Casamento não é para principiantes

318769-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx2016 ficará marcado na história como o ano em que o Brasil decidiu abraçar outros gêneros cinematográficos – até então, ignorados pelo setor audiovisual nacional – que fogem ao drama cult e as comédias comerciais de baixa qualidade com elencos de programas humorísticos. E “Amor No Divã” é um exemplo disso. O longa de estreia do diretor teatral Alexandre Reinecke cumpre o que se propõe de forma eficiente, sem deixar nada a dever para o conhecido produto hollywoodiano.

No filme, Zezé Polessa interpreta Malka Stein, uma terapeuta de casais conhecida por utilizar métodos pouco convencionais no tratamento de seus pacientes. E é por isso que um jovem casal, composto pela forte e decidida Roberta (Fernanda Paes Leme) e pelo sensível personal trainer Miguel (Paulo Vilhena), decide procurar os serviços da profissional.

O relacionamento dos dois está em crise devido às reclamações de Miguel acerca do distanciamento de Roberta, cujo foco atual é a carreira e não a relação conjugal. Paralelo a isso, a própria Malka vive uma crise com seu marido recém-aposentado, José (Daniel Dantas), que está passando por uma certa crise de idade. Ao longo das sessões, os impasses de ambas as relações se cruzam e Malka passa a analisar seu próprio casamento, baseada na relação de Roberta e Miguel.

O quarteto protagonista está muito bem e confortável em seus personagens – inclusive Paes Leme e Vilhena, que não possuem trabalhos muito expressivos na carreira. O sempre excelente Daniel Dantas encontra perfeitamente o tom de José, um homem que se acomodou em todos os aspectos da vida. E, por fim, Polessa está impecável, mostrando mais uma vez que possui um timing cômico excepcional, mesmo tratando de um assunto delicado que é a relação interpessoal, além de mostrar em cena que, no alto de seus 63 anos, está em muito boa forma.

O roteiro, escrito por Juliana Rosenthal K., baseado no próprio livro “Terapia de Casal” – que já foi adaptado para o teatro em uma peça homônima –, apresenta uma história tátil, que provoca uma fácil identificação por parte do público, e possui um olhar feminino sobre as relações humanas, sem a velha e conhecida apelação brasileira para palavrões e forte carga erótica. É um filme para famílias, que são compostas por casados, solteiros, jovens e idosos.

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A direção de Reinecke é segura, imprimindo muita leveza à trama sem adquirir um tom televisivo, comum nas produções nacionais. O diretor estreante consegue mostrar a graça do enredo através da comicidade do dia-a-dia. Além disso, a trilha sonora de Sergio Fouad e Otávio de Moraes é muito bem trabalhada, sempre a serviço da história, exibindo uma latinidade servente tanto aos momentos cômicos quanto aos conflituosos, contando ainda com a arlequinada canção original “Que Amor É Esse?”, cantada por Zeca Baleiro e Alessandra Maestrini, que é de uma graça ímpar.

Por fim, “Amor No Divã” é um filme divertido e leve que trata de um assunto presente na vida de qualquer indivíduo – as relações humanas – de forma eficaz e despretensiosa, que, com certeza, vai agradar ao grande público. Tem um humor refinado com um subtexto popular, como uma fusão entre as deliciosas comédias francesas e as tradicionais Comédias de Costumes franco-ibéricas. Sem dúvidas, uma dos melhores longas do gênero de 2016 – ao lado de “O Roubo da Taça” – e uma grata surpresa para o cinema brasileiro.


Daniel deroza- 4º período

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