A Casa França-Brasil recebeu entre os dias 24 de setembro e 23 de outubro a exposição “Orixás”. Considerada um dos principais destaques da programação para o grande vão do solar, percorre as aparições da afro-brasilidade na arte e na religião, através das obras dos artistas Pierre Verger, Carybé, Rubem Valentim e dos contemporâneos Ayrson Heráclito, Arjan Martins e Thiago Martins de Melo.
Após a inauguração, em setembro de 1990, o centro cultural realizou a exposição “Retratos da Bahia”, com fotografias de Pierre Verger, desenhos de Carybé e esculturas de arte africana que pertenciam às coleções particulares dos artistas. Ao explorar o modo como a afro-brasilidade é representada na arte e na religião, sob a curadoria de Marcelo Campos, “Orixás” propõe um exercício de revisão histórica da mostra “Retratos da Bahia” através da releitura entre a produção moderna e a contemporânea. O dentista William Resende comenta que a exposição é um meio essencial para se aproximar de uma cultura com a qual não tem contato. “A exposição me permitiu conhecer elementos que eu só tive contato através de fotos de revistas ou de reportagens de televisão. É impressionante estar aqui e poder estar em contato com a cultura que é de origem africana, mas que também é produzida no nosso país”.

Dentro das expressões de religiosidade de matriz africana, os orixás são reconhecidos como deuses. Sua personificação está diretamente associada às manifestações de força da natureza e suas características se assemelham com a dos seres humanos, ao se manifestarem através das emoções. Demonstram raiva, ciúmes, amam em excesso e se exprimem de modo passional. Cada orixá detém ainda um sistema particular simbólico, constituído por cores, comidas, cantigas, rezas, espaços físicos e até mesmo horários específicos. Para a professora de artes, Mariana Chaves, a mostra é determinante para desmistificar a religiosidade africana e esclarecer o público. “Presenciamos constantemente episódios de intolerância religiosa no Brasil e esta exposição permite aproximar o público dos elementos, cultos e esculturas relacionadas a cultura africana. Isso é maravilhoso. Educar a população no sentido de esclarecer e desfazer preconceitos é fundamental para diminuir a violência e a intolerância”.

Como consequência do sincretismo – fusão de diferentes doutrinas para a formação de uma nova, seja ela de caráter filosófico, cultural ou religioso – ocorrido durante o período da escravatura no Brasil, cada orixá foi associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para cultivarem suas crenças, foram obrigados a disfarçá-los na roupagem das imagens, e os cultuavam de maneira aparente. Entre os mais conhecidos e reverenciados estão Exu, Iemanjá, Xangô, Oyá, Oxum, Obá, Ogum, Oxóssi, Obaluaê, Nanã, Oxumarê, Ossaim, Logum Edé, Ewa e Oxalá.
A exposição é aberta ao público e tem entrada gratuita. Fica em cartaz até o dia 23 de outubro. A visitação acontece de terça a domingo, das 10h às 20h. A Casa França-Brasil fica localizada na rua Visconde de Itaboraí, nº78, no Centro.
Laís De Martin – 8° Período

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