Meio Ambiente

Manchas de petróleo avançam no Nordeste e são preocupação ambiental

Até o momento, já são 139 localidades afetadas. Petrobras diz que petróleo cru pode ter vindo da Venezuela

Desde o dia 02 de setembro manchas de petróleo cru vêm aparecendo nas praias do litoral do Nordeste. Ao todo, já foram afetados 139 localidades, em 63 municípios, de nove estados do Brasil. O petróleo bruto é uma substância tóxica, composta por: hidrocarbonetos, enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais. Com isso, essas manchas podem afetar os animais marinhos e o ecossistema como um todo.

De todos os estados, o Sergipe é o mais afetado. A quantidade de manchas fez o governo decretar estado de emergência, além de recomendar a população a não utilizar as 12 praias atingidas. Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão são todos os estados afetados pelas manchas de petróleo cru.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobrevoou o território sergipano para avaliar o impacto das manchas de óleo encontradas. “Estamos aqui cumprindo ordens do presidente da República para tomar as medidas urgentes contra a poluição e para determinar a resposta técnica para aquilo que pode ser a origem desse vazamento de óleo, que até o momento não se sabe com precisão”, disse o ministro.

Os trabalhos para remoção do petróleo cru já começaram em todo o litoral nordestino e, até o momento, cerca 130 toneladas da substância foram retirada das praias. Todo o processo está sendo feito pelo o Ibama, em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com órgãos estaduais e municipais, com a Marinha e com apoio da Petrobras.

Diversas localidades já foram afetadas pelo óleo. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

Além do recolhimento da substância tóxica, helicópteros e aviões com sistema de radar auxiliam nos trabalhos. Desse modo, os sensores horizontais e as câmeras de alta resolução podem fazer a varredura do litoral. Até o momento, os trechos afetados entre Maranhão e Sergipe já foram mapeados.

Origem do derramamento de petróleo cru

Após as aparições do óleo no litoral nordestino, a Petrobras desenvolveu um estudo para analisar possíveis origens do derramamento. Segundo este relatório, cada petróleo teria “um DNA”, que permite diferenciar as produções de cada local. Utilizando 23 amostras do resíduo recolhido, técnicos da Petrobras compararam este óleo com o material produzido pelo Brasil e descartaram a possibilidade deste material ter sido produzido no Brasil.

Com isso, a Petrobrás cita três hipóteses da origem. A primeira seria por meio de um navio afundado que estaria despejando o petróleo no oceano; a segunda poderia ser um acidente na passagem de óleo de um navio para o outro e a terceira hipótese considera o despejo criminoso do material.

Em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados na última quarta-feira (09), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cita que a possível origem do derramamento de petróleo cru.

“Esse petróleo que está vindo, muito provavelmente da Venezuela, como disse o estudo da Petrobras, é um petróleo que veio por um navio estrangeiro, ao que tudo indica, navegando próximo à costa brasileira, com derramamento acidental ou não, e que nós estamos tendo enorme dificuldade de conter”, disse.

Durante o Fórum de Investimentos Brasil 2019 nesta quinta-feira (10) em São Paulo, o presidente da República Jair Bolsonaro cita que as amostras do óleo já estão sendo monitoradas desde o mês passado e tudo indica que estes derramamentos são de origem criminosa.

Danos do petróleo cru

O petróleo é composto por diversos elementos, destacando-se os hidrocarbonetos, nitrogênio, enxofre e oxigênio. Produzido naturalmente, possui característica oleosa e inflamável, sendo utilizado como insumo e/ou combustíveis para a produção de praticamente qualquer produto atualmente.

Quando há derramamento, tende a se espalhar rapidamente, em função de sua densidade, contaminando água e afetando a biodiversidade marinha. O especialista em petróleo e gás, Carlos Canejo, conta que, em situações como estas, os animais correm risco de vida.

“Os animais impregnados com o óleo acabam tendo a regulação da temperatura corporal afetada, além de sofrerem distúrbios reprodutivos e cerebrais a partir da ingestão dos compostos orgânicos tóxicos. As aves não conseguem voar e acabam morrendo afogadas. Além disso, as manchas de óleo também impedem a passagem de luz, prejudicando o processo de fotossíntese de algas, afetando na quantidade de oxigênio dissolvido disponível, levando os peixes a morte por sufocamento”, explica.

Cézar Pires também conta que agressões como estas afeta mais do que os seres vivos marinhos.

“Ao chegar na costa, o óleo começa a afetar outros níveis tróficos, com os mesmos efeitos descritos anteriormente, impossibilitando a atividade pesqueira, o lazer, entre outros, nas regiões afetadas. Não há multa ambiental que consiga restabelecer a condição ambiental original!”, completa.

Tainá Valiati – 7° período / Leandro Victor – 7° período

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