas sempre dentro daquilo que acredito e que tem a ver com o que faço. Ser fiel ao meu conteúdo é importante, mas também não dá pra fechar os olhos para as mudanças. As tendências também importam.

AUVA: Para encerrar: o que você mais sente falta da sua época na Capricho?

F: Nossa, muita coisa! Mas principalmente o ambiente da redação. Era muito gostoso trabalhar com a galera, o clima era leve. Hoje meu trabalho é muito mais solitário. Tenho minha equipe, mas cada um trabalha de um lugar. Às vezes a gente se encontra, às vezes não. Sinto falta de ter com quem dividir decisões, trocar ideias, sabe? Ter mais gente dividindo as angústias. A redação me dava isso.

Foto de capa: Vinícius Costa

Reportagem de Isabel Vieira, com edição de texto de João Gabriel Dorneles e João Agner

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