“Benzinho” é favorito em lista de possíveis indicados ao Oscar

A cerimônia de premiação do Oscar 2019 ainda está a alguns meses de distância, mas a Comissão Especial de Seleção já divulgou a lista dos 22 longa-metragens nacionais inscritos para ser o representante brasileiro a concorrer a uma vaga no prêmio de Melhor Filme Em Língua Estrangeira.

O filme “Benzinho”, dirigido por Gustavo Pizzi, é o grande favorito da lista após vencer nas categorias de melhor filme no Festival de Gramado, conquistando críticos e também o júri popular. No festival, o longa recebeu ainda os prêmios de melhor atriz para Karine Teles e melhor atriz coadjuvante para Adriana Esteves.

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Elenco principal em cena do longa-metragem “Benzinho” Foto: Bianca Aun / Divulgação

O longa é uma coprodução entre Brasil e Paraguai. Na história, Irene (Karine Teles) e Klaus (Otávio Müller) moram com seus quatro filhos. Entre problemas financeiros, empreendimentos sem sucesso do marido e a tentativa de ajudar sua irmã problemática (Adriana Esteves), Irene se desdobra para amparar e dar atenção a todos. Quando seu filho mais velho Fernando (Konstantinos Sarris) é convidado a jogar handebol na Alemanha, ela precisa aprender a lidar com a despedida inesperada e a mandá-lo para o mundo.

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Em Gramado, Karine Teles recebe o prêmio de melhor atriz. Foto: Edison Vara / Divulgação

“Benzinho” foi rodado em Petrópolis e Araruama. Traz no elenco o ator uruguaio Cesar Trancoso, vivendo Alan, marido de Sônia (Adriana Esteves) e Vicente Demori como Thiago, filho do casal. Mateus Solano também faz uma participação especial dando vida ao personagem Paçoca.

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Karine Teles e Otávio Müller no filme “Benzinho” Foto: Bianca Aun / Divulgação

O filme conta ainda com Luan Teles interpretando Rodrigo, filho do meio de Irene. Já os gêmeos mais novos são vividos por Arthur e Francisco Teles Pizzi, filhos do diretor Gustavo Pizzi e da protagonista Karine Teles, que foram casados e se inspiraram na experiência pessoal deles para criar o enredo.

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Adriana Esteves e Karine Teles vivem as irmãs Sônia e Irene Foto: Bianca Aun / Divulgação

O longa teve sua estreia mundial no festival de Sundance e participou da Mostra Voices, no festival de Roterdã. Venceu o prêmio de melhor filme pelo juri e pela crítica do Festival de Cinema Espanhol de Málaga e pelo júri do Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira. Participou também dos festivais de Gotemburgo, São Francisco, Washington D.C., Berkshire, Provincetown, Edimburgo, Karlovy Vary (República Checa) e do Rooftop Films Summer Series.

O projeto foi selecionado pela La Fabrique Des Cinemas Du Monde durante o Festival de Cannes de 2013, para o Cinemart em Roterdã, em 2015 e para o programa Boost NL, em 2017. Ganhou ainda o Ibermedia, assim como outros programas de incentivo a filmes brasileiros e coproduções internacionais. Ele tem sido elogiado pela crítica por seu roteiro simples e pela trama familiar de classe média baixa, que o fez chamar a atenção.

“Queríamos ter foco na empatia, no afeto. É uma energia importante. Um amor sem pieguice, sem romantismo, como potência de enxergar o outro. O filme tem este amor como resistência, paciência. É a força motriz da maioria das famílias”, disse a atriz Karine Teles, que também é roteirista do filme, em entrevista ao G1.

Sobre o sucesso do filme fora do Brasil, o diretor Gustavo Pizzi comentou em entrevista a revista Super Interessante: “Esse amor que existe dentro de uma família é universal. Um filho sair de casa, largar essa proteção, é algo muito parecido em todos os lugares. A gente queria fazer o mais próximo possível da nossa vida: sem grandes tragédias repentinas. Acho que quando falamos da gente, acabamos falando sobre todo mundo”.

Vitória Alves, aluna de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) explicou que, por ser um filme de baixo orçamento, a distribuição e divulgação dele foi bem baixa. Entretanto, nesses casos, o melhor e mais efetivo a se fazer é investir em promovê-lo pelas redes sociais. Isso acabou dando certo para “Benzinho”, que teve uma boa semana de estreia dentro dos padrões do cinema nacional independente e com isso, foi distribuído em mais salas.

“Benzinho é um filme que se apoia, sobretudo, na história cativante, nos bons personagens e excelentes atuações, o que acaba dando certo e é um bom modelo de cinema independente, que é basicamente o que chama atenção nos grandes festivais europeus”, comenta Vitória.

Para a estudante de Cinema, a ideia de um filme brasileiro receber o Oscar traria mais confiança na capacidade do cinema nacional. Segundo Vitória, as nossas produções ainda sofrem com a falta de apoio da população, o que afeta toda a indústria cinematográfica, pois há pouca circulação, problemas de distribuição e salas vazias.


Thais Fernandes – 7º período

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