Cultura

Documentário de ex aluno da UVA participa de festival de cinema internacional

Os bastidores da produção do filme "Nada nos para". Um curta-documentário que será exibido em um festival de cinema de futebol

Muitos moradores da Baixada Fluminense têm o desejo de mostrar a cultura de sua cidade para mundo, como é o caso do jornalista Jerson Pita, ex aluno da Universidade Veiga de Almeida. Jerson optou por sair do tradicional, ao preparar o trabalho de conclusão de curso, e preferiu produzir um documentário que falasse sobre a torcida de seu time do coração, o Duque de Caxias FC.

E, com esta iniciativa de mostrar a torcida do time de futebol de sua cidade, Duque de Caxias, Jerson Pita conquistou espaço em um festival internacional: o CINEFOOT, que é o único festival de cinema de futebol do Brasil, além de ser o pioneiro na América Latina.

Para saber um pouco mais sobre este curta-documentário, a equipe de reportagem da Agência UVA conversou com o jornalista Jerson Pita, e seu parceiro na produção do documentário, Igor Goulart. Os diretores de “Nada nos para” contam um pouco sobre suas experiências. Além deles, o professor de Jornalismo Documentário, Gustavo Lacerda, também falou sobre este projeto que foi orientado por ele.

Nada nos para é um curta-documentário que será exibido no 10° CINEFOOT. (Foto: Reprodução/ Divulgação oficial).

Jerson Pita – diretor e roteirista

Qual a sua relação com o Duque de Caxias Futebol Clube?

Eu comecei a acompanhar o clube logo após a sua fundação em 2005. Enxergava como uma grande forma de potencializar as características da minha cidade, Duque de Caxias.

Por que decidiu divulgar este amor da torcida pelo time de futebol do Duque de Caxias?

Falar sobre o Duque de Caxias FC é o assunto que eu tenho mais domínio e, ao mesmo tempo, enxergo que as pessoas não têm ciência desse tipo de futebol sem tanto glamour, como os da Baixada Fluminense.

Como foi o processo de produção do filme?

Eu entrei em contato com a coordenação da UVA e eles me sinalizaram que eu poderia ter uma ajuda externa no processo de formatação do material. Assim, meu amigo Igor Goulart e eu fomos para a rua e fizemos muitas imagens de apoio para que o documentário não fosse baseados somente nas entrevistas. Isso foi bom porque dessa forma conseguimos demonstrar sentimento e levar proximidade ao público.

Qual a maior dificuldade você enfrentou para produzir esse material?

A maior dificuldade foi o processo de edição. Filmamos mais de 6 horas de conteúdo para colocar em 20 minutos de filme. Foi um processo que durou meses e, com certeza, foi o mais árduo.

O documentário foi produzido como Trabalho de Conclusão de Curso. (Foto: Reprodução/Divulgação Oficial).

Qual a sensação de ver seu filme concorrendo ao Cinefoot?

A sensação é de papel cumprido. Desde o início, eu queria mostrar a história do Duque de Caxias e a força dessa cidade. Ver que todo esse material vai ser exposto em um festival internacional é a certeza de que o mundo vai olhar para os periféricos, para a Baixada Fluminense e para Duque de Caxias. Uma cidade de um povo único, que cada vez mais dá valor ao que é de suas raízes.

Qual mensagem você deseja passar para as pessoas que assistem o curta “Nada nos para”?

“Nada nos para” é um filme que fala sobre particularidades não tradicionais, como torcer para um time de menor investimento. Todo mundo tem um hábito ou gosto estranho. Pode ser apaixonado por motos, por insetos, por ônibus… eu mostrei a história de um grupo de amigos que torcem para o maior time da baixada fluminense.

Está confiante para o CINEFOOT?

Eu estou em uma amostra especial, não competitiva. Mas não deixa de ser especial, por ser um festival internacional. Em cada categoria há filmes do mundo inteiro. Nós conseguimos trazer a visibilidade para Duque de Caxias, através do festival de maior importância no cinema de futebol da América Latina. E isso é o que me deixa mais feliz.

Igor Goulart – diretor de fotografia

Como foi a experiência de ter produzido este documentário?

Inicialmente, foi algo muito difícil, por se tratar de Futebol, porque eu não era grande fã do esporte. Mas mesmo assim preferir seguir, até porque acreditava ser simples, perguntas e respostas. Só que com o passar das gravações, todos os sábados, percebemos que era muito além da história de um time de futebol. Tratava-se de sentimento, o porquê dos torcedores amarem tanto um clube da 2° divisão do Campeonato Carioca. O meu maior desafio era “como montar isso?”, “como fazer com que essa história se diferencie das outras?”. O uso de artifícios de sentimento, gatilhos mentais, formas de prender o público com imagens e sons, cortes dinâmicos fugindo da ideia conhecida como “documentário”, câmera parada e apenas “cabeças falantes”, me ajudaram na tarefa de fazer algo diferente.

Na parte fotográfica, qual foi sua maior dificuldade?

No que diz respeito a fotografia, nós nos preocupamos muito com a referência local, levando não só ao torcedor, mas também ao morador de Duque de Caxias, referências sobre a cidade, como, por exemplo, a estação de trem, algumas passarelas e a comunidade da Vila Operária, que é conhecida mundialmente pelo Grafite. A maioria das locações foi feita no próprio estádio (Marrentão, Estádio do Clube): no vestiário, na arquibancada, na cabine de imprensa, etc. A iluminação era simples. Pensei em algo que criasse sombra e contraste nas cenas.

Gustavo Lacerda – professor orientador

É sempre gratificante contribuir de uma forma ou de outra, sobretudo para formação dos jovens que acreditam no audiovisual como uma potência comunicativa. Primeiro, eu acredito nos jovens, depois, eu acredito que esta seja uma plataforma capaz de contar histórias incríveis. O trabalho foi todo do Jerson Pita e da equipe de produção dele. O que eu dei foram pequenas ideias para construção do documentário. Mas todos os frutos que ele colhe hoje, são pelo amor ao audiovisual. E isso é uma coisa que a gente compartilha junto. Então, quando ele consegue emplacar um produto desse em um festival tão importante como CINEFOOT, é a certeza de que estamos no caminho certo e de que boas histórias estão chegando ao público.

A décima edição do CINEFOOT acontecerá do dia 05 ao dia 19 de setembro no Rio de Janeiro, do dia 06 ao dia 09 de setembro em Niterói, de 11 a 15 de setembro em Belo Horizonte e de 12 a 16 de setembro em São Paulo. A entrada franca em todas as sessões.

Tainá Valiati – 7° período

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