Tempestade tropical

Gabriel Medina comemorou o crescimento do surfe no Brasil

Gabriel Medina comemorou o crescimento do surfe no Brasil. (foto: Nathalia Araújo/ Agência UVA)

A etapa brasileira do Campeonato Mundial de Surfe começou hoje, mas a largada já foi dada com a coletiva de imprensa realizada ontem. O evento inicial contou com a participação dos brasileiros Filipe Toledo, Gabriel Medina, Ítalo Ferreira, Adriano de Souza; do australiano Matt Wilkinson – líder atual do ranking masculino –;  e das atletas femininas Courtney Conlogue e Carissa Moore.

Representantes da World Surf League lamentaram a destruição da estrutura que estava sendo montada no Posto 2 da Praia da Barra da Tijuca. O projeto levou seis meses para ser planejado e mais um mês de construção. Contudo, as fortes ressacas nas praias do Rio de Janeiro acabaram atingido o que já estava armado. Com isso, o palco principal da etapa brasileira foi transferido para a praia de Grumari e, a partir de quinta-feira (12), o Postinho já deve ser liberado como alternativa.

O acesso à Grumari, entretanto, é limitado por ser uma área de preservação. O controle será feito na entrada da estrada para a Prainha e a cancela será fechada para carros quando o estacionamento atingir a quantidade de 600 veículos. A partir daí, só será possível chegar ao local de competição a pé, de bicicleta ou nos micro-onibus que a organização do Oi Rio Pro vai disponibilizar ao público.

A mudança, é claro, também afeta os atletas. Gabriel Medina, campeão mundial em 2014, confessou que nunca surfou em Grumari. “As ondas são cheias e pesadas, mais difícil de competir”, disse. A norte-americana Courtney Conlogue espera que a mudança não afete sua performance: “Claro que faz diferença, mas eu tenho treinado bastante em Grumari e espero obter bons resultados”.

Já o melhor brasileiro no ranking atual, Ítalo Ferreira (3º), disse estar confiante e feliz apesar da mudança. “Consegui pegar boas ondas esses dias e tentei adaptar meu equipamento. Grumari é totalmente diferente da Barra, mas eu possuo o equipamento para as duas praias e isso me deixa bem confiante”. O atual líder mundial, Matt Wilkinson, também se apresentou otimista com a mudança: “Grumari tem sido divertido. Intercalar as duas praias vai tornar a competição mais diversificada”.

Italo Ferreira é o brasileiro mais bem colocado no ranking atual

Italo Ferreira é o brasileiro mais bem colocado no ranking atual (foto: Nathalia Araújo/ Agência UVA)

Para o reestreante Filipe Toledo, o novo local é uma opção muito boa e acha que não deve afetar o desempenho dos surfistas. “Temos que mostrar o nosso melhor dentro do mar também em condições diferentes. É por isso que merecemos fazer parte da WSL hoje”.


Atletas estrangeiros presenciam violência

Durante a semana, os surfistas Conner Coffin e Carissa Moore testemunharam um homem ser baleado em um posto de gasolina. Questionado sobre a situação dos atletas, Filipe Toledo disse que os dois estavam bem assustados. “Eu fico triste de ver essa violência aqui. Tal acontecimento nos deixa preocupados e pode até influenciar a nossa atuação. Infelizmente, o Brasil vive um momento difícil e eu espero que isso possa mudar”, comenta o atleta.

Antes disso, polêmicas já cercavam a realização da etapa brasileira, como acusações de poluição da água, epidemia do vírus da zika ou tentativas de favorecimento aos atletas locais. Entretanto, para Adriano de Souza, fatos como esse não são suficientes para afastar o Brasil da competição: “Essa etapa só não acontecerá se não tiver investimento. O Brasil possui dez atletas no circuito e seria muito injusto nós, brasileiros, não disputarmos em casa. Casos de violência também acontecem em outros lugares”, complete o surfista.

Atual campeão, Adriano de Souza quer usar o Rio como alavanca para bons resultados

Atual campeão, Adriano de Souza quer usar o Rio como alavanca para bons resultados. (foto: Nathalia Araújo/ Agência UVA)

O atual campeão mundial também criticou as decisões pessoais que levaram grandes estrelas, como Kelly Slater, a desistirem da etapa carioca. Para Adriano, é ruim o país não receber esses atletas, pois o evento em si perde muita força. “O público no Brasil é diferente. Nós temos uma cultura e os estrangeiros tem outra. Nós aceitamos a deles, mas não está acontecendo ao contrário. Estamos impondo a bandeira verde e amarela mundo afora e, um dia, eles vão ter que aceitar”, finaliza o competidor.


Aposta em final brasileira

Apesar dos problemas, Adriano afirmou estar focado em apresentar o seu melhor nesta etapa da competição. Excelente notícia para os brasileiros é o retorno de Filipe Toledo que, devido a uma lesão, ficou de fora das últimas duas etapas do mundial. “Foi muito difícil ficar em casa só assistindo. Mas tive uma boa recuperação e estou quase 100%. Sei que perdi pontos, mas o ranking ainda está um pouco embolado e eu venho forte para essa etapa”, conclui o atual campeão.

A “Brazilian Storm” – apelido dado ao atual grupo de brasileiros surfistas – comemorou o desenvolvimento da prática no Brasil. “O esporte tem crescido bastante por aqui e é muito bom ver o sucesso de algo que você ama fazer”, declarou Medina. Alguns, como Toledo, apostam e torcem até mesmo pela inclusão do surfe nas Olimpíadas: “Quero representar meu país”.

O australiano Matt Wilkinson pode estragar a festa brasileira

O australiano Matt Wilkinson pode estragar a festa brasileira. (foto: Nathalia Araújo/ Agência UVA)

Para Ítalo tudo isso é o resultado de muito trabalho e perseverança e que, agora, o objetivo é melhorar seus resultados. Ele também confessou estar muito ansioso pelo início da etapa, pois é especial competir em casa e com a torcida toda a favor. O australiano Matt Wilkinson também contou amar vir ao Brasil e relembrou seu grande resultado no ano passado (3º lugar). Contudo, se depender de Ítalo, a final vai ser toda verde e amarela: “E eu espero fazer parte dela”.


Nathalia Araújo – 7º período

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