Economia

Desemprego cai para 11,8%, mas com número recorde de trabalhadores informais

12,6 milhões seguem desempregados e 11,7 milhões trabalham sem carteira assinada

Há algum tempo, o país vive um sentimento de grande instabilidade política e econômica. Realidade essa que afeta a vida de milhões de brasileiros que buscam entrar no mercado de trabalho. Após recordes por anos seguidos, nesta sexta-feira (30), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou o menor número de desempregados desde Janeiro deste ano: 11,8% da população, índice sete pontos menor que o último registrado, que foi de 12,5%.

O presidente Jair Bolsonaro, e o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, durante a solenidade de Lançamento do Projeto em Frente Brasil
(Fonte: reprodução/ Valter Campanato/Agência Brasil)

Por outro lado, a quantidade de trabalhadores informais segue crescendo, chegando à sua maior marca desde 2012: 11,7 milhões de pessoas (totalizando 41,3% da população ocupada), um aumento de 619 mil em comparação a Junho do ano passado. Isso significa que a oscilação no índice de desemprego, principalmente quando se trata de diminuição, é consequência direta do aumento da informalidade.

Este efeito não é por acaso. Um balanço divulgado em novembro de 2018, pelo próprio IBGE, um ano após a aprovação da Reforma Trabalhista no governo Temer, mostrou que, ao contrário do que se prometia, o índice de brasileiros com trabalho informal aumentou consideravelmente (532 mil), aumento maior que o de trabalhadores com carteira assinada (293 mil).

Francisco Donato, 53 anos, é um exemplo dessa realidade. Ele arruma trabalhos variados para ter uma fonte de renda. De eletricista a pintor, Donato presta serviços pontuais como “faz-tudo” na Tijuca, Zona Norte do Rio.

“É o que a gente tem, ainda mais porque tá difícil de arrumar (um emprego). Mas mesmo eu não tendo um fixo, minha opção melhor é essa mesmo. Não fiz universidade, nem nada, e até pela minha idade. Mas estou vendo mais gente desse jeito, gente mais nova”, desabafa Donato.

Apesar dessa modalidade de trabalho ser o sustento de muita gente, não possui muitas garantias legais, justamente pelo fato de não estar atrelada à CLT tradicional. Esta, por sua vez, pode ter ainda mais alterações no sentido de ser flexibilizada, com uma sinalização do governo de propor uma “nova” Reforma Trabalhista. Por ora, pessoas como o Seu Donato se desdobram para garantir um dinheiro todo mês, talvez ainda sem garantias de que conseguirão oportunidades no mercado de carteira assinada.

Victor Leal – 7º período

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