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Expectativas superadas

Cartaz - O Rastro_0Já não é de hoje que a qualidade das produções brasileiras vem ganhando cada vez mais notoriedade no cinema e, consequentemente, despertando o interesse do público. Em “O Rastro”, longa dirigido por J.C Feyer, um hospital abandonado, a corrupção médica e a obsessão se misturam, trazendo à telona uma combinação pouco explorada por diretores nacionais.

 A trama conta a história de João Rocha (Rafael Cardoso), um talentosos médico que tem como missão coordenar a retirada dos pacientes de um hospital decadente que está prestes a ser desativado por falta de verba. Na noite das transferências, João se depara com inúmeros percalços. Protestos, desentendimentos com colegas e o sumiço da pequena Julia (Natalia Guedes), paciente mais nova do local, começam a desviar o foco do jovem doutor.

Com isso, ele embarca em uma jornada obscura para conseguir chegar até a verdade e desvendar os mistérios que habitam nas paredes da antiga casa de saúde, ao mesmo tempo que tenta cuidar da gravidez da esposa, Leila (Leandra Leal). A busca pela paciente desaparecida e a ambientação soturna da obra, mesclada com uma trilha sonora bem elaborada, criam um clima propício para diversos momentos de tensão durante o filme – fator que faz com que as expectativas sejam superadas.

A obstinação do médico é tamanha que chega a beirar a loucura. Ele se vê cada vez mais cercado por algo ainda desconhecido, mas aterrorizante, que o persegue através de gritos e choros. Nesse momento, João começa a duvidar de sua própria sanidade e os esforços de Leila para tentar ajuda-lo são todos em vão. Uma falha do longa está presente no desenvolvimento da história: a personagem de Leandra Leal fica “apagada” durante metade do filme, voltando a ter maior relevância no terceiro ato, deixando uma sensação de talento desperdiçado.

Casal_0Mesmo com um bom ritmo e desenvolvimento, o roteiro de André Pereira e Beatriz Manela deixa algumas falhas e pontas soltas – como, por exemplo, o aparecimento desnecessário e aleatório de personagens em algumas cenas de conflito. Além disso, apesar de provocar sustos, alguns efeitos especiais utilizados no filme também deixaram a desejar.

No geral, a obra cumpre o seu papel ao oferecer um tipo de suspense inovador para as produções brasileiras. A fotografia consegue se equiparar ao que é visto em filmes estrangeiros e o final da trama acerta em oferecer mais perguntas do que respostas, fazendo com que o espectador permaneça curioso e com diversos “pontos de interrogação”. O longa de J.C Feyer é um daqueles filmes do qual não se espera grande coisa, mas supera as expectativas pela boa história.


Thainara Carvalho – 50 Período

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