Do mundo mágico à realidade: Disney encanta e transforma a vida de brasileiros

Personagens como Pato Donald, Minnie, Mickey, Pluto e Pateta compõem a própria realidade de magia e encantamento. Foto: Yasmin Thomaz

Personagens como Pato Donald, Minnie, Mickey, Pluto e Pateta compõem a própria realidade de magia e encantamento. Foto: Yasmin Thomaz

O maravilhoso mundo da Disney tem conquistado milhares de pessoas, ultrapassando fronteiras e oceanos ao longo das nove décadas desde que foi criado. Histórias, personagens, parques. Cada vez mais, o universo criado por Walt Disney aumenta seu alcance e inúmeras vidas são influenciadas por essa magia em todo o mundo, inclusive no Brasil, seja na realização do sonho de ir à Disney, na escolha do parque como cenário de casamentos, na eleição da profissão, nas relações interpessoais e até nos valores morais passados por seus filmes. Crianças e – por que não dizer – adultos se encantam com as princesas e heróis. Uma delas é a personagem do primeiro longa-metragem animado da história: a princesa Branca de Neve, que comemora 80 anos em 2017. Até mesmo o Brasil tem seu representante: Zé Carioca, o papagaio que acaba de completar 75 anos e inseriu o Rio de Janeiro no universo encantado.

Os brasileiros invadem a Disney todos os anos em busca deste encanto. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos confirma: em 2014, 768 mil brasileiros visitaram a terra do Mickey. Orlando foi eleito como o destino preferido, chegando a 1,2 milhão de brasileiros na Flórida inteira. Isso gerou a circulação de mais de 25,6 bilhões de dólares na economia americana. Este ano, a quantidade de turistas brasileiros que visitaram os parques aumentou e tudo indica que esse crescimento será contínuo, mesmo com a crise econômica (Os quatro parques temáticos do Walt Disney World). Na América Latina, o Brasil tem o maior mercado e ganha mais importância que outros países da vizinhança. A previsão da equipe do Walt Disney World Resort para 2018 é que haja ainda mais visitantes, principalmente pela nova área temática inspirada no filme “Toy Story”, com previsão de abertura ao público nas férias do meio do ano. Este mundo criado por Walt Disney e comandado por seu camundongo Mickey atrai gente de todas as idades e impacta diversas áreas e pessoas, basta se aprofundar na história de personagens da vida real.

Uma destas histórias parece roteiro de cinema. Era para ter sido uma viagem de lua de mel. Um homem e uma mulher animados, com vontade de visitar Walt Disney World juntos. O casamento foi caro e a viagem precisou ser adiada. Três anos depois havia chegado a hora, mas um convite de amigos mudou o rumo e, mais uma vez, não foram para Orlando. A chance seguinte de visitar as terras do camundongo foi cancelada com a chegada de uma pequena na família e, então, decidiram esperar para quando a filha crescesse. Passou-se um ano e meio e o casal se separou. A tão esperada viagem dos sonhos parecia não sair. Precisaram se passar mais seis anos para que eles se reaproximassem, ficassem oficialmente juntos e, finalmente, junto da filha, realizassem o sonho de visitar o parque da Disney. O que poderia ser história de filme, na verdade, é a vida da brasileira Beatriz Durlo.

Em 2017, aos 37 anos, ela conseguiu revisitar o parque que conheceu havia mais de duas décadas, numa excursão. Desta vez, foi com a família reunida: o marido, a filha, que festejou o aniversário de 8 anos, e os pais, comemorando o aniversário de casamento. “A sensação de finalmente conseguir realizar a viagem dos sonhos com a família é maravilhosa. Muita gratidão”. Ver a felicidade da filha superou qualquer outra que Beatriz pudesse sentir e ela lembra que foi muito especial. O enredo sobre tentativas de visitas ao parque começou em 2005, mas a Disney a conquistou desde pequena e sempre esteve presente na infância da paulista. Bruna se encantou ainda mais pela empresa por conta da viagem: “Acho um lugar mágico mesmo. Tem a capacidade de nos tirar da realidade por alguns dias”.

Não é difícil encontrar pessoas que tenham tido contato com o mundo Disney durante a infância, vivido momentos mágicos, aprendido valores e lições morais que levam para a vida adulta. Por meio do universo de filmes, livros, desenhos e parques, a Disney planta uma semente de magia em inúmeras crianças ao redor do mundo. Uma delas é do município de Paulina, interior de São Paulo. Fernanda Heloísa Salvi, hoje com 20 anos, teve a infância repleta de filmes, roupas e produtos da Disney. Ela se encantou pelo mundo mágico por conta do primeiro longa-metragem de sucesso, “Branca de Neve e os Sete Anões”. “Foi o primeiro filme de princesas a que assisti quando era criança e fiquei encantada”, diz Fernanda, que não sabe como explicar o motivo de gostar mais dessa princesa. Como os filmes refletem os valores da sociedade em um determinado tempo da história, mesmo que Branca de Neve seja a princesa preferida, Fernanda tem consciência de que o filme seria diferente caso estreasse este ano: “Se hoje em dia fosse lançado como ele é, iria causar um certo estranhamento. Afinal, ‘mulher não nasceu apenas para cuidar da casa’”.

Para a paulinense, a Disney tem uma maneira lúdica de mostrar os problemas encontrados na sociedade, colocando-os nos filmes e dando soluções. Nos filmes, quando personagens encontram dificuldades e sentem que não irão conseguir o que precisam, uma das soluções que a Disney insere nos filmes é o trabalho em equipe, com os amigos e família. Um exemplo que pode ser seguido pelo público que a assiste. Em comemoração aos 18 anos, ela, junto à família, vivenciou de perto a magia no Walt Disney World, o parque em Orlando. Com o planejamento que durou dez meses, a família passou doze dias por lá: “A experiência foi inacreditável. É um sentimento de sonho realizado, superação. Eu amei”. A família irá matar a saudade do parque chegando no primeiro dia de 2018 e aproveitar tudo o que puderem por vinte dias. “Estou muito ansiosa e feliz”.

Fernanda Heloísa, aos 18 anos, no Magic Kingdom, um dos quatro parques temáticos de Orlando. Foto: Arquivo pessoal

Fernanda Heloísa, aos 18 anos, no Magic Kingdom, um dos quatro parques temáticos de Orlando. Foto: Arquivo pessoal

Quem, além de estar no primeiro dia do ano, também vai passar o réveillon no parque de Orlando é a paulista de 25 anos, Bruna Spaolonzi. A primeira vez que esteve lá foi quando tinha apenas 5 anos e, embora lembre pouco, ainda se recorda do sentimento de ser uma princesa, como se estivesse dentro dos filmes, por conta da criação fiel dos brinquedos e das pessoas fantasiadas dos personagens. Na última vez que foi, em janeiro deste ano, o sentimento já era de nostalgia e amor. Atualmente, ela presta mais atenção aos detalhes no momento em que é atendida pelos Cast Members, como os funcionários são conhecidos. Mesmo já tendo visitado o parque cinco vezes, Bruna afirma que cada ida é uma sensação imensa: “Como a Disney sempre está se renovando, a emoção da viagem é tão incrível quanto a primeira vez mesmo”.

Mais do que a relação com o parque, o amor da mãe e da irmã mais velha pela Disney fez com que a infância de Bruna fosse repleta de mundo encantado. Foi em contato com os filmes que ela aprendeu valores morais como respeito, amor ao próximo e compaixão. “Aprendi a dar mais valor aos meus pais e a minha irmã, e que não preciso de um homem para ser ‘feliz para sempre’. Eu achava muito chato as princesas casarem com um cara que conheceram por um dia”. Foi esse contato que a fez acreditar que finais felizes são possíveis e a ensinou sempre ver o lado bom das pessoas, inspirada no filme a Bela e a Fera: “Se a Bela via o lado bom da Fera, por que eu não posso ver o lado bom das ‘feras’ da vida real? Talvez isso tenha seu lado negativo, porque eu sempre tive a inocência e acabei caindo nas mentiras de algumas pessoas, mas eu, com certeza, fui muito feliz sendo exatamente como sou: Disney maníaca”.

A irmã que incentivou o amor de Bruna pela Disney é Carla Spaolonzi, de 27 anos. “Não consigo lembrar da minha vida, especialmente da minha infância, sem os filmes e histórias da Disney”. Ela foi a todos os shows relacionados à empresa no Brasil, tinha todas as bonecas e vestia várias fantasias. Atualmente, Carla enxerga a organização representada pelo camundongo mais famoso do mundo como um modelo perfeito de empresa. Tão perfeita que foi na capela da Disney que, em 2015, ela se casou: “Quando percebi que estava casando na capela, com vista para o parque, e que, no dia seguinte, fizemos as fotos no Magic Kingdom ainda fechado, foi incrível, indescritivelmente emocionante”.

Por ser tão distante de casa, havia a preocupação se tudo sairia como o imaginado, mas ela não teve trabalho algum: “Tudo estava muito mais lindo do que eu jamais imaginei”. Embora tenha sido um sonho, os noivos que deram o primeiro passo para o “felizes para sempre” não sabiam da possibilidade de casar em Orlando. Carla não sonhava em trocar alianças na Disney, a ideia surgiu de uma conversa com a mãe, que comentou que ela e o noivo deveriam casar por lá. A reação dos dois foi de risada, mas após pesquisar sobre o assunto, o ponto de vista mudou: “Simplesmente nos olhamos e vimos como era a nossa cara”.

O preço do sonho pode ser adaptado à imaginação e ao bolso, claro. Na Flórida, a Disney oferece três pacotes de casamento: Memories, Escape e Wishes. O primeiro é o de menor custo, com direito a apenas quatro convidados, por 3.500 dólares. Os noivos que optarem pelo Escape podem convidar até dezoito pessoas, por 7.000 dólares. O pacote Wishes é para quem deseja ir ao infinito e além, tanto nos sonhos quanto no bolso, com direito à carruagem da princesa Cinderela para levar a noiva à cerimônia, com preço mínimo de 12 mil dólares e possibilidade de aumento, dependendo da escolha personalizada dos noivos.

Bruna e noivo em frente ao tradicional castelo da Cinderela, no parque temático Magic Kingdon. Foto: Arquivo pessoal

Bruna e noivo em frente ao tradicional castelo da Cinderela, no parque temático Magic Kingdon. Foto: Arquivo pessoal

Um paulista que sonha em algo parecido é Gustavo Favaro, 22 anos, que cresceu assistindo aos filmes e diz ter a própria formação influenciada pelos personagens. Ele esteve no parque por duas vezes e, mesmo sem estar em um relacionamento sério, tem certeza de que fará o pedido de casamento no parque da Disney. Foi com o universo do Mickey que aprendeu a valorizar mais as pessoas, e hoje o sentimento pela empresa é de gratidão: “É quase um sentimento de estar devendo algo a eles. Eu quero fazer parte da equipe da Disney, ajudar a fazer com que outras pessoas tenham essas experiências positivas, iguais às que eu tive”.

Isso é o que a Disney deseja: superar expectativas. Mas como uma empresa consegue exceder expectativas quando é conhecida mundialmente por ser um lugar mágico para as pessoas passarem as férias? O segredo é saber o que os visitantes querem encontrar e, principalmente, atentar aos detalhes. Quem já participou do trabalho e da organização da recepção ao público é a mineira Ana Novais, que trabalha com esse mundo desde 2005. Quando tinha 15 anos foi ao Disneyland Paris, o parque da Europa, e ficou encantada, mas, mesmo assim, o lugar em que ela sonhava ir era o famoso parque de Orlando. Cinco anos depois, descobriu que era possível trabalhar na Disney e isso se tornou seu objetivo de vida.

Ana decidiu fazer o processo seletivo e quando foi selecionada, participou da Disney University, a universidade que passa os valores, o modo de atendimento e a cultura da empresa para quem vai fazer parte dos bastidores do parque. Hoje, aos 32 anos, é especialista em Disney e já foi uma Cast Member no Walt Disney World por três vezes. Para ela, é difícil explicar o amor por esse mundo encantado: “Quando estou lá é quando eu me sinto em casa. Não dá vontade de ir embora de lá nunca”. Entre as melhores experiências que Ana já teve estão os Magical Moments: ações inesperadas e bondosas que os membros do elenco fazem para surpreender ainda mais o público, como criar o encontro de uma criança com o personagem que ela mais deseja.

A bagagem de experiência e conhecimento sobre o parque em Orlando cresceu tanto que Ana se tornou referência em informações e dicas entre os amigos e a família: ajudava no planejamento e roteiro das viagens. Foi assim que há três anos surgiu o site Disney Guia, com o objetivo de ajudar famílias brasileiras a planejarem a viagem para Orlando. Hoje, Ana Novais também gerencia a página no Facebook, com cerca de 250 mil curtidas, Instagram e YouTube, se dedicando a elas aproximadamente quatro horas por dia. Os momentos que fazem o trabalho valer a pena são simples: “Me sinto muito realizada quando recebo comentários dizendo que minhas dicas fizeram a diferença na viagem da família”.

Para se tornar criador de conteúdo na internet sobre o mundo de magia não precisa de muitas viagens. Lucas Neves nunca foi a Orlando, mas faz parte do site O Camundongo, composto por dez pessoas encantadas pela Disney, com diferentes formações acadêmicas e diferentes naturalidades, há integrantes desde o Acre até o Rio Grande do Sul. Ao longo dos anos, conforme a equipe e os leitores cresciam, o projeto deixou de ser uma mera brincadeira e ganhou forma mais profissional, passando por diferentes fases. “Enquanto houver um leitor nos acompanhando, nós continuaremos seguindo em frente e fazendo o nosso melhor”, diz o editor-chefe. Atualmente, a equipe leva um conteúdo mais aprofundado e focado para pessoas quem amam o universo Disney.

“Todos nós vivemos em uma realidade um tanto metódica, mas também precisamos de sonhos e fantasias para nos desligarmos um pouco das responsabilidades do cotidiano. Conseguir mesclar os dois lados é como ter o melhor de dois mundos”, diz Lucas. O site também busca levar um pouco de magia para os leitores com algo positivo, como um refúgio em meio ao caos, às tragédias e às polêmicas presentes nas redes sociais. O encantamento que a Disney gera em grande parte do público surge, na maioria das vezes, na infância, quando as crianças são apresentadas aos personagens e aos filmes. Para Lucas não foi diferente:  “A Disney foi responsável por diversos momentos mágicos da minha infância, assim como de todos os membros da equipe”.

O casal de camundongos Mickey e Minnie faz sucesso nos desenhos e encanta grande parte do público. Foto: Yasmin Thomaz

O casal de camundongos Mickey e Minnie faz sucesso nos desenhos e encanta grande parte do público. Foto: Yasmin Thomaz

A existência do site O Camundongo exemplifica o quanto a Disney é capaz de participar da vida das pessoas e influenciá-las de alguma forma, sejam crianças ou adultos. Não é preciso muita procura para encontrar crianças fantasiando sobre esse universo. Basta observar na família ou nos grupos de amigos para perceber quantas pessoas tiveram contato com esse mundo de fantasia na infância. Segundo a psicóloga Patrícia Alcantra, é comprovado que a Disney tem poder de influência no público, assim como qualquer meio de comunicação. “Ela pode mudar o perfil da criança e pode ter consequências para a vida adulta, mas tudo vai depender de como ela irá absorver aquela informação”, diz a psicóloga.

Os filmes passam mensagens de valores morais e as crianças se identificam, criam uma projeção e absorvem como um ideal a ser seguido. Dessa forma, começam as brincadeiras de imitar personagens e a procura por alcançar o que o personagem conquistou. O mesmo filme pode gerar influências diferentes, variando de criança para criança, de idade e de personalidade de cada uma. Uma possível situação pode ser sobre o filme Mulan, que mostra uma jovem que foge de casa e vai à guerra no lugar do pai para protegê-lo: isso pode influenciar uma criança a proteger os pais, dar mais valor à família, ou, por conta das lutas da guerra, a ser mais agressiva. A psicóloga explica: “Quando uma criança ainda não tem uma personalidade muito forte e ainda está se construindo como pessoa, há mais chances de ela ser mais influenciada e seguir o que a maioria faz”.

Cabe aos pais dosar e mediar esta relação. O contato das crianças com o universo Disney, aliás, na maioria dos casos, parte dos pais. Em Rio das Ostras, município do Rio de Janeiro, uma menina já está destinada a conhecê-lo. Heloísa ainda nem nasceu, mas a mãe Marianna Lischt faz questão de apresentar esse mundo à nova princesinha que irá chegar e fazer companhia ao filho Isaac, de 4 anos. Desde que Marianna soube que seria uma menina, surgiu a ideia de fazer uma sessão de fotos de gestante com tema Disney, já que esse universo a encantou principalmente há dois anos, quando entrou para o grupo de canto Disney Singers Brazil: “No momento em que comecei a cantar, vi que as mensagens das músicas e dos filmes eram lindas”. Nesse período, Marianna estava doente, em depressão, e a Disney a ajudou nesse período complicado. Hoje, aos 26 anos, no grupo de canto, ela tem quase três mil seguidores, que escutam as versões das músicas na voz dela, e já teve oportunidade de cantar com Kika Tristão, dubladora da personagem Pocahontas.

Marianna Lischt com fantasia da princesa favorita, a sereia Ariel. Foto: Indiana Cedraz

Marianna Lischt com fantasia da princesa favorita, a sereia Ariel. Foto: Indiana Cedraz

Separados por mais de mil quilômetros, o jovem curitibano Thiago Müller, 18 anos, tem uma relação bem parecida à de Mariana com a Disney. Assim como a princesa favorita também é a sereia Ariel, ele também já conseguiu superar momentos difíceis com a ajuda do mundo mágico. Thiago perdeu um ano no colégio por ter sido internado por depressão e a Disney o ajudou: “Ela nos dá uma ideia de esperança, mesmo que inconsciente, de um mundo melhor”. O amor que ele diz ser incondicional pela empresa faz com que ele, há cinco anos, tenha a própria coleção: há CDs, filmes, bonecos, livros, entre outros, chegando a cerca de 700 itens.

Thiago conseguiu superar uma doença com ajuda do mundo criado por Walt Disney e aprendeu valores que a empresa busca passar para o público. A coordenadora de Marketing, Laura Storni, teve oportunidade de trabalhar na Disney Brasil, mesmo nunca tendo pensado em atuar para a marca, apesar de amá-la, e permaneceu por dois anos. Ela conta que, por grande parte do público ser formado por crianças e jovens, existe a preocupação em transmitir conteúdo nos filmes e canais de TV que ajudem no dia a dia das pessoas: “Um exemplo é o filme “Divertidamente”, lançado em 2015, que trouxe em questão a importância da tristeza na vida das pessoas. Nos canais também vemos programas que mostram a importância da amizade para as crianças”.

O diferencial de se trabalhar na empresa criada por Walt Disney, comparada a outras do mercado, segundo Laura, é fazer parte da equipe de uma instituição que é forte e faz parte da vida de muitas pessoas. “A melhor experiência para mim foi ter a chance de dividir o espaço de trabalho com muita gente boa e que faz a magia acontecer todos os dias, além de poder trabalhar com pessoas e filmes dos quais eu era fã”, lembra ela.

A marca Disney é tão forte que consegue enraizar valores que são passados nos filmes. O cearense de 24 anos, Juan Victor, carrega consigo as mensagens que aprendeu: ser gentil, mesmo que a situação não favoreça; enxergar que para ser uma família basta estar junto e haver amor; tratar todos de forma igual e não querer mudar quem realmente são. Para Juan, pelos filmes serem animações, muitas pessoas não dão valor às histórias e às mensagens, porém é justamente isso que chama atenção dele: desenhos que têm lindas mensagens, que cada pessoa tem uma maneira diferente de interpretar. “A partir do momento em que você se apega ou se identifica com um personagem, você se coloca no filme, consegue se ver lá, e até mesmo associar algo do filme ao mundo real ou a alguma situação com sua própria vida, mesmo que no filme existam seres mágicos e magia”.

Correr atrás dos sonhos e não deixar de acreditar são as principais mensagens deixadas pela empresa, independentemente do momento que a sociedade esteja vivendo durante o lançamento de um filme. Já são 80 anos desde o primeiro longa-metragem, “Branca de Neve e os Sete Anões”, e que, pela inovação de arriscar em algo que nenhuma empresa havia feito, rendeu um Oscar honorário para a Disney. Foram muitos avanços tecnológicos, mas as máquinas não interferiam no perfil das personagens, que são interessantes e capazes de prender a atenção do público, visto que o filme da primeira princesa do mundo Disney motivou aplausos da maioria dos críticos. Para Juan, a Disney sempre acompanhou o momento que a sociedade vive para a criação de seus personagens: “Vemos personagens femininas fortes, até as primeiras princesas são assim, se considerarmos a época em que o filme foi feito. Isso vem aumentando”.

Uma das personagens femininas de personalidade forte é Pocahontas. O filme, lançado em 1995, conta a história de uma índia que enfrenta tanto o pai quanto imigrantes para passar uma mensagem a favor do amor, contra o preconceito e ódio. Na terra que já foi apenas de índios, a paulista Fernanda Souza traz para a realidade a caracterização da personagem, prática popularmente conhecida como cosplay. A ideia surgiu de tanto as pessoas dizerem que ela se parecia com a personagem. E bastou uma oportunidade para ver como ficaria caracterizada. O que começou em festas da faculdade se tornou trabalho como personagem vivo em festas.

Fernanda Souza caracterizada da personagem Pocahontas. Foto: Jenniré Narváez

Fernanda Souza caracterizada da personagem Pocahontas. Foto: Jenniré Narváez

Aos 23 anos, ela afirma que mesmo quem se considera maduro e que já passou da idade para gostar de animações precisa admitir que as histórias não são puramente para passar tempo de criança. “Me manter nesse universo seria uma forma de nunca deixar aquela criança interior ir embora”, diz Fernanda. O ponto em que a empresa vem acertando é a produção de remakes de sucessos de décadas anteriores, na versão live actions, ou seja, atores reais para interpretar personagens que nasceram na animação, como o lançamento deste ano de “A Bela e a Fera”, com a atriz Emma Watson, recontando a animação criada há 26 anos. Fernanda acredita que o sucesso surge da nostalgia que esses filmes causam nos adultos, somada à novidade para as crianças.

Como fã, ela coleciona 13 bonecas de princesas e, para concluir a faculdade, escolheu o tema do trabalho de conclusão de curso relacionado à empresa. Entretanto, antes de entrar para o Ensino Superior, quando fazia curso de vestibular, o contato com histórias da Disney aumentou por ser um ano difícil, e, a partir daí, surgiu a coleção de DVDs, para poder assistir sempre que quisesse ou quando estivesse triste. Mas Fernanda é apenas uma de várias pessoas que conseguem apoio no mundo mágico da Disney.

Muryllo De Nile teve um ponto de virada na vida por conta das mensagens dos filmes. Ele passava por dias difíceis: o término de namoro veio junto da demissão do emprego, uma temporada em que nada parecia dar certo. Muryllo passou a ficar apenas em casa, assistindo à televisão, até que começou a comparar a situação da vida real com o enredo dos filmes de princesas e heróis: “Eles não ficam se lamentando, eles dão a volta por cima, sozinhos ou com ajuda de amigos. Todos vão atrás dos seus sonhos, seus objetivos, e era o que tinha que fazer também”. Atualmente, aos 28 anos, ele trabalha e está no 4° semestre da faculdade, correndo atrás do próprio final feliz, assim como nos filmes.

A construção e a valorização de uma identidade, com alguma medida infantil, é reforçada pela dinâmica da própria experiência na Disney, como defende o sociólogo Franklin Emygdio. A empresa conseguiu impactar uma geração específica com os primeiros filmes e, ao passar dos anos, o amor criado por ela foi passado às gerações seguintes. Isso gerou impacto sobre o que é considerado infantil, para o mundo mágico também atender aos adultos, que nada mais seriam do que aquelas crianças que amavam a empresa na infância. O sucesso do mundo encantado é tanto que há produtos de diversos segmentos, como brinquedos infantis, roupas, objetos de decoração, material de estudo, filmes, entre outras áreas do mercado, que trazem o tema Disney.

A massificação do consumo possibilitou esse cenário contínuo, porém, é preciso estar atento: “O excesso desse cenário pode acarretar dificuldades variadas de sociabilidades frente aos desafios da vida adulta”, explica o sociólogo. O amor pelo mundo de magia e encantamento pode ser uma grande admiração, em que há o reconhecimento de algo, mesmo que não se tenha acesso, ou em casos extremos, pode se tornar uma obsessão, em que o indivíduo não consegue viver com naturalidade sem um determinado produto ou sensação.

Na vida do paulistano Muryllo, o contato com a fantasia o ajudou mudar a vida para melhor: “Disney faz parte da minha história nos melhores momentos e nos mais tristes. Sempre esteve junto, seja uma lembrança de um trecho de filme, uma pelúcia, uma canção”, lembra. Da mesma maneira que Muryllo compartilha momentos mágicos com o irmão Myguell Fazanaro, de 19 anos, ele deseja também transmitir a magia Disney para um futuro filho, para assistir aos filmes e apresentar tudo desse universo.

Isso é algo que Filipe Rhein faz com o filho de 5 anos, que já ama o mundo da Disney. Eles assistem aos filmes juntos, principalmente o Rei Leão, o favorito de Filipe, que o marcou pelo personagem principal perder o pai quando criança, sendo o caso na vida real do paulista de 30 anos. Assim, ele se identifica bastante e se espelha como pai. O professor acredita que a empresa faz com que muitas pessoas, de diferentes idades, se encantem por conta da mensagem da busca pelos sonhos. “Eu sempre curti a ideologia Disney, em que sonhos se transformam em realidade. É como a frase do Walt Disney, ‘se você pode sonhar, você pode fazer'”. Assim como a paulista Fernanda Souza diz que se aproximar desse universo seria uma forma de manter a criança interior viva, Filipe decidiu também eternizá-la em uma tatuagem e registrou na pele a ideia passada no filme do “Peter Pan”, para lembrar a criança que vive dentro do adulto: “Never grow up“.

Influenciar na formação da personalidade de uma pessoa é uma enorme responsabilidade e a Disney sabe disso. Mas a parceria com os pais é fundamental. A personalidade de uma pessoa é construída até os 5 anos de idade, de acordo com os conteúdos externos, ou seja, é nesse período que há mais influência na construção da personalidade e na maneira como a pessoa vai se relacionar com o mundo. Em grande parte, esse grau depende de como o responsável pela criança ensina a lidar com o universo lúdico da Disney. Conforme ela cresce, o lúdico vai sendo trazido para a realidade e, caso não haja maior cuidado com essa relação, como o responsável adulto não conseguir criar um limite, pode gerar o que a psicologia intitula de Síndrome da Cinderela ou Síndrome do Peter Pan.

A síndrome, com o nome ligado a personagens da Disney, é conferida a adultos que não conseguem se afastar da infância e, assim, não desempenham as responsabilidades com sucesso em seus trabalhos e vida pessoal. Para a psicóloga Cristina Linhares, é importante ter atenção durante a infância, pois caso não seja bem conduzida, da forma adequada, há consequências para a vida adulta. A aproximação do mundo de fantasias pode acontecer por uma carência emocional, embora não seja em todos os casos: “Se essa criança ou pré-adolescente se fixar no universo Disney encarando-o como realidade, é porque na base houve alguma carência, falta de presença de pai, mãe, ou uma figura com que a criança deveria se identificar”. Mas não há como generalizar. As pessoas não são fãs dos desenhos apenas por fugirem da realidade. A psicóloga afirma: “Eu gosto dos filmes da Disney porque acho bonitos, bem feitos e trazem histórias legais”.

Os filmes geram magia e encantamento no público e levam mensagens que cativam o coração de quem os assiste. Conforme os anos passam, adultos sentem falta do sentimento da infância e muitas são as formas de manter a criança interior viva, e até mesmo de passar a magia Disney para novas gerações. Luiz Roberto é um jovem que há três anos ajuda a criar momentos mágicos a serem eternizados na memória dos pequenos. As festas de aniversário que Luiz teve na infância, até os 7 anos, tinham como tema o universo Disney e, 17 anos depois, formado em Publicidade, ele está do outro lado: trabalha na empresa de animação de festas infantis que ele mesmo criou. “Larguei todas as propostas de trabalho para trazer um pouco de Disney para o Brasil com minha agência”, diz o jovem de 24 anos.

Por fim de semana são no mínimo duas festas, e a equipe, composta apenas de fãs, também ensina às crianças, além de brincadeiras, os valores presentes nos filmes da Disney. A intenção de passar a magia às outras pessoas não se limita a festas infantis. Além de levar personagens nas festas remuneradas, a equipe também faz visitas a hospitais de crianças com câncer, orfanatos e ajuda em arrecadação de brinquedos. Para tomada de decisões, Luiz questiona o que Walt Disney faria: “Tenho o próprio Walt Disney como exemplo de vida! Eu vivo, respiro e trabalho Disney”.

Embora seja totalmente envolvido com esse universo, Luiz nunca foi ao parque Walt Disney World. A primeira vez seria em 2017, mas por investir em fantasias do Mickey e da Minnie importadas de Orlando, para melhorar a própria agência, precisou adiar a viagem dos sonhos para conseguir ter mais condições financeiras no futuro. A paixão por este mundo é tanta que, aos 20 anos, Luiz fez uma tatuagem no pé em homenagem ao personagem Woody, do “Toy Story”. Lançado em 1995, foi o primeiro filme de animação totalmente computadorizado, realizado pela inauguração da parceria entre a Walt Disney Pictures e a Pixar Animation Studios.

Tatuagem na sola do pé de Luiz, em homenagem ao personagem Woody, do filme Toy Story, que tem o nome do dono na sola da bota. Foto: Arquivo pessoal

Tatuagem na sola do pé de Luiz, em homenagem ao personagem Woody, do filme Toy Story, que tem o nome do dono na sola da bota. Foto: Arquivo pessoal

“Toy Story” conquistou e ainda ganha muitos fãs até os dias de hoje. O filme conquistou Leonardo, autista moderado, verbal, de 18 anos. A mãe, Marisa Gimenes, conta que os personagens favoritos do filho são dessa animação, e aos 3 anos de idade Leo já começava a desenhar. Quando assistia aos filmes, se interessava pelas informações de storyboard e iniciava as ilustrações. Atualmente, a coleção de desenhos e telas cresceu e Marisa criou uma página no Facebook para mostrar o trabalho do filho autodidata. “É maravilhoso ver que ele faz desenhos incríveis. É uma forma de ele ocupar a mente, e a Disney, de certa forma, o ajuda a sair um pouco desse mundo tão fechado do autismo”.

Desenho do personagem Buzz Lightyear, do filme Toy Story, feito por Leonardo Gimenes. Foto: reprodução

Desenho do personagem Buzz Lightyear, do filme Toy Story, feito por Leonardo Gimenes. Foto: reprodução

Não é difícil conhecer pessoas que começaram a desenhar inspiradas no mundo Disney. O fluminense Isaque Arêas, com os pais apaixonados por animações, cresceu assistindo aos filmes e começou a desenhar quando era pequeno, copiando capas da Disney. Hoje, aos 24 anos, ele trabalha com ilustração, e a quantidade de desenhos cresceu tanto que ele divulga em uma página no Facebook, com mais de vinte mil seguidores, diversas ilustrações de personagens, inclusive como as princesas seriam com a aparência da idade atual. “Eu acredito que a Disney moldou uma parte do meu caráter por conta das lições que havia em cada filme e porque meus pais sempre conversavam comigo sobre as mensagens”.

Apaixonado pelas histórias, em outubro deste ano, Isaque fez o pedido de casamento inspirado na Cinderela, a princesa preferida da noiva Marcela de Castro. O pedido foi planejado com antecedência e ajuda tanto dos amigos quanto da família: enquanto os amigos eram responsáveis por dizer em um vídeo os motivos pelos quais ela deveria se casar com Isaque, a avó, assim como a Fada Madrinha, costurou um vestido azul, inspirado na princesa. Para representar o sapatinho de cristal, Isaque comprou um tênis metálico. Na noite de um domingo de outubro, era a hora do show: no retiro da igreja, no meio do culto, Isaque havia combinado com o pastor de fazer o pedido. Em uma sala reservada, a avó fez o papel de Fada Madrinha: disse a Marcela que ela precisava provar o vestido azul antes do término do culto, com a desculpa de que sairia mais cedo. Quando voltou, no telão passava o vídeo dos amigos. Ao fim, ele foi em direção a sua princesa com o tênis para calçá-la. Enfim, os dois tornaram-se noivos. Isaque diz que a Disney é presente em grande parte da vida: “Significa muito para mim, para minha família e para quem sou hoje”.

Ilustração da princesa Branca de Neve. Crédito: Isaque Arêas

Ilustração da princesa Branca de Neve. Crédito: Isaque Arêas

Já no estado ao lado, em São Paulo, Caíque Garroti, por conta da Disney, desenvolveu o gosto por musicais, e esse é um dos pontos mais esperados por ele em novos filmes. Caíque também foi incentivado a desenhar por causa da empresa e até hoje tem o sonho de trabalhar com ilustrações e música, melhor ainda se for com a própria Disney. “Anualmente, o meu gosto pela Disney só cresce, e sempre fico no aguardo para ver qual será o próximo filme ou desenho a ser lançado!”, exulta o publicitário de 31 anos. A primeira vez que pôde ir ao Walt Disney World foi em 1998, quando passou o ano novo em um dos parques aos 12 anos. Em 2015, ele conseguiu revisitar o local, mas ainda pretende ir muito mais vezes.

Desenho do Mickey Feiticeiro, lançado em 1940. Foto: Caíque Garroti

Desenho do Mickey Feiticeiro, lançado em 1940. Foto: Caíque Garroti

A carioca Gabriella Adami já foi três vezes ao parque. Aos 16 anos, Orlando foi a primeira viagem internacional, onde vivenciou experiências que ficarão guardadas na memória: “Melhor viagem da vida”. A emoção de estar no mundo da Disney era tanta que lágrimas transbordavam dos olhos. “Quando você entra no parque, nem lembra no mundo exterior. Você não vê as pessoas sentadas mexendo no celular. Parece que entrou num mundo alternativo, as pessoas são educadas, e não são apenas os funcionários, as pessoas se transformam”, ela lembra. A última viagem para a Disney foi este ano, aos 20 anos, sozinha, sem amigos e sem família, apenas ela e o mundo Disney: “Não me arrependo, foi a melhor coisa que eu fiz. É muito mágico”. O medo da tristeza aparecer por não estar em um grupo existia, mas Gabriella conseguiu aproveitar sem problemas: “A Disney sempre está ali para ajudar, você não passa por dificuldade, não se preocupa com nada, é muito tranquilo”.

Mesmo gostando da experiência de estar sozinha, ela não recomenda que façam isso na primeira viagem, pelo fato de os visitantes precisarem saber como andar por lá, além de dicas, como quais brinquedos têm lugares sozinhos. Embora goste de viagem em grupos, ela considera que excursão limita a viagem dos visitantes: “Com excursão o horário é limitado, o número grande de pessoas no mesmo grupo também dificulta e torna o passeio mais longo”. Nos meses de férias, o tempo em filas é grande e prejudica quem tem vontade de conhecer tudo. Entretanto, para quem deseja viajar pela primeira vez com um planejamento prévio, contratar agências de turismo é uma opção. Segundo o agente de viagem, Ronnie Flávio, as pessoas podem criar uma viagem personalizada, escolhendo os lugares de visitação, como também podem escolher pacotes prontos, destinados aos meses de férias, formados a partir da preferência da maior parte do público. O que encarece a viagem para a Disney é o ingresso para o parque: “Há diárias de hotel da Disney mais baratas que hotéis do Nordeste”, diz o agente de viagem.

Mesmo que grande parte dos pacotes de viagens seja destinada aos meses de Janeiro e Julho, a maior parte do público procura ir à Disney em Março e Abril, por ser época de baixa temporada. Pessoas de todas as idades desejam conhecer as terras do Mickey e, levando em conta o fato de ser uma viagem internacional, segundo Ronnie, o tempo de antecedência considerado bom é de seis meses. “Viagem é antecipação, quanto mais cedo o planejamento, melhor”. Quem contrata agência de turismo precisa se preocupar apenas com o visto para a viagem internacional, que não demora a ficar pronto, mas é importante ter a aprovação antes de comprar a viagem. Em 2013, Ronnie deu à irmã como presente de 15 anos uma viagem para a Disney e considera o lugar mágico: “As pessoas são muito solícitas”.

Sendo em grupo ou sozinho, quem está nos parques da Disney tem a mesma visão: “A sensação que você tem quando vai para Orlando é que elas realmente amam trabalhar naquele lugar e defendem a empresa Disney. Nunca conheci uma empresa que conseguisse fazer isso”, explica Gabriella, que tem o sonho de fazer parte dos bastidores que criam momentos mágicos para os visitantes. Isso é algo que Amanda Gramazio já experimentou. Aos 23 anos, já ultrapassa dez visitas ao parque, se somadas todas as vezes em que esteve por lá. Além de visitação, também trabalhou por oito meses, por dois programas de intercâmbio, sendo no último uma representante cultural do Brasil no Magic Kingdom, o parque com o icônico castelo da Cinderela.

“Eu planejei minha vida toda para trabalhar na Disney e esses programas foram o primeiro passo. Foi incrível me mudar para lá e é maravilhoso poder criar a magia, estar do outro lado”, diz a Amanda. A Disney a influenciou a escolher o curso de Turismo e atualmente pretende fazer pós-graduação em entretenimento fora do Brasil. O primeiro trabalho foi no parque, aos 20 anos, e Amanda diz ser uma empresa muito diferente: “Saí de lá acostumada a tratar o turista e ser tratada como funcionária de uma maneira que não é tão comum no mercado. Eles reconhecem a importância do funcionário, do trabalho em grupo e fazem as regras valerem para todos. Foi o que senti mais diferença se comparado às outras empresas em que trabalhei”.

Outra jovem que teve oportunidade de trabalhar em Orlando foi Renata Caruso, que voltou em setembro deste ano, da segunda vez em que trabalhou nos parques. Ela afirma que a emoção em tirar fotos com personagens continua a mesma, embora outras questões sejam vistas de outra forma: “Na hora de prestar atenção no atendimento, ficamos muito mais exigentes. Sabemos algumas coisas que, por exemplo, para um guest normal é incrível, mas para nós não é mais que a obrigação do cast member”. O último dia das duas vezes em que trabalhou na Disney foram marcantes pelo carinho dos visitantes e das amizades que criou por lá: “Esses dois dias foram surreais, de verdade, me emociono até de contar para as pessoas”. Atualmente, ela trabalha em uma agência de publicidade que gerencia páginas da Disney na internet e, assim, ela mantém algum contato com o mundo Disney no trabalho.

Renata Caruso ao final do programa de intercâmbio. Foto: Arquivo pessoal

Renata Caruso ao final do programa de intercâmbio. Foto: Arquivo pessoal

Quem confirma a ligação forte que se cria entre quem é cast members é Bruna Furlan, que é apaixonada pelo lado corporativo da Disney desde os 15 anos, na primeira visita ao parque. Ela sonhava conhecer o local desde os 6 anos, ao assistir propagandas do maravilhoso mundo de Disney das fitas VHS. Na primeira vez dela como cast member, a equipe se tornou uma família e todos se veem praticamente uma vez por mês. “A experiência toda é incrível, o trabalho, os amigos, os benefícios de entrar e sair dos parques quando quiser, as festas, tudo. Trabalhar para Disney é um conjunto de coisas incríveis”. Hoje, aos 23 anos, acha fantástica a forma como a empresa consegue manter padrões de qualidade. É com o alto grau de qualidade que a Disney impacta tantos visitantes e constrói boas memórias para os convidados.

Diego Sprouse pôde ter contato com a qualidade do atendimento dos cast members. Fã da Disney desde 2 anos de idade, ele planejou por um ano e meio a viagem para o lugar dos sonhos. Foi em 2014, junto de três amigos, que teve a primeira viagem de avião, a primeira viagem internacional e a primeira viagem para a Disney de uma única vez. “Foi uma sensação maravilhosa. Era meu dia, meu sonho, minha realização”, diz Diego ao lembrar de quando chegou ao parque e viu o castelo da Cinderela, a imagem que mais representa o parque em Orlando. Em casa, ele coleciona filmes e livros, além de 47 bonecos importados. O contato com esse mundo mágico fez Diego acreditar que os sonhos podem se realizar: “Eu cresci acreditando que o mundo era apenas um conto de fadas. Claro que depois descobri que não era bem assim, porém ainda acredito em contos de fadas e felizes para sempre”, diz o carioca de 26 anos.

Diego na primeira viagem da Disney, em 2014 Foto: Arquivo pessoal

Diego na primeira viagem da Disney, em 2014. Foto: Arquivo pessoal

Em Salvador, uma jovem de 21 anos também sempre foi apaixonada pelo mundo encantado criado por Walt Disney. Camilla Maia, aos 4 anos de idade, já conseguiu visitar o parque e ainda hoje consegue lembrar como ficou encantada com tudo, acreditando na magia: “Tudo foi mágico e eu amei”. Depois retornou aos 11 anos, quando já sabia inglês o suficiente para falar com as princesas, que se juntaram para dançar com ela uma música do filme “High School Musical”: “Foi muito incrível”. Dez anos depois ela fez a última visita, aos 21 anos, e conseguiu ter outra visão do parque, por conta da idade. Mesmo que tenha deixado de ser criança, ela não deixou de acreditar em valores que aprendeu com a empresa e que a influenciaram no modo de enxergar as situações e de viver: “Eu acredito piamente que todos os sonhos podem se realizar. Esse é um pensamento que pode até ser considerado meio infantil e ingênuo para uma mulher de 21 anos. Mas sempre tento enxergar o melhor nas pessoas, mesmo aquelas que já me machucaram”. Atualmente, Camilla faz cosplay de duas princesas e tem planos para conseguir de todas.

Ao contrário de Camila, um jovem de Brasília, de 27 anos, nunca conseguiu ir à terra do Mickey Mouse, mas tem planos para 2018. O desejo de Jhonny Leite surgiu de uma admiração desde criança pelas produções Disney e pela forma que as histórias são contadas. Jhonny diz ser por causa disso que nasceu sua paixão pelo cinema e que ele se descobriu como escritor. “A Disney sempre fez parte da minha vida e teve um papel fundamental na formação do meu caráter”. Os personagens criados por ele são inspirados em personagens da Disney e já perdeu a conta de quantos já criou. O jovem escreveu fantasia, policial, romance e atualmente trabalha numa distopia, que deve ser o primeiro a ser publicado.

As histórias já ajudaram não só o brasiliense a se descobrir na vida, como também o mineiro de 21 anos, Daniel Estanislau. Ele já se apoiou em diversos momentos difíceis da vida nos filmes da Disney. “Duvido que eu seria quem sou hoje sem essas influências”. Se considerando uma pessoa solitária, ele revela que as histórias o fizeram acreditar em magia e que embora haja dificuldades, sempre existe algo bom. Muitas amizades que Daniel fez têm ajuda do mundo mágico, inclusive conhecer o melhor amigo ao interpretar um dos personagens da Disney para o curta de um trabalho em cinema. Além de apreciar os filmes, Daniel também participa de um grupo de canto há cinco anos e grande parte dos trabalhos é relacionada à Disney. Isso faz com que a empresa esteja presente em diversas áreas de sua vida, tanto pessoal quanto profissional.

Não muito longe dali, em Goiânia, a vida profissional de Frede Antonio mudou com as mensagens dos filmes. O jovem de 20 anos aprendeu sozinho a fazer esculturas com biscuit. Isso já tem um ano e meio, mas Frede sempre teve receio de mostrar o próprio trabalho para outras pessoas, receoso em saber o que poderiam falar a respeito. Quando passou a ter atitudes dos personagens como exemplo, o cenário mudou: “Tanto a Rapunzel quanto a Elsa tinham que esconder o que tinham de especial por causa dos outros, e a libertação de ambas foi um meio de me libertar e ter coragem para mostrar quem eu sou de verdade”. Atualmente, ele utiliza o Instagram para divulgar a produção e todos são voltados para vendas.

Frede não foi o único a se inspirar em Elsa, a personagem principal do filme. João Paulo Barbosa, 24 anos, é apaixonado por “Frozen” e, para dividir a mesma paixão que sentia com outras pessoas, criou uma página no Facebook que hoje tem mais de duas mil curtidas. O amor pela Disney acompanha João desde a infância e, conforme os anos passam, ele só percebe essa admiração crescer. “Uma frase que amo é que ‘você nunca será velho demais para a Disney’. Um dos meus maiores sonhos é poder ir ao parque”. Os fãs que algumas pessoas classificam como velhos demais para gostar desse universo, ou que não deveriam gostar por ser um mundo considerado feminino demais, não compreendem o motivo do julgamento.

Em Pernambuco, uma das pessoas encantadas é Darlisson Soares. Embora tenha 14 anos e algumas pessoas considerarem idade limite para ser fã da empresa, ele escuta uma vez ou outra que gostar dos filmes é ‘coisa de menina’: “Muitos têm mente fechada para compreender os filmes da Disney”, diz ele. Na infância, enquanto outros meninos assistiam a animes, animações do Japão, ele assistia ao Mickey, por considerar fantástico. “Independentemente de assistir à maioria de filmes e desenhos da Disney, não sou gay, e não vejo problemas em quem seja. As pessoas costumam dizer que a Disney desenvolve apenas desenhos e filmes dedicados para as meninas, mas o que vai me definir não será o que eu assisto, certo?”.

Darlisson e muitos fãs esperam por mais filmes, para que possam admirar e se encantar ainda mais por todo esse universo criado por um americano sonhador nos anos 20. A influência e a mudança que gera nas pessoas é transformadora e, certamente, para a vida toda. Os brasileiros, independentemente dos estados em que vivam, tiveram e continuam tendo, todos os anos, momentos mágicos graças ao mundo de Walt Disney. Assim como o Brasil, o mundo foi conquistado por personagens que levam alegria e entretenimento ao público não só na infância, mas para a eternidade.

Bonecos da Disney. Foto: Yasmin Thomaz

Bonecos da Disney. Foto: Yasmin Thomaz


Yasmin Thomaz – 8º período

2 comentários sobre “Do mundo mágico à realidade: Disney encanta e transforma a vida de brasileiros

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