Precisamos falar sobre as mulheres

As questões de gênero sempre estiveram vinculadas às relações sociais e aos papéis praticados em sociedade. Homens e mulheres sempre exerceram funções distintas, valorizadas por múltiplas culturas, conferindo à mulher atribuições secundárias.  A posição de inferioridade foi definida pela organização da sociedade em um modelo patriarcal, em que todos os recursos sociais eram garantidos somente ao homem. No entanto, há uma mudança no paradigma, e ao longo do século XX, os aspectos históricos e sociais sofreram transformações, marcadas inicialmente pela conquista do direito ao voto, que intensificou a participação política, validando a capacidade de representação e estimulando decisões sociais, políticas e econômicas.

A luta pela igualdade de gênero constitui um longo processo. A conquista da cidadania da mulher ocorre de forma gradativa, a partir da mudança de posicionamento, de submissão – desempenho apenas de tarefas domésticas – para um perfil ativo e multifacetado, que inclui as jornadas de trabalho e as atividades da casa. A transformação foi impulsionada pelo movimento feminista surgido na década de 70, no Reino Unido e nos EUA. Nesse período, diversas mulheres foram às ruas reivindicar os mesmos direitos assegurados pela constituição, como a igualdade entre as faixas salariais. Entre as décadas de 1960 e 1970, o feminismo se consolidou como movimento político, que integra bandeiras de lutas civis e minoritárias.

3-jornada-em-direito-das-mulheres-lais-de-martin

Palestra Jornada em Direito das Mulheres

Para debater a trajetória da luta por direitos igualitários e o movimento feminista no Brasil, a UVA sediou a Jornada em Direitos das Mulheres, realizada pelo curso de direito, nesta quarta-feira, dia 21, no auditório do Campus Tijuca. O evento teve a organização da coordenadora de Direito, Leonora Oliven e da professora Cláudia Giesel. A jornada foi organizada em três momentos: 10h às 12h; 15h às 17h; 19h às 22h.

No período da manhã, a abertura foi realizada pela professora de direito, Claudia Giesel, seguida pela leitura de Ludmilla Lis do texto Mulher da Vida, de autoria de Cora Coralina. O primeiro momento do evento abordou a discussão sobre feminismos; a participação das mulheres nos movimentos sociais, na literatura, na arte e nas leis; o modo como as correntes do feminismo podem contribuir para o avanço da sociedade de uma forma mais justa e igualitária.

            À tarde, as falas foram divididas entre as representantes do coletivo feminista Maria Bonita: Ana Flávia Costa Eccard, Natália Rezende de Araújo e Andiara Pereira. O diálogo teve como foco a vertente interseccional do feminismo; o feminismo negro no século XIX; Teoria quer e o Machismo de esquerda. Para o encerramento da Jornada em Direito das Mulheres, foi escolhido o tema “Direito penal e a violência contra a mulher”, com a participação das docentes do curso de direito da UVA Tijuca e doutorandas do Programa de Pós- Graduação (PPGD) – UERJ,  Prof. Ms. Roberta Lemos Lussac, Prof. Ms. Marcela Miguens e Prof. Ms. Renata Barbosa.

            Sobre a necessidade de realizar um evento que discuta a situação das mulheres no mundo, em especial no Brasil, se torna necessário analisar os dados sobre a violência: Três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, de acordo com a pesquisa realizada pelo instituto Avon em parceria com o Data Popular, em novembro de 2014; o Brasil tem uma denúncia de  violência contra mulher a cada 7 minutos. Os dados são da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Sobre isso, Ana Flávia Eccard, integrante do coletivo feminista Maria Bonita comenta que “o motivo do debate no meio acadêmico é proporcionar uma discussão plural. Uma construção plural. A vivência tem que ter uma teoria e uma prática. Não adianta falar apenas em linguagem acadêmica”.

            A vulnerabilidade das mulheres negras e periféricas é ainda mais preocupante. São invisibilizadas frequentemente. Além do machismo, sofrem com a misoginia e a violência policial. Andiara Pereira, que compôs a mesa no debate desta tarde, declarou que no período do Sufrágio – luta das mulheres pelo direito ao voto -, entre 1850 e 1940, “a própria feminilidade já podia ser relativizada nesse momento. As mulheres brancas lutavam pelo direito de exercerem o trabalho, enquanto as mulheres negras trabalhavam arduamente como escravas nas fazendas. Era uma imposição. A existência das mulheres negras nesse período já era uma verificação de que tinham a mesma capacidade que os homens de trabalhar. De modo que o mito sobre a fragilidade não pode ser verdade”. Precisamos sim falar sobre mulheres. Enquanto você lê este texto, nasce mais uma vítima e se enterra mais uma mulher.


Laís De Martin – 8° Período

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s