Por Nathalia Bittencourt
Bem-vindo à crise dos 20 e poucos anos! Na verdade, dos 20 e tantos anos, pois quanto mais próxima fico da casa dos trinta, esse fantasma vem assombrar. Eu acho que isso acontece porque quando faz o seu vigésimo aniversário, você planeja um futuro inteiro – entrando na faculdade, se mudando, ganhando mais liberdade – e você vislumbra todo o sucesso que espera alcançar nos próximos dez anos.
De verdade, esse tempo parece uma eternidade para fazer tudo – se formar, estabelecer uma carreira, casar, começar uma família… a verdade é que sempre fomos ensinados assim. A Jenna Rink, de “De Repente 30”, repetiu tantas vezes que essa era a idade do sucesso que passamos a acreditar. Sem precisar ir para Hollywood, basta olhar pra nossa família. As gerações anteriores pareciam ter se resolvido antes disso. Mas… (sempre tem um “mas”) não é bem assim como nos filmes – os tempos são outros, e dez anos não são uma eternidade.
Os planos e sonhos que tínhamos alguns atrás mudaram, e agora resta pouco tempo para conquistar o sucesso. Nessa corrida contra o tempo que nos colocamos, parece que estamos atrasados por não estarmos onde gostaríamos, e isso tudo deixa um gosto amargo de achar que fracassamos no caminho, e com medo do que nos aguarda nos próximos anos.
Essa jovem adulta aqui (pausa, pois talvez esse seja o problema. Nem a idade se decide entre ser jovem ou ser adulta, e só nisso já dá para entender a dualidade de viver esse anos. Mas voltando…), alguns anos atrás, diria para vocês como recém-formada em artes cênicas, que hoje ela já teria estrelado em uma temporada de “Malhação” (que nem existe mais), teria feito outros papéis na TV, uma pós nos Estados Unidos – e até quem sabe feito sucesso por lá -, mas as novelas pareciam mais garantidas. Para completar, até ter vivido a sua própria comédia romântica e estar se casando com um galã, além de ser bestie de todos os seus ídolos de adolescente. Corta para anos depois: estou me formando numa segunda faculdade, começando tudo de novo, e ainda solteira.
Enquanto a minha preocupação maior é qual será o tema do meu trabalho de conclusão do curso, tem amigas minhas se preocupando com o vestido de noiva ou em colocar o seu filho para dormir. De volta ao campus, por vezes me sinto como um peixe fora d’água, com todo aquele drama adolescente me rodeando. Por um momento parece que não me encaixo em lugar nenhum, mas ao mesmo tempo eu vivo o melhor dos dois mundos (pegou a referência?!), mas isso é papo para outro dia.
A verdade é que cada um tem o seu próprio tempo para realizar as suas coisas e encontrar o seu caminho, uns mais rápido que outros. Talvez a gente demore a entender o nosso próprio tempo, talvez a gente seja como a Sandy que achou que viveria uma vida toda nesses dez anos. Isso porque estamos sempre querendo nos comparar com outras pessoas, que talvez fizeram esses mesmo questionamento alguns anos atrás, enquanto eu ainda sonhava com todo aquele futuro.
Eu sei que posso ter feito muitos planos extravagantes, muito comédia romântica da Sessão da Tarde da minha parte. Mas somente agora parece que meus pés deixaram de flutuar para trilhar meu caminho. Apesar do recomeço, apesar de todos os questionamentos e medos, no fundo sei que ainda estou me encontrando. Talvez isso que seja assustador no final das contas, ou ainda toda incerteza que se tem dos próximos anos. Afinal, não sei se daqui a dez anos estarei tento uma nova crise de idade ou se de fato tudo que desejo agora vai se realizar. Resta confiar e entender que tudo bem mudar de rota.
Crônica de Nathalia Bittencourt, com edição de João Agner
Foto de capa: Reprodução/IMDb
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Parabéns… você precisa trilhar os seus desejos… siga em frente sempre.
Blogueira? Influencer? Escritora? JORNALISTA? ATRIZ?? Já não sei mais oque você é garota! Não desista nunca, continue sempre no SEU caminho🤗😍
Muito bom Nathália!!!!! Parabéns pelo seu talento ❤️
Conforme ia lendo me via em meio disso tudo, linda crônica.
DEUS ABENÇOE É FANTÁSTICO BJOSSS
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👏👏excelente texto… Parabéns! Evolução: realmente existe:: criança/jovem; adulto/idoso!