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24° edição da revista Radar Saúde Favela aborda o desaparecimento forçado de pessoas

No Dia Internacional Contra o Desaparecimento Forçado de Pessoas, a revista produzida pela Fiocruz traz discussões sobre o tema

Foi lançada nesta quarta-feira (30), Dia Internacional Contra o Desaparecimento Forçado de Pessoas, a nova edição da revista “Radar Saúde Favela”. Com produção da Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz, a publicação se dedica à discussão de vários aspectos relacionados aos desaparecimentos forçados de pessoas, com destaque nos casos que ocorrem na região da Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro.

A 24° edição da revista Radar Saúde Favela traz o tema do Desaparecimento Forçado de Pessoas. (Foto: Bruno Morais/Divulgação)

Na sua 24ª edição, a revista traz um texto elaborado por um coletivo mexicano de familiares de vítimas que divide com o leitor soluções tecnológicas que têm se mostrado eficazes no México na busca por pessoas desaparecidas. Na abertura da edição, o texto “Busca Injusta” de Luciene Silva, membro da equipe do Radar Saúde Favela e da Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência da Baixada Fluminense, traz a convivência com a dor do desaparecimento, o impacto na saúde das mães e familiares e a importância de estarem unidos em uma rede de apoio.
A revista também apresenta, na editoria Memória, uma entrevista com Einstein RC, jovem residente na Baixada Fluminense, sobre o desaparecimento de seu irmão, Douglas de Paula Pampolha dos Santos.

Na editoria “O que tá pegando”, Giselle Florentino e Fransérgio Goulart, membros da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial), argumentam que os casos de desaparecimentos forçados não se limitam ao período da ditadura militar, como frequentemente se acredita, mas têm raízes que remontam à época da colonização. Os autores discutem o aumento desses casos na Baixada Fluminense e destacam o crescimento dos cemitérios clandestinos na região. Além disso, o surgimento do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência de Estado e seus Familiares (NAMVIF), resultado da mobilização de grupos como a Rede de Mães e Familiares da Baixada Fluminense e o Fórum Grita Baixada, é descrito na seção “Ensaios”.

Ainda sobre as evidências nos territórios, em “Debates”, o coletivo mexicano Forças Unidas Pelos Nossos Desaparecidos em Nuevo León destaca a importância do uso de drones na busca por seus familiares desaparecidos. O emprego dessa tecnologia tem permitido o rastreamento de locais onde ocorreram remoções de terra e alterações no solo que podem indicar a presença de fossas clandestinas, além de outros elementos relacionados às técnicas de desaparecimento.

O Radar Saúde Favela, originalmente conhecido como Radar Covid-19 Favela, teve sua origem dentro do Observatório Fiocruz Covid-19 e agora encontra-se sob a responsabilidade da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz. O site do Radar Saúde Favela foi lançado em fevereiro de 2023 e serve como uma plataforma central para compartilhar histórias relacionadas à saúde de moradores das favelas, lideranças populares e movimentos sociais. Este projeto aborda uma variedade de temas por meio de diferentes formatos, incluindo artigos de opinião, podcasts, vídeos e a própria edição da revista, que está disponível desde agosto de 2020.

Você pode conferir na íntegra a 24° edição da revista Radar Saúde Favela aqui.

Foto de capa: Pexels

Reportagem de Jorge Barbosa

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2 comentários em “24° edição da revista Radar Saúde Favela aborda o desaparecimento forçado de pessoas

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