Filme que abriu o Festival de Cannes, em 2018, marca a primeira direção de Asghar Farhadi em língua espanhola
O diretor iraniano, vencedor de dois Oscar por “A Separação” e “O Apartamento”, Asghar Farhadi, está de volta com a obra “Todos Já Sabem” (Todos Lo Sabem, no original em espanhol), estrelada por Penélope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín. O filme, que entrou na última quinta-feira (21) em cartaz, conta a história de Laura (Penélope Cruz), uma mãe que retorna à cidade de origem na Espanha, depois de anos vivendo na Argentina, para celebrar o casamento da irmã, Ana (Inma Cuesta).
Acompanhada dos dois filhos, o menino Diego (Iván Chavero) e a adolescente Irene (Carla Campra), Laura é recebida pela família e amigos de braços abertos. Tanto a direção, quanto a atuação são capazes de evidenciar a relação de afeto existente entre esses personagens. Entretanto, não há sentimento capaz de manter-se inabalado pela dúvida. É essa a moral construída ao longo do enredo. Após o desaparecimento de Irene durante a festa de casamento, os alicerces dessa família são postos à prova.

Um dos pontos centrais da trama são os segredos, que ao decorrer da história, vão se provando não tão ocultos assim, o que faz referência ao título do filme, afinal, todos já sabem. As mais de duas horas ficam um pouco arrastadas durante o desenvolvimento, mas, ao fim, esse recurso prova-se necessário para resolver o quebra-cabeça de dramas familiares. O tempo também permite que a emoção transmitida esteja na dose certa, sem ficar melodramático, o que se tornaria um esboço caricato de uma família hispânica. Pelo contrário, tudo é feito com respeito e de forma muito empática.

Há de ser dado o devido destaque para o elenco, principalmente para o trio de estrelas Penélope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín. O ator argentino, que interpreta o pai de Irene, faz um excelente trabalho, mais uma vez. É interessante ver como seu personagem permanece uma incógnita boa parte do filme, mesmo quando está em tela. Quanto ao casal espanhol, a química em cena é perceptível, o que ajuda na imersão do espectador. Mesmo a trama deixando alguns pontos soltos, o que não é incomum em suspenses, o enredo de Asghar Farhadi é bem conduzido e envolvente.

A união do roteiro, da direção e da atuação é o que faz dessa obra mais um acerto do cineasta iraniano. Os detalhes técnicos, apesar de não se sobressaírem, fazem seu papel. Tanto a fotografia, quanto a trilha sonora ambientam bem a localidade e o tom da história.
Andressa Gabrielle – 8º Período

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