As casas de apostas cresceram exponencialmente no Brasil ao longo dos últimos anos, tornando-se parte do dia a dia dos torcedores e consumidores. De estádios a redes sociais, passando por comerciais e até letras de músicas, a presença desse setor está cada vez mais nítida.
Com o sucessivo aumento deste mercado, surge a curiosidade em analisar todas as causas e consequências. Para entender quais são os efeitos desse fenômeno, a Agência UVA conversou com Lucca Peres Andrada, especialista em marketing digital e tráfego pago na New Growth Company.
“A participação de pessoas famosas nas campanhas de apostas pode levar muitos a associar a prática ao sucesso, à diversão e até ao status social, tornando as apostas mais aceitas na sociedade”, explica Lucca.
Celebridades como Neymar e Jon Vlogs têm promovido essas plataformas, ampliando ainda mais o seu alcance e influência. Essa estratégia, somada ao uso intensivo de anúncios segmentados e remarketing, faz com que o público veja as apostas como uma oportunidade acessível e atraente. No entanto, essa abordagem levanta preocupações éticas.
“Essas empresas utilizam anúncios segmentados, remarketing e parcerias com influenciadores para atingir públicos específicos. Entretanto, a questão ética surge quando essas práticas miram pessoas vulneráveis ou escondem os riscos associados, criando expectativas irreais”, alerta o especialista.
O impacto desse marketing vai além do digital e chega à cultura pop, com músicas de funk e trap que exaltam as apostas como símbolo de status e ascensão social. Canções como “Resenha do arrocha” e “Mãe Solteira” reforçam a narrativa de que as apostas são um caminho para a riqueza rápida e o estilo de vida luxuoso. Essa glorificação acaba influenciando principalmente o público mais jovem, que pode ser levado a enxergar as apostas como um caminho promissor, sem considerar suas consequências.
“Músicas populares ajudam a consolidar essa prática como parte de um estilo de vida aspiracional, especialmente para os jovens”, afirma Lucca.
Além das redes sociais e da música, o futebol brasileiro ainda se tornou um grande palco para a publicidade das casas de apostas. Marcas desse setor estampam camisas de clubes, aparecem em placas de estádios e dominam os intervalos comerciais das transmissões esportivas. Este volume massivo de exposição reforça a normalização das apostas, aproximando ainda mais o torcedor desse universo.
Diante desse cenário, surge a necessidade de maior responsabilidade por parte das empresas e influenciadores que promovem esse mercado. Recentemente, o governo federal brasileiro até criou uma regulamentação com foco na prevenção à lavagem de dinheiro, roubo de dados e envolvimento de menores de idade.
“Tanto as empresas quanto os influenciadores têm uma responsabilidade importante, pois ao promoverem o mercado de apostas de forma despreocupada, podem desconsiderar os impactos negativos, como vício e endividamento”, enfatiza Lucca.
A respeito disso, em diversos países a regulamentação sobre a publicidade de apostas já é mais rígida para minimizar impactos negativos e proteger os consumidores. Segundo Lucca, o Brasil deveria fazer parte dessa lista e passar a regularizar ainda mais aspectos como esses.
“Com certeza o Brasil deve adotar uma regulamentação mais rígida, como existe em outros países, com o objetivo de proteger os consumidores de práticas predatórias e reduzir os impactos negativos”, conclui o especialista da New Growth Company.
O crescimento das casas de apostas no Brasil levanta questões importantes sobre ética, publicidade e impactos sociais. Embora o marketing desse setor seja eficiente e lucrativo, é essencial que haja um debate mais aprofundado sobre seus riscos e que medidas sejam tomadas para garantir uma abordagem mais responsável.
Foto de capa: Reprodução/Freepik
Reportagem de Rodrigo Téo, com edição de texto de Gustavo Pinheiro
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