Cinema

Uma síntese do passado

PosterTeaserOf_OsOitoOdiadosUm pouco de tudo que já se viu. Esta pequena frase resume a sensação pós- “Os 8 Odiados”, do renomado diretor norte-americano, Quentin Tarantino. O longa – que já é sucesso de bilheteria no Canadá e nos EUA – estreia hoje (07) em terras nacionais. Trazendo uma mistura de tudo o que o diretor já fez de bom em sua carreira, adaptado em um novo conceito.

Isso se explica pôs, durante 3 horas, Tarantino claramente voltou às origens ao fazer um filme com características muito próximas a sua primeira obra, “Cães de aluguel” (1992), adaptado ao cenário de faroeste, assim como em “Django Livre” (2012). “Bastardos Inglórios”, “Pulp Fiction”, “Jackie Brown” e “Kill Bill” não ficam de fora, uma vez que o diretor usa passagens na estrutura narrativa muito semelhantes a algumas apresentadas nesses longas.

Contextualizando, “Os 8 Odiados” conta a história do carrasco John Ruth (Kurt Russell), que está transportando uma prisioneira, Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), a fim de conseguir uma recompensa pela captura da moça. No meio do caminho ele se depara com o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), que por conta da nevasca que se aproxima precisam da ajuda de John para chegar até um refúgio, vulgo Armazém da Minnie, que já abriga outros quatro desconhecidos. A história se desenvolve e explora o drama que envolve todos os homens daquela cabana.

THE HATEFUL EIGHT
Tarantino preparando elenco no “Armazém da Minnie” [Photo: Andrew Cooper, SMPSP © 2015 The Weinstein Company. All Rights Reserved.]

Como já dito, o longa parece bastante com a narrativa de “Cães de Aluguel”. A maior parte do filme é rodada dentro de uma cabana, salvo alguns takes iniciais capturados em estradas de terra cobertas pela neve. E nem por isso o filme fica monótono. Mostrando toda genialidade artística, Tarantino consegue dinamizar cenas dentro de um ambiente minúsculo.

Outra assinatura presente na obra é a separação de algumas partes por capítulos. Neste, são apresentados cinco, com flashbacks e narrações feitas pelo próprio Quentin, toque que não poderia faltar, uma vez que o diretor é conhecido pela necessidade de ter uma pontinha em todos os filmes que participa.

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Câmera Ultra Panavision 70

Usando uma câmera Ultra Panavision 70 – nada comum para o gênero – Tarantino dá uma verdadeira aula de cinema clássico. Ele consegue aplicar um tom épico, característico do filme de 70 mm, com um toque extremamente intimista, que traz o espectador para dentro da cabana, para sentir a tensão do momento. Tensão esta que foi extrapolada em alguns momentos e, aliada as longas falas características do roteiro de Quentin, deixando a narrativa um pouco lenta.

Curiosamente a trilha sonora feita pelo renomado mestre musical, especialista em temas de faroeste, Ennio Morricone, foi produzida antes mesmo de o compositor ver as imagens. Mas isso não interfere no belo trabalho feito pela sonoplastia. Em uma conexão quase espiritual entre o diretor e o maestro.

THE HATEFUL EIGHT
Samuel L. Jackson e Walton Goggins durante cena.

O diretor conseguiu extrair o máximo de Samuel L. Jackson e Kurt Russell, que apresentam atuações diretas e impecáveis. Jennifer Jason Leigh e Tim Roth merecem um prêmio a parte. A dupla deu vida a dois personagens extremamente exagerados e perfeitos pra trama. De um lado uma ladra maluca, de outro um inglês elegante e sempre atento para o que acontece. Infelizmente Walton Goggins, Demián Bichir, Bruce Dern, Michael Madsen não foram usados da mesma forma, mas ainda assim agradam.

Não se desesperem fãs de Tarantino, ainda não foi falado, mas a principal assinatura do diretor foi guardada para o final. Sangue, sangue e mais sangue. No final das contas, “Os 8 Odiados” não agradará espectadores comuns, que vão ao cinema para assistir só mais um blockbuster de ação. Estes acabaram se deparando um toque mais cult e poderão se decepcionar. Mas para quem já conhece o roteiro de Quentin, a obra é um prato cheio de nostalgia.

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Iago Moreira- 4º Período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

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