Internacional

Caos no Reino Unido: Brexit segue sendo tema de protestos nas ruas

Saiba mais sobre a situação em reportagem especial da Agência UVA

Saiba mais sobre a situação em reportagem especial da Agência UVA

No último sábado (23), milhares de pessoas foram às ruas na Grã-Bretanha para protestar contra o Brexit, exigindo a queda de May e um novo referendo.  Dias após líderes europeus concederem mais um adiamento para o prazo de saída da União Europeia, o caos atinge níveis alarmantes e ameaça o já desacreditado governo de Theresa May. O grande impasse se dá na aprovação do acordo dos termos de ‘’divórcio’’ com o bloco europeu. Sem apoio no parlamento o acordo já foi rejeitado três vezes por membros do legislativo.

Decidido em referendo em 2016, Brexit segue sendo tema polêmico entre os britânicos
Fonte: Unsplash

Parte da União Europeia desde 1973, a Inglaterra sempre teve uma relação difícil com o Bloco Europeu, nunca aderindo às propostas centrais do plano, como a adesão de uma moeda única (Euro) e o Espaço Schengen, política que permite livre circulação entre países membros do acordo. Já nos primeiros anos dessa década cresceram os anseios pela saída definitiva da União Europeia. Esse processo se deu início no governo do ex-primeiro ministro e líder do partido conservador, David Cameron, ao se aliar com o partido nacionalista UKIP, que em troca de seu apoio exigiu que fosse convocado um referendo no qual a população escolheria entre sair ou permanecer na União Europeia.

A professora de história e coordenadora do curso de Relações internacionais da Universidade Veiga de Almeida, Verônica Pires, descreve a União Europeia como um modelo exemplar para compreender a estrutura de formação de blocos, e uma tentativa de apaziguar as diferenças mais marcantes, que são tão significativas na Europa. “A UE constrói uma ideia de unidade que com o brexit fica estremecida. Pode ser percebida como uma fratura na ideia de uma união europeia’’, afirma.

Em junho de 2016, com 52% dos votos os defensores do brexit saíram vitoriosos no pleito. Tendo como sua base eleitoral seguidores do partido conservador, que tinham como principais motivos para aderir a separação, a recuperação da soberania do Reino Unido na economia e a insatisfação com a atual política de imigração no país. No entanto, Verônica não enxerga esse movimento como algo necessariamente nacionalista. “Não vejo atrelado aos referendos nenhum movimento nacionalista. Tem uma questão econômica, geracional e política”. Ela diz ainda que enxerga isso como um choque entre distintas realidades no Reino Unido, considerando o fato de que as pessoas nos grandes centros em sua maioria votaram por permanecer. 

”Brexit não está indo bem” cartazes espalhados ao longo das ruas
Fonte:Unsplash

A professora ainda chama a atenção para a ideia equivocada de que esses fenômenos são uma negação ou um movimento contrário à globalização. “O fato da globalização estar em curso implica e acelera tendências de um regionalismo. O regionalismo inclusive é parte do processo. São países que se fortalecem, com pautas e interesses em comum para lidar inclusive com a globalização’’, explica.

Entretanto o país tem esbarrado nos termos do acordo com os demais países europeus, entre eles uma multa de R$191 bilhões pela quebra de contrato. “Fato é que a UE não foi formulada para ser dissolvida, e sim para construir uma pauta comum, aproximando os países europeus como um todo”, comenta a professora a respeito da dificuldade de um acerto referente às cláusulas do contrato. “Existe uma instância com muitos países envolvidos, que não vão entregar barato o esforço de criar a União Europeia”. Apesar de não classificar o Brexit como um movimento nacionalista, a especialista opina que não acha impossível que outros países se aproveitem desse discurso para tentar sair do bloco Europeu também.

Sofrendo grande oposição por parte do parlamento, May se vê sufocada no momento, sendo submetida nos últimos meses a duas moções de confiança, processo que ocorre quando o parlamento alega desconfiança no primeiro ministro e propõem uma votação para decidir se o mesmo poderá continuar no cargo, aumentando as probabilidades da saída sem um acordo, que conforme com o Bank Of England, poderia ter um impacto enorme e causar uma recessão jamais vista no país. O limite para esse prazo é dia 12 de abril.

Outro grande entrave para a separação é a questão da fronteira entre a Irlanda (República independente que permanece na UE) e a Irlanda do Norte (Território parte do Reino Unido). Um dos medos do Reino Unido é que isso crie uma fronteira mais rígida entre os dois países, que estiveram em guerra na década de 90, o que violaria um dos alicerces do acordo de paz entre as nações e estremeceria as tensões entre as duas nações.

Em anúncio desta segunda-feira (1), o parlamento britânico votará quatro opções alternativas para o Brexit, segundo John Bercow, presidente da Câmara dos Comuns. O pleito no parlamento é mais uma tentativa de evitar uma saída sem acordo do Reino Unido da União Europeia. Entre as opções em pauta estarão uma União Aduaneira entre os britânicos e os demais países da Europa, o estabelecimento de um mercado comum e união aduaneira, o que manteria o Reino Unido parte de alguns acordos com o continente europeu, um referendo reformatório , ou seja uma nova votação para atestar a decisão do Parlamento, e por último a Moção de um Supremacia Parlamentar, que dá ao Parlamento a possibilidade de intervir e simplesmente cancelar o Brexit.

Felipe Pereira – 7º Período

0 comentário em “Caos no Reino Unido: Brexit segue sendo tema de protestos nas ruas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s