Alguns filmes tocam nas feridas da sociedade e falam sobre assuntos que são considerados taboos. A história de “O Filho Eterno” é um desses casos. A Trama trata sobre um assunto que já gerava polémica na década de 80 e continua sendo uma pauta pouco conhecida pelo grande público. Roberto (Marcos Veras) é um escritor – não tão bem sucedido – que aguarda ansiosamente a chegada do seu primeiro filho para que isso se torne um ponto de partida para a mudança de vida. Todavia, devido a algumas mudanças cromossômicas, o que antes era um sonho, acabou virando um pesadelo, pelo menos para o personagem principal.
Roberto descobre que seu filho tem síndrome de Down, que na época era chamado de mongolismo. O escritor não consegue aceitar o fato e, devido a já acumulada frustação devido ao insucesso no emprego e a eliminação da seleção na copa de 82, passa a rejeitar sumariamente a criança. Chegando até a desejar a morte do mesmo no início da trama. A história, inspirada no livro homônimo de Cristovão Tezza, leva o espectador a entender o sofrimento de famílias que tem filhos com essa doença e – acima de tudo – fazer um alerta sobre os maus tratos contra essas pessoas.
Além da trama bem desenvolvida, outros aspectos do filme merecem aplausos. O primeiro a ser citado é a atuação dos atores envolvidos na obra. A sempre perfeita Débora Falabella e o recém-chegado ao mundo do cinema Pedro Vinícius (II) vão bem em seus papeis de Cláudia (mãe) e Vinícius (filho portador da síndrome), respectivamente. Uma curiosidade é que o personagem da atriz não é muito presente no livro de Cristovão, mas teve um papel especial no longa. Marcos Veras também vai bem, o ator – conhecido pelos títulos de humor – faz seu primeiro papel dramático no cinema e agrada o público, nada excepcional – pelo menos ainda –, mas ainda sim bom.

Boa parte do desempenho dos atores se deu pela atenção especial dada pelo diretor Paulo Machiline (indicado ao Oscar pelo curta “Uma história de futebol”, em 1998), que buscou estudar a fundo histórias de famílias reais que tem filhos com essa síndrome, para que os personagens da obra fossem mais verossímeis. O filme não tem tantos jogos de câmeras que valem ser citados, mas a trilha sonora de Guilherme e Gustavo Garbato acerta em cheio o tom de drama da composição.
No fim das contas, “O Filho Eterno” não é só uma obra sobre uma família que tem um filho com síndrome de Down; é uma crítica social aos maus tratos feitos à pessoas que possuem qualquer diferença que não se encaixe nos padrões “normais”; é um importante alerta às famílias que criam muitas expectativas pela vinda de um filho, mas se decepcionam quando ele não é exatamente como esperavam; é um filme muito bonito que – além de ter sido sucesso no Festival do Rio 2016 – merece muita atenção do público em geral.
Iago Moreira- 6º Período

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