Depois de quatro anos fazendo grande sucesso, com mais de 12 milhões assinantes no canal no Youtube, a equipe do Porta dos Fundos decidiu seguir para o cinema e provar em “Contrato Vitalício” que a capacidade humorística vai além dos 2min30s de esquetes de comédia. O filme, que estreia hoje (30), têm como característica ridicularizar o mundo do espetáculo, combinando com o raciocínio típico das redes sociais, diferentemente das tradicionais comédias de sucesso popular.

O canal é conhecido não só pelo poder humorístico – e muitas vezes crítico -, mas também pelos roteiros bem elaborados. No filme não é diferente, tendo uma linha narrativa bem interligada e inteligente, contrariando a opinião daqueles que achavam que a obra seria uma adaptação cega das esquetes. Os roteiristas – Fábio Porchat e Gabriel Esteves – conseguiram deixar toda a essência do Porta dos Fundos no longa. “Nós chegamos a escrever dois roteiros antes, porém, não gostamos e jogamos fora até chegar nesse que é o filme que nós achamos mais legal. Todo o DNA do Porta está ali, então a ideia é que a gente não perdesse toda a raiz do canal, então estão todos os atores, o Ian que é o diretor do Porta então pensando nisso tudo tem funcionado super bem”, conta Fábio.
A trama segue Rodrigo (Fábio Porchat) e Miguel (Gregório Duvivier), uma dupla de ator e diretor que, depois de ser premiada em Cannes, estabelece um contrato vitalício de trabalho. Miguel, porém, desaparece sem explicação, retornando dez anos depois, envolto em teorias da conspiração sobre aliens no centro da Terra, pronto para rodar o seu próximo longa-metragem.
Para enfatizar a internet, no decorrer do longa, o público se depara com diversas referências a personalidades, filmes e fatos. Não tem uma personalidade que escape das associações feitas pelos personagens. Por sua vez, os atores se saem muito bem nas caracterizações e mostram bastante sintonia em cena. Depois de tantas produções de ‘humor conservador’, é notável a presença de personagens fortes como Denise (Júlia Rabello); homens gays bastante emponderados como Lorenzo (Marcos Veras); figuras como o detetive/matador de aluguel Otacílio (Antônio Tabet), a famosa da internet (Thati Lopes) e o agente de celebridades (Luis Lobianco).

Em suma, “Contrato Vitalício” é a combinação de texto e atuações inspiradas que é a grande vantagem do filme: é possível somar sofisticado e popular na busca por risadas, proporcionando uma experiência equivalente a ver vídeos do YouTube durante uma hora e meia. Porém para a felicidade de alguns e infelicidade para outros, “para todo sempre haverá um contrato vitalício, esse é o primeiro, está apenas começando”, finaliza Fábio Porchat.
Brigida Brito – 7º período

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