O rebelde sem causa volta às telonas

098398.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxNo começo do ano de 1955, às vésperas do lançamento do filme “Vidas Amargas”, os Estúdios Warner tinham planos de transformar o – então pouco conhecido – James Dean (Dane DeHaan) em um astro de Hollywood, porém o jovem ator não se sente confortável com a vida de festas e badalações que vem juntas com a fama. Quando o fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson) percebe o sucesso iminente do rapaz, ele o convida para um ensaio fotográfico para a revista Life, mas recebendo respostas negativas de Dean. Porém, para fugir da première do longa que seria lançado, o eterno “rebelde sem causa” convida Dennis para ir com ele para a fazenda da família no interior. Lá, o fotógrafo registra algumas das imagens mais icônicas de Dean.

Este é o mote do longa “Life – Um Retrato de James Dean”, que chega aos cinemas no próximo dia 21 e mostra este episódio da vida de uma das figuras mais importantes da História recente do cinema. É uma missão difícil e ousada, assumida pelo fotógrafo e diretor neerlandês Anton Corbijn – mais conhecido por dirigir videoclipes de bandas famosas como U2, Nirvana e Coldplay. Seu trabalho da direção é funcional, mas deixa a desejar ao que se propõe, deixando claro que problemas do filme são oriundos da direção e do roteiro.

Como um bom fotógrafo, Anton sabe criar ambientação, passando ao espectador a elegância intimista que o enredo pede. No entanto, sendo um diretor sem muita experiência em longas-metragens, ele não sabe trabalhar muito bem a aclimatação criada, deixando o jogo de câmera monótono e um pouco cansativo. Além disso, o comando sobre os atores também apresenta falhas, uma vez que – à exceção de Pattinson, que consegue se manter consistente ao longo da trama, com uma atuação mais contida e, de longe, a melhor do filme – todos os personagens possuem momentos de afetação, não chegam a estar over the top, mas, certamente, estão um tom acima.

Um exemplo disso é no caso do premiado ator Ben Kingsley, que interpreta Warner, dono dos Estúdios Warner, que, por vezes, assume uma posturas e entonações que chegam a lembrar um vilão de telenovela. O outro ponto marcante encontra-se na interpretação de Dane De Haan, o James Dean do longa, que, principalmente no primeiro ato, tenta imprimir o característico tom blazé, porém passa a sensação de estar constantemente embriagado.

Todavia, a partir da metade do segundo ato, as afetações são bem menos aparentes na atuação de DeHaan e, por momentos, o espectador acredita estar vendo James Dean na tela – e, justiça seja feita, o nível de comprometimento do ator com a personagem é notório, já que o ator não é muito parecido com o biografado.

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Robert Pattinson como fotografo Dennis Stock.

Apesar da direção funcional, mas inconsistente, o principal problema de “Life – Um Retrato de James Dean” encontra-se no roteiro, que apresenta personagens secundários demais e não desenvolve todas as tramas a que se propõe, não conseguindo manter uma linearidade na trama. O primeiro ato é bem demorado, introduzindo o espectador na Hollywood de 1955 e fazendo muitas referências a ídolos da época, como Judy Garland e Natalie Wood. Nesta parte inicial, também são apresentados diversos papeis que não evoluem ao longo do filme, como Pier Angeli (Alessanda Mastronardi), affair arranjado para Dean, que é simplesmente esquecida no segundo ato. Outro ponto deixado de lado em detrimento da trama principal é o interesse que o ator principal sente por Stock, que fica apenas subentendido ao longo da obra e pode passar despercebido por muitos espectadores.

Por fim, a divisão de opiniões causadas por “Life – Um Retrato de James Dean” no Festival de Berlim não foi à toa. É um filme com uma proposta ousada não apenas por abordar um episódio da vida de um ícone mundial, mas por optar por mostrar os momentos menos turbulentos de sua existência – uma vez que o esperado era que o longa focasse principalmente na morte precoce do ator, falecido em um controverso acidente automobilístico aos 24 anos, cerca seis meses após a publicação de seu ensaio para a revista.

A atmosfera criada – com tons acinzentados, sem saturação, utilizando dias de neve ou chuvosos – dá o clima perfeito para a história, porém não é bem aproveitada pelo diretor. Além disso, muitos podem ficar com a dúvida se a interpretação extremada – em ambos os sentidos, para mais e para menos – de Dane DeHaan como James Dean mostra uma total entrega ao personagem ou uma caricatura do biografado. Não é um filme excepcional, mas, ainda assim, vale uma ida ao cinema.


Daniel Deroza- 3º período

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