O divino tormento

065978-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx“Nada é mais criativo ou destrutivo do que uma mente brilhante com um propósito”. Essa é a frase de maior impacto do livro “Inferno”, de Dan Brown, e também é a que melhor resume toda história apresentada na obra. Amanhã, dia 13, chega às telonas o filme homônimo ao conto literário, que – assim como o exemplar de papel – peca por ser muito raso e não explorar profundamente histórias mais específicas.

Para quem não sabe, “Inferno” faz parte da saga de livros de investigação de Dan Brown composto por “O Código Da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “O Símbolo Perdido”, este último é o único que ainda não foi adaptado para o cinema, mas já há especulações que o diretor Ron Howard, que trabalhou em todos os longas da franquia, está estudando a possibilidade de produzi-lo.

O novo filme nem de perto se compara ao “Código Da Vinci” (2006), mas – por outro lado – é melhor que “Anjos e Demônios” (2009). A Verdade é que boa parte dos erros do filme poderia ser evitado caso o diretor tivesse um pouco mais de cuidado na fotografia e caso os roteiristas tivessem mais tempo de tela para desenvolver as histórias secundárias. Tudo parece muito corrido, muito superficial. Por outro lado, tentando entender a visão dos produtores, esse ritmo alucinado prende o espectador desde o primeiro segundo de filme e evita as atenções se dispersem.

Contextualizando, Bertrand Zobrist (Ben Foster) é um bilionário e gênio americano obcecado pelo conceito do Inferno, presente na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Influenciado por ideologias radicais, ele desenvolve um vírus que irá “purificar” o mundo. Para evitar que isso aconteça, Robert Langdon (Tom Hanks) se envolve na investigação.

Até ai tudo não passa de uma premissa clichê. E é mesmo. A diferença é que essa trama é imersa na aura renascentista da idade média, em meio ao caos moderno. Um ponto positivo da direção é a forma que ele usou para relacionar a época da peste negra aos dias de hoje. Com uma edição muito boa e sacadas inteligente, Ron da um toque elegante a plasticidade da obra, explorando também o que há de mais bonito nos museus e mesquitas de Florença, Veneza e Istambul. Todavia, a forma com a qual eles escolheu gravar as cenas de ação incomodam.

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Com repetidas sequências de planos fechados, os combates corpo a corpo do filme não saltam os olhos, devido à escolha desse enquadramento, que não da um panorama geral para o espectador. Outro ponto que também poderia ter sido melhorado pelo diretor/roteirista é a veracidade dos fatos. O “Código Da Vinci” fez muito sucesso em parte justamente porque colocava a trama em uma situação real para os leitores. E isso foi esquecido no novo longa.

Todavia, de maneira geral, as atuações são boas, Tom Hanks – como sempre genial – chegou a um ponto na carreira em que os roteiristas já escrevem os personagens pensando nele, então ele não tem que fazer muito esforço para entrar em um personagem muito diferente do que ele realmente é. Bem Foster, Sidse Babett Knudsen, Irrfan Khan também se destacam. Todavia, Felicity Jones, que faz o papel da Drª. Sienna Brooks, teve uma interpretação a baixo da média.

No fim das contas, “Inferno” é sim um bom filme, mas devido à repetição de pequenos erro, acaba afastando os mais exigentes. Àqueles que procuram por um longa divertido e inteligente (se comparado a média do cinema atual) encontrarão na história um bom entretenimento.


Iago Moreira- 6º Período

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