Cultura

Três letras, um amor: Rio

Há centenas de anos, os portugueses e interessados na povoação do país procuravam a melhor maneira de publicamente anunciar as belezas naturais das cidades brasileiras e convencer estrangeiros a virem visitar e até mesmo morar aqui. Para isso eles colocam o estado em um plano paradisíaco, categorizando-o como uma escapada ensolarada ao sul do continente americano. Esses anúncios eram feitos, principalmente, por meio de cartazes os quais foram reunidos e expostos na mostra “O Rio de Janeiro como destino: viagens e cartazes” que fica exposto no Museu Histórico Nacional até o dia 24 de janeiro. Normandie to Rio

Os curadores da mostra, Márcio Alves Roiter e Paulo Knass, explicam a importância dos artigos expostos: “Alguns cartazes aqui são centenários e provam que o produto da publicidade é capaz de sobreviver ao uso original, transformando-se em documento histórico. Testemunhos da história, estes documentos deixaram de ser efêmeras matérias de consumo e se tornam estampas de valor artístico e comercial”, contam eles.

Em uma época em que os meios de comunicação não eram acessíveis a todos, cartazes de viagem eram a forma perfeita de fazer com que sua mensagem fosse vista pelo maior número de pessoas, era só posicioná-los em locais movimentados com boa visibilidade. Todos eram feitos à mão, até que a Prensa foi inventada e permitiu que cópias fossem feitas. Também em um tempo em que os meios de transporte não eram tão evoluídos, esse tipo de viagem poderia ser feita por navio ou por zepelim, mas até chegar aqui demorava até seis dias, algum tempo depois o avião comercial surgiu e encurtou significativamente esse tempo.

O tema dos cartazes de viagem eram justamente isso: a companhia marítima ou aérea que te levaria ao seu destino, mas para que os pôsteres chamassem a atenção o desenho escolhido para representar a empresa deveria retratar a definição de belo a um estrangeiro que visita pela primeira vez o país. Sejam mulheres na praia usando roupa de banho, ou o corcovado e o pão de açúcar antes de terem seus principais pontos turísticos construídos. Quando o Cristo Redentor ficou pronto, ele dominou a vista das propagandas e se tornou o desenho principal, apesar de ainda haver um ou outro com praias para reforçar o elemento de lugar magnífico e quente com lindas mulheres em trajes de banho.

Um dos principais meios de transporte que trazia turistas para cá era o transatlântico ‘Normandie’ que vinha da França e passava pelo Ilhas Caribenhas e o Rio de Janeiro. A exposição mostra o curta-metragem “Normandie to Rio” que fala sobre a luxuosa vida que se passava dentro do navio e os destinos espetaculares por onde ele passava. Além disso, foram reunidos também selos, cartões postais, um modelo do avião Douglas DC3 do século XX usado nas viagens, medalhas comemorativas das a pilotos por, por exemplo, fazer a travessia Lisboa-Rio de Janeiro com vista para o Rio de Janeiro, bilhetes postais e o cardápio servido no transatlântico Normandie.

JMR Berardo, dono da Coleção Berardo, fala sobre o que os cartazes tem de tão especial e importante para a história: “A própria beleza dos cartazes leva-nos a refletir sobre a singularidade do Rio de Janeiro ao longo dos tempos, sendo através desta retrospectiva que compreendemos a metamorfose de uma cidade moderna com gostos tropicais, ontem, símbolo de exotismo e curiosidade pelo novo mundo, hoje, exemplo de progresso, amanhã, um caminho em aberto, repleto de possibilidades culturais”, disse ele.

Há 450 anos, milhões de pessoas veem visitar a cidade do Rio de Janeiro baseado nas vistas paradisíacas, na mudança climática que este país tem a oferecer em contraponto ao país de origem do turista e a natureza animada e calorosa do povo. Esta mostra nos ensina sobre como sempre fomos bem vistos pelas mesmas razões e que nunca perderemos o título de “The Wonder City”.

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Luana Feliciano – 2° Período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

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