Foi lançada nesta quarta-feira (30), Dia Internacional Contra o Desaparecimento Forçado de Pessoas, a nova edição da revista “Radar Saúde Favela”. Com produção da Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz, a publicação se dedica à discussão de vários aspectos relacionados aos desaparecimentos forçados de pessoas, com destaque nos casos que ocorrem na região da Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro.

Na sua 24ª edição, a revista traz um texto elaborado por um coletivo mexicano de familiares de vítimas que divide com o leitor soluções tecnológicas que têm se mostrado eficazes no México na busca por pessoas desaparecidas. Na abertura da edição, o texto “Busca Injusta” de Luciene Silva, membro da equipe do Radar Saúde Favela e da Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência da Baixada Fluminense, traz a convivência com a dor do desaparecimento, o impacto na saúde das mães e familiares e a importância de estarem unidos em uma rede de apoio.
A revista também apresenta, na editoria Memória, uma entrevista com Einstein RC, jovem residente na Baixada Fluminense, sobre o desaparecimento de seu irmão, Douglas de Paula Pampolha dos Santos.
Na editoria “O que tá pegando”, Giselle Florentino e Fransérgio Goulart, membros da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial), argumentam que os casos de desaparecimentos forçados não se limitam ao período da ditadura militar, como frequentemente se acredita, mas têm raízes que remontam à época da colonização. Os autores discutem o aumento desses casos na Baixada Fluminense e destacam o crescimento dos cemitérios clandestinos na região. Além disso, o surgimento do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência de Estado e seus Familiares (NAMVIF), resultado da mobilização de grupos como a Rede de Mães e Familiares da Baixada Fluminense e o Fórum Grita Baixada, é descrito na seção “Ensaios”.
Ainda sobre as evidências nos territórios, em “Debates”, o coletivo mexicano Forças Unidas Pelos Nossos Desaparecidos em Nuevo León destaca a importância do uso de drones na busca por seus familiares desaparecidos. O emprego dessa tecnologia tem permitido o rastreamento de locais onde ocorreram remoções de terra e alterações no solo que podem indicar a presença de fossas clandestinas, além de outros elementos relacionados às técnicas de desaparecimento.
O Radar Saúde Favela, originalmente conhecido como Radar Covid-19 Favela, teve sua origem dentro do Observatório Fiocruz Covid-19 e agora encontra-se sob a responsabilidade da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz. O site do Radar Saúde Favela foi lançado em fevereiro de 2023 e serve como uma plataforma central para compartilhar histórias relacionadas à saúde de moradores das favelas, lideranças populares e movimentos sociais. Este projeto aborda uma variedade de temas por meio de diferentes formatos, incluindo artigos de opinião, podcasts, vídeos e a própria edição da revista, que está disponível desde agosto de 2020.
Você pode conferir na íntegra a 24° edição da revista Radar Saúde Favela aqui.
Foto de capa: Pexels
Reportagem de Jorge Barbosa
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