O, possível, fim de uma era

233818.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxO longa “Kung Fu Panda 3” chega aos cinemas brasileiros amanhã com tem ares de conclusão de saga. Apostando no carisma do personagem principal a proposta do filme é tornar-se célebre. E chega bem perto disso. Roteirizado por Jonathan Aibel e Glenn Berger — mesma dupla dos dois filmes anteriores —, o longa possui uma cena inicial empolgante que tem tudo para se tornar memorável entre as opening scenes das animações.

Com um primeiro ato ágil, repleto de boas piadas com toques de humor conceitual, que destaca muito bem a integração entre seus protagonistas, o filme começa a perder fôlego ao se aproximar do segundo terço da história, quando passa a ter sequências longas demais que não acrescentam muito à história, isso se repete algumas vezes ao extenso filme, o que dá uma sensação de “inchaço”.

O segundo ato é consideravelmente “arrastado” por, mais uma vez, conter muitas cenas longas e desnecessária. Apesar de possuir um protagonista de peso (literal e metaforicamente), os pontos altos do segundo ato acontecem, surpreendentemente, na ausência de Pô. Os momentos enfadonhos da convivência do Dragão Guerreiro com seus semelhantes na Vila dos Pandas são compensados pela relação conflituosa entre Li e o pai adotivo de Pô, Mr. Ping — aliás, os momentos mais engraçados do longa ocorrem na presença dele, que acaba por se tornar o melhor personagem da história (um coadjuvante que rouba a cena, como dizem).

Outro personagem marcante da história é o vilão Kai, uma espécie de touro antropomorfizado sobrenatural, que, no passado, foi punido e aprisionado no Mundo dos Espíritos por sua ambição e, agora, quer roubar o chi (energia espiritual) de todos os Mestres e Guerreiros. Kai não está presente todo o tempo, mas é envolvente o suficiente para que o público não o esqueça ou ignore.

O filme volta a engrenar na transição para o terceiro ato. O ritmo da história volta a ser ágil, assim como na primeira parte, empolgando os espectadores para o embate derradeiro, que é realizado de forma instigante e divertida. Uma falha do roteiro que pode decepcionar alguns é o pouco espaço dado à história de origem de Pô. Há apenas um flashback de um minuto, que não é muito aprofundado. Este é o único momento do filme que flerta com a emoção, mas não o faz de maneira louvável.

Apesar de apresentar algumas falhas no roteiro, a direção de Aibel e Berger é muito competente, com propostas inovadoras para uma animação, mas que em nenhum momento fogem à estética mantida pelos dois primeiros filmes — é necessário destacar que as cenas de ação são muito bem dirigidas, com jogos de câmera dignos dos melhores live action do gênero (tudo isso realçado pelo 3D, trivial nas animações atuais), e os flashbacks em duas dimensões são igualmente encantadores.

Em resumo, “Kung Fu Panda 3” é um filme divertido, com um protagonista marcante, um vilão carismático e imponente – que aparece pouco nos dois primeiros atos, mas cuja presença e influência na história é sentida mesmo quando ele não está em cena – personagens coadjuvantes bons, vide Mr. Ping com suas tiradas hilárias e os Mestres Shifu e Oogway e suas frases misteriosas e cheias de simbolismo, e uma brincadeira bem-sucedida sobre o velho clichê dos papeis dos Sábios nas histórias de heróis.

O final da história não deixa claro se a saga parará na trilogia ou não. Aparentemente, assim como a maioria das animações de Holywood, tudo dependerá das bilheterias.


Daniel Deroza- 3º Período

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