Educação

UVA abre curso de extensão em Jornalismo de Dados

Aulas serão ministradas aos sábados, de 8h às 12h, no Campus Tijuca

Aulas serão ministradas aos sábados, de 8h às 12h, no Campus Tijuca

A Universidade Veiga de Almeida está com inscrições abertas, até o dia 26/03, para o curso de extensão em jornalismo de dados. Ministrado por Luís Guilherme Julião, as aulas ocorrerão nos sábados de 30 de março à 27 de abril, de 8h às 12h, no Campus Tijuca, que fica na rua Ibituruna, 108.

O jornalismo de dados consiste na produção de notícias ou reportagens apuradas com base em informações de bancos de dados, pesquisas e levantamentos. Essa prática, geralmente, exige o uso de técnicas como a raspagem, a limpeza e a análise dessas informações, para que seja possível “contar histórias escondidas nos números”, é o que diz o jornalista e professor Luís Guilherme Julião. Trata-se de um jornalismo cujo foco é a precisão, por meio da tentativa de mensurar um fato. Apesar do trabalho com números, é uma prática que pode ser aplicada a qualquer editoria.

Chamada anteriormente no Brasil de “Reportagem com Auxílio do Computador” (RAC), essa é apenas mais uma técnica que tem sido usada nas redações para a produção de conteúdo e que tem se difundido, cada vez mais, com o avanço da tecnologia. Um dos pioneiros dessa área foi o jornalista Cláudio Weber Abramo, cujo trabalho incentivou a criação da Lei de Acesso à Informação.

Dados
O jornalismo de dados tem sido muito atuante, principalmente, no trabalho com a Lei de Acesso à Informação Foto: Pixabay

Nesse contexto, para o jornalista e professor Luís Guilherme Julião, a falta de informação não é mais um problema. A questão, no momento, é como lidar, interpretar e apresentar, de maneira crítica, o excesso de informação que temos. “A prática do jornalismo de dados ajuda nessa atividade quando o repórter consegue traduzir, de maneira simples, um calhamaço de informação e sintetizar o que é realmente importante”.

O jornalista de dados da TV Globo, Luiz Fernando Toledo acrescenta que essa é uma frente que ajuda a dimensionar melhor, por exemplo, uma série de problemas de políticas públicas. “É bastante útil para analisar dados eleitorais, como patrimônio de políticos, receitas e gastos”. Ele conta que, com o avanço das redes sociais, é mais fácil hoje também o mapeamento de postagens, sendo possível apurar onde começam os boatos e as notícias falsas.

“Algumas das maiores redações como A Folha, O Estadão e O Globo têm núcleos específicos para trabalhar com dados e o trabalho desses repórteres também tem sido conduzido para o fact checking, que tem a missão de evitar a dissipação de fake news“, afirma Julião.

O professor continua e defende que em um contexto de enxugamento de redações, o jornalista com esse conhecimento tem a possibilidade de fazer grandes reportagens a partir de furos em bases de dados públicos. Isso agiliza o processo que passa a não depender somente do nome ou peso do veículo ou da cultivação longínqua de boas fontes, o que tem ajudado veículos independentes a publicarem conteúdos com qualidade cada vez maior, equiparando-se às mídias tradicionais.

“O estudante chega no mercado sem fontes e leva tempo para fidelizá-las. Se ele souber como mexer com dados, já terá um diferencial para trabalhar junto com repórteres experientes e até mesmo dar furos”, afirma Luiz Fernando Toledo.

Foi com esse intuito que o estudante de jornalismo Bruno De Blasi se interessou pelo tema. Ele conta que espera aprender a lidar com números e bases de dados, além de encontrar esse tipo de informação. “Além de me interessar por dados, big data e afins, busco me adequar às novidades do mercado. Acredito que isso pode abrir novas portas”.

O coordenador do curso de jornalismo da UVA, Luís Carlos Bittencourt, reitera que o jornalismo tem passado por grandes mudanças devido à tecnologia. Para ele, a maior quantidade de informação e as diversas fontes exigem que o profissional saiba onde recorrer e aprenda a dominar as ferramentas de apoio. “Temos como princípio na UVA oferecer a melhor formação aos nossos alunos, para que estejam preparados para o exercício do jornalismo, seja nas redações da imprensa ou em qualquer outro meio que hoje necessita da qualificação especializada de um jornalista. O curso de jornalismo de dados atende a essa demanda de qualificação”.


Andressa Gabrielle – 8º Período

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