Cinema

‘Je Suis’ Jacqueline

344021.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxA história de um homem que parte em busca do seu sonho. Até aí o enredo do filme francês “A Incrível Jornada de Jacqueline” parece com a de muitos outros longas que já passaram pelas telonas. O diferencial da obra do diretor Mohamed Hamidi, que está no segundo trabalho solo, é dar voz àqueles excluídos que regularmente são vilanizados pelas grandes mídias e nações: os imigrantes na Europa.

Situado em um vilarejo no norte da Argélia, o agricultor Fatah (Fatsah Bouyahmed) tem um enorme carinho por sua vaca, Jacqueline, e tem o sonho de levá-la para a Feira de Agricultura, que acontece anualmente em Paris. A relação dos dois sempre foi motivo de zombaria entre os amigos e a causa das crises de ciúmes da esposa Naïma (Hajar Masdouki). Ao conseguirem entrar no concurso, Fatah e Jacqueline partem em uma viagem, a pé, e encontram, no caminho, muitos problemas e diversões.

A ingenuidade do personagem principal logo cativa o público, aliado as demonstrações de amor ao animal de estimação. Ponto positivo para o ator Fatsah Bouyahmed, que soube dar o tom certo nas piadas mantendo o público satisfeito com sua atuação durante todo longa. Os personagens que cruzam o caminho de Fatah e Jacqueline (que em algumas horas é mera coadjuvante) ajudam o agricultor a seguir seu caminho e também a se conhecer melhor.

O filme, sutilmente, critica a relação “Europa- imigrantes”. No longa, se opondo ao cenário social atual, os franceses acolhem o árabe em seu país e torcem pela vitória dele. Essa proposta fica mais clara quando Fatah, num discurso emocionado, diz: “Somos todos Charlie”, numa alusão ao ataque terrorista ao Charlie Hebdo. A falta de acesso à tecnologia e à educação do povo argelino também foram abordados de forma simples e descontraída pelo diretor.

O longa é justo, com prós e contras. A fotografia é linda e os atores excelentes, mas a obra abusa de clichês e o expectador sai da sala do cinema com a sensação de “já vi isso em algum lugar”. E talvez tenha mesmo. A história é bastante semelhante com “O Pagador de Promessas”, filme e minissérie muito famosos no Brasil. Os 92 minutos valem muito mais para ver a crítica social abordada do que a trajetória da vaca e seu dono em terras parisienses.


Gabriel Brum- 5º Período

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1 comentário em “‘Je Suis’ Jacqueline

  1. Avatar de Jakeline

    Ótima crítica. Fiquei curiosa para assistir o filme!

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