Cultura Evento Geral Literatura

Escritores independentes e editoras pequenas procuram visibilidade na Bienal do Livro

A Agência UVA entrevistou escritores que não estão em grandes editoras do meio literário, contando os desafios e a oportunidades que a Bienal do Livro proporciona

Para além dos grandes estandes decorados e autores com sessões de autógrafos com senhas, a Bienal do Livro também é um espaço destinado para pequenos escritores e editoras que desejam ganhar mais visibilidade no meio literário. A Agência UVA conversou com pessoas em diferentes contextos de uma literatura mais alternativa que estão na Bienal para divulgar suas obras.

No pavilhão verde ao lado do Café Literário, há um espaço destinado apenas para autores independentes. Como o pequeno estande da Lara T. Vainstok, que divulgava a sua obra “Castelo de Areia”. Lara tem 22 anos e veio do Ceará para apresentar seu livro de fantasia. Mesmo não sendo grande em tamanho, em seu expositor havia uma roleta que concedia brindes a quem participava e até desconto no livro, marcadores e cards. A autora também participou de uma palestra organizada pela empresa de canetas Bic sobre o desafio de publicar livros de maneira autônoma.

Lara usou roupas inspirada em suas histórias, ela está no stand em todos os dias da bienal. Foto: Karla Maia/ Agência UVA.

Seu livro é sobre uma jovem brasileira que é levada para uma ilha que se mexe, e consegue saber sobre os maiores medos de quem está lá. O objetivo dela e de outros cinco jovens de outras partes do mundo é saber o porque eles estão naquele lugar e isso só será descoberto ao chegar no Castelo de Areia. Sua principal motivação para a criação de história era ter uma protagonista brasileira num contexto fantástico. Além da venda na Bienal, o livro também está disponível na Amazon para a compra de maneira virtual e a versão física pelo seu Instagram, seu principal meio de divulgação. Lara esteve no evento todos os dias e foi sua primeira vez apresentando sua obra fora do seu estado. Ela comenta a importância de estar num espaço como a Bienal para divulgar suas história.

“A parte mais intensa e emocionante é ver as pessoas confiando no seu trabalho. O livro acaba sendo só um meio, essa troca é o mais importante pra mim”, conta Lara.

Além de escritores, pequenas editoras também estão na bienal com o objetivo de serem vistas. Á exemplo da Fruto Proibido, com apenas um ano de atividade, pela primeira vez do projeto na Bienal. Suas publicações são focadas em livros de romance e, atualmente, possui 16 autoras no seu hall. O Instagram e seu site próprio são os principais meio de venda e divulgação dos seus livros. Algumas participaram de sessões de autógrafos no estande. Segundo a editora-chefe Bianca Albuquerque, é uma sensação “surreal” ver pessoas chegando chorando e animadas em ver as autoras de algum livro que gostam.

O fato da Bienal aproximar essa relação entre autor e leitor foi algo de destaque para uma das escritoras da editora, Karen Santos, de 34 anos, que estava divulgando seu livro “A Tentação do Mafioso”, um romance erótico, que também está publicado em plataformas digitais:

Além do livro na Fruto Proibido, Karen tem mais 4 publicações em outros expositores da Bienal. Foto:Divulgação.

“Como autora independente e publicando de maneira virtual, não temos um calor humano, acaba sendo algo muito solitário. E quando chegamos aqui nesse espaço de livros físicos e encontro com fãs, percebemos a força do que nós escrevemos na internet. “

Diferente de Lara e de Karen, a autora Fernanda Schmitt, de 19 anos, mora em Porto Alegre e veio ao Rio para divulgar seus livro “Eros, um amor proibido”, uma publicação independente, sem nenhum estande específico. Fernanda veio com alguns exemplares e brindes, divulgando sua ida ao evento através das redes sociais. Sua história é um reconto do mito do deus grego Eros e da jovem Psique, em uma abordagem moderna que se passa em Chicago, nos Estados Unidos.

Segundo a autora, é um desafio estar na Bienal, pois há uma falta de estrutura. Entre as diferenças de ter ou não um estande, Fernanda citou o fato de ter que autografar os livros na mão, sem mesas, e não ter um apoio para divulgação, fazendo isso tudo de maneira independente através da internet. Mesmo assim, se diz muito feliz e empolgada com a oportunidade de receber carinho de leitores e conhecer novas pessoas.

Em todos os casos citados, a internet foi um meio importante para a publicação e divulgação das obras. No caso da P.S Dois Pontos, ela é o principal meio de encontrar autores e histórias. Focada na publicação de fanfics, a editora está pela primeira vez na Bienal do Rio e divide o estande com outra editora de pequeno porte, a Violeta. A editora-chefe, Cínthia Zagatto, explicou que o principal nicho da editora é o publico jovem, que vem desse universo de história criadas por fãs.

Fila para a compra de livros no stand das editoras Violeta e P.S Edições. (Foto: Agencia UVA/Karla Maia)

A editora já publicou 55 livros, e sua principal forma de seleção é através de uma procura ativa na internet pelas histórias, mas também abrem editais ao longo do ano explicando como e qual tipo de narrativa estão procurando para publicação. A própria Cínthia escrevia sobre os integrantes da banda pop Simple Plan, e hoje possui suas histórias adaptadas em formato de livros físicos no catálogo da P.S, á exemplo da obra Ela Quer Dançar. Para ela, sua maior contribuição é perpetuar a cultura da fanfic e ver os resultados positivos disso com o grande contato com os fãs. O pequeno estande da editora estava lotado, com fila para a compra dos livros e muitas pessoas para pegarem autógrafos com as escritoras que estavam ali.

“Chegar aqui no meio de editoras tão grandes e ter um carinho e receptividade, isso tudo é um reflexo do fazemos na internet”, declarou Cinthia.

Foto de capa: Karla Maia/Agência UVA

Reportagem de Karla Maia, com edição de texto de João Agner.

LEIA TAMBÉM: Holly Black comemora 20 anos de sua primeira publicação na Bienal do livro

LEIA TAMBÉM: Bienal do Livro: bate papo sobre adaptações cinematográficas e gêneros de sucesso que agita a programação

.

2 comentários em “Escritores independentes e editoras pequenas procuram visibilidade na Bienal do Livro

  1. Pingback: Bienal do Livro Rio 2023 registra recordes de público e vendas | Agência UVA

  2. Pingback: Baixada Fluminense terá seu primeiro festival literário na cidade de Nilópolis | Agência UVA

Deixe um comentário