Fanatismo e paixão pelo clube de coração

Confira a reportagem especial da Agência UVA, que entrevistou o “Anjinho do Flamengo” (foto), o cantor de samba Leo Russo, além de outros fanáticos por seus times 

O futebol é uma paixão nacional e o Brasil é considerado o “país do futebol” por analistas, pesquisadores e apaixonados pelo esporte mundo afora. E são muitos os torcedores fanáticos que fazem loucuras pelos seus times de coração e justificam essa fama. É algo impressionante. Esse grupo geralmente é um mais importantes para os clubes: são os que vão à maioria dos jogos, viram sócios torcedores, compram produtos e mantém a fidelidade ao seu clube, mesmo nos maus momentos.

A paixão pelo time de coração geralmente vem da família e vai passando de uma geração para outra. Exemplo disso, Marcelo Nuba, o “Anjinho do Flamengo”, 44 anos, fala de como surgiu a paixão pelo o rubro-negro carioca.

“Tudo começou quando eu tinha sete anos. Fui com meu avô no jogo entre Flamengo e Bangu, no Maracanã”. Torcedor emblemático do Flamengo, “Anjinho” está em todos os jogos e sempre fantasiado com o seu personagem.

Se vestiu de anjo em 2002 para sair no Cordão do Bola Preta, tradicional bloco de rua do Rio de Janeiro, e de lá seguiu direto para um Fla-Flu no Maracanã, válido pelo Campeonato Carioca. O time da Gávea venceu por 2 a 1 e, desde aquele dia, ele continua com sua fantasia. Já são 18 anos com o personagem.

“Flamengo para mim é acima de tudo e de qualquer coisa, é a minha vida, a minha história”, diz ele, que na foto abaixo se encontra com o ídolo Zico.

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Anjinho com o Zico no lançamento do livro infantil do maior ídolo da história do Flamengo. Foto: Arquivo Pessoal

Os torcedores que são fanáticos fazem de tudo pra ver seu time jogar e a loucura na maioria das vezes não tem limites. O estudante de Jornalismo da UVA, Dorval de Lima, 24 anos, é apaixonado pelo tricolor carioca e não mede esforços para ver o seu clube em campo.

“Já fugi de casa para ir  ao jogo do Fluminense algumas vezes. Esses casos são de 2010, antes do Maracanã fechar , e eu não sabia muito o caminho para o estádio, pois sempre ia com meu pai, só que coloquei a coragem na frente e fui. Graças a Deus nunca me aconteceu nada”, diz Dorval.

A sua paixão pelo Flu veio de berço também: Dorval nasceu em 1995, um ano especial para o time de Laranjeiras, devido ao famoso gol de barriga de Renato Gaúcho na final do carioca contra o Flamengo. “Meu pai sempre foi apaixonado pelo clube e passou isso para toda a família. Minha primeira roupa foi do Fluminense, então é algo que já vem comigo desde meu nascimento”, conta ele.

Uma mistura que dá muito certo é: música e futebol. Várias canções embalam os torcedores e incendeiam as arquibancadas. O cantor e compositor brasileiro de samba, Léo Russo, de 29 anos, têm em sua vida essas duas paixões. O músico, e torcedor fanático do Botafogo, lançou recentemente sua mais nova composição,  “Cansei, eu quero alegria”, contando com participações especiais como: Xande de Pilares, os ex-jogadores Roberto Dinamite e Júnior, além de Noca da Portela e outros artistas.

“Minha enorme paixão pelo Botafogo surgiu em 1995: tinha vários colegas de classe que eram botafoguenses e também virei fã do artilheiro Túlio Maravilha naquele ano. Ele era muito carismático com as crianças. Aquele time de 95 era brilhante e assim o Glorioso me conquistou”, diz o músico.

Léo gravou uma música para o alvinegro carioca no ano de 2015, que acabou sendo a trilha sonora da campanha do time para o acesso a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2016. “Fui à concentração do time algumas vezes para cantar a música para os jogadores, e o Renê Simões, que era o técnico na época, contou que o clima melhorou depois da minha visita. Foi um momento marcante”, diz Léo Russo.

Na maioria das vezes a paixão por um clube de futebol nasce também de uma forma inusitada. Com o vascaíno Wesley Curty, de 20 anos, foi desse jeito diferenciado.

“Eu tinha sete anos, quando em 2006 jogaram Vasco x Flamengo na final da Copa do Brasil. O Vasco perdeu aquele jogo e o técnico Renato Gaúcho deu um empurrão no Valdir Papel, que foi expulso naquele no início da partida. Ali eu senti muita pena do Valdir e comecei acompanhar os jogos do Vasco para torcer. Os jogadores vão e o clube fica, e acabou que me apaixonei pela Cruz de Malta”, conta Wesley.

Assim como todo torcedor fanático, Wesley já cometeu também algumas “loucuras” por amor ao time de coração. “Já fui ao jogo com a água de chuva na canela, já cheguei em casa às 4h da manhã também por pegar uma das piores tempestades da cidade, já fiquei umas dez horas em pé na fila para comprar o ingresso”, conta, rindo.

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Foto da publicação do Túlio Maravilha no Instagram. O cantor Léo sempre foi fã do ex-atacante alvinegro Foto: Arquivo Pessoal

O fanatismo por parte de alguns torcedores passa dos limites e acaba indo para a violência.  Por isso ainda se vê muitos casos de brigas nos estádios, porém os quatro entrevistados se posicionam de forma contrária a essas atitudes no futebol:

Marcelo Nuba, o “Anjinho” (Flamengo): “Sempre faço campanha para a paz nos estádios. Todos devem torcer com inteligência, esquecendo a violência, para resgatar as famílias dentro do estádio”.

Dorval de Lima (Fluminense): “Essa questão é bem complicada, pois eu sou fanático e nunca precisei brigar com ninguém por conta disso. Há brincadeiras com rivais, muitas vezes rola discussões, mas ninguém é mais forte que ninguém, todos somos seres humanos e não precisamos resolver assuntos com agressões físicas e nem nada do tipo. Acredito que a melhor forma de evitar esse tipo de coisa nos arredores dos estádios é implantando digitais na entrada do mesmo, como já ocorre em alguns locais pelo mundo”.

Léo Russo (Botafogo): “Eu condeno qualquer tipo de agressão no futebol, somos rivais, mas não inimigos. A violência nesse esporte é um espelho do nosso país, que infelizmente é bastante violento”.

Wesley Curty (Vasco): “As punições deveriam ser mais severas, pois a violência prejudica o espetáculo, afasta as famílias dos estádios e atrapalha o clube. Não adianta proibir as festas, punir um determinado grupo de torcida se não houver uma punição individual para os baderneiros”.


Luhan Alves- 6º Período

 

 

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