A moda que se reconstroi e volta dos anos 60 para a atualidade

Para muitos, a moda pode se resumir a algo simplesmente visual e totalmente relacionado ao consumo. O que muitas pessoas não sabem é que, por trás de uma simples tendência ou de uma peça, existe um universo histórico e social, principalmente quando se fala da moda dos anos de 1960.

Com o início do pós-guerra e final dos anos 50, o cenário era favorável para uma espécie de revolução social influenciada diretamente pela maneira de se vestir. Nessa época, a sociedade estava mais disposta ao consumo.

Com a ida dos os “chefes de famílias” para os conflitos, foi a vez das mulheres entrarem no mercado de trabalho. Por isso, a saia rodada, que era comum às mulheres dos anos 50, foi perdendo pouco a pouco seu espaço e dando lugar para as famosas calças cigarrettes, que continuam sendo comuns. Era o grito de liberdade feminina no quesito vestimenta.

Reproduzido por: Fashionbubbles – Peças chaves dos anos 60 que são usadas até hoje

Com o início do empoderamento feminino, os padrões de tendências das épocas anteriores não serviam mais para o corpo e para mente dessas novas mulheres. Alfaiates e costureiras iam sendo deixados de lado, expandindo cada vez mais o mercado das lojas de departamento. Por mais que hoje algumas dessas peças possam parecer muito comuns, elas foram revolucionárias nos anos de 1960. Uma delas, a minissaia, reinou nos principais ícones fashions da época. Criada por Mary Quant, estilista britânica, ela abriu caminho para outros estilos, também ousados para a época, como os shorts “hot paints”, que têm uma modelagem mais curta trás e é encontrado até hoje nas lojas.

Por outro lado, a inovação por parte de alguns estilistas fez com que o futurismo fosse inspiração para a criação das roupas, com botas grandes acima dos joelhos, uso de cobertura plástica, associada com tons metálicos, sendo hits da época. André Courrèges desenvolveu uma coleção considerada uma revolução para a moda:  roupas de linhas retas, minissaias, botas brancas, além das roupas espaciais, metálicas e fluorescentes.

Para falar mais sobre a moda dessa época, foi entrevistada a redatora Izadora Peres, formada em cursos de extensão sobre Jornalismo de Moda e em Vitrinismo pelo SENAI Cetiqt que atualmente trabalha na área escrevendo sobre moda, beleza e empoderamento feminino no site Só Delas, apoiado por marcas da Johnson&Johnson. Além disso, conversamos com a estudante de Relações Internacionais Débora Alves que muitas vezes usa peças pertencentes à essa época.

Vestidos tubinhos criados por Saint Laurent. Reproduzido por: Fashionbubbles

“Muitas pessoas acreditam que o metalizado e o furta cor entraram nas nossas vidas por conta de uma moda motivada pelo sereísmo e unicórnios. A verdade é que essas tendências já existiam há bastante tempo, e elas só se atualizam para se enquadrar nos padrões dos dias de hoje”, comenta a jornalista de moda Izadora Peres.

Além do futurismo, alguns estilistas gostavam de apostar em estratégias de sucesso com a população. Saint Laurent criou os famosos vestidos tubinhos, que até hoje fazem sucesso com o público feminino e é uma peça chave no guarda-roupa de diversas mulheres. “Como os tênis estão se tornando uma peça extremamente valorizada, as meninas usam o ‘tubinho’, tendência dos anos 80, com uma peça que está em alta hoje. Isso só prova o mundo da moda vem mudando, antigamente precisávamos seguir um estilo correto para estar na moda, hoje não, o mix de tendências aplicadas em uma mesma composição traz um ar mais despojado para o look”, explica a especialista.

Moda dos anos 60 no Brasil

Cores e Estampas de influência espanhola. Reproduzido por: FashionBubbles

Nesse momento o país estava em crise econômica por conta de um desenvolvimento rápido que era sustentado por dinheiro externo. Fazendo com que suas roupas e estampas fossem inspirações de outros países. A moda era regida por influências espanholas e marroquinas quanto às estampas, as cores tinham semelhanças às flores e frutos e em sua maioria eram de palhetas quentes.

Com o passar do tempo, os brasileiros começaram a influenciar em questão de estampa a moda exterior, o café foi um grande aliado nessa conquista. As cores eram voltadas para as cores das sementes, vermelho-escuro, verde-vegetal e marrom. Nos estampados, estilizações deveriam sugerir moendas, cestos e peneiras, feitas por artistas como Ademir Martins, Volpi, Darcy Penteado e Heitor dos Prazeres, nomes da moda brasileira.

Roupas do movimento tropicalista – Reproduzido por: Fashionbubbles

Já no final da década acontece, na música, o movimento tropicalista, inspirado na Antropofagia dos anos de 1920, quando o conceito de devorar a cultura estrangeira se associa com a absorção das novas tecnologias, influenciando o mundo da moda, e na maneira que certo grupo social se vestia.

Imagem ilustrativa de roupas adpitadas dos anos 6o para os dias atuais. Reproduzido por Blogspot – 2.bp

Débora Alves, de 20 anos, nunca foi muito ligada em assuntos relacionados à moda. Porém, desde muito nova,  sempre acompanhou sua mãe, que é costureira, em seus trabalhos e foi assim que começou a entender mais sobre as tendências dos anos 60. “Minha mãe sempre teve muitas clientes de diversas idades, e uma vez, ela fez um vestido retro para uma senhora e eu me apaixonei por ele quando o trabalho estava acabado, foi amor à primeira vista”, relembra. Logo após esse primeiro contato, a jovem começou a pesquisar mais sobre o estilo da época e passou a aderir a diversas composições famosas em seu guarda- roupa.

Hoje, a estudante mistura peças da época com peças que estão em alta e afirma que só compra aquilo que está realmente precisando. “Passei por diversas mudanças e percebi que é possível sim mudarmos a maneira de fazer moda e de comprar roupas, basta você querer de verdade”. Superando suas próprias dificuldades, Débora mostra que a moda vai muito além de um simples consumo e que é possível mudar a vida de muitas pessoas através de um consumo mais sustentável.


Alana Luíza

 

Um comentário sobre “A moda que se reconstroi e volta dos anos 60 para a atualidade

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