Ícone feminista popular brasileiro, ativista social política, irradiadora de conhecimento, compositora, poetisa e pensadora; Maria Bethânia conquistou muitos adjetivos para si até os 69 anos de idade, por isso e por tantas outras razões, ganhou uma exposição inteiramente dedicada a ela. Até o dia 13 de setembro no Paço Imperial do Centro da cidade, estará aberta a mostra que revela como esta mulher foi a musa inspiradora para tantos projetos artísticos.

“Só contamos para Bethânia há um mês, quando precisei pegar emprestadas algumas peças da casa dela para levar para o Paço. Primeiro ela achou algo grande demais; depois ficou muito tocada e feliz”, conta Ana Basbaum, produtora da cantora há 30 anos.
Os cinco sentidos são apreciados durante todas as salas, ou seja, é possível ouvir, ver, falar, dançar e respirar Bethânia através das muitas homenagens produzidas, levando a uma experiência multissensorial. A visão é constantemente testada na contemplação das diversas obras criadas. Primeiramente, o visitante é convidado a “tropeçar” em poesia através de vários trechos de versos de poetas, colegas e amigos, dispostos do lado de fora, no chão e ao redor do local.
Além disso, já do lado de dentro, observa-se a imagem sacra da santa protetora de sua cidade natal (Santo Amaro, na Bahia), Nossa Senhora da Purificação. Tendo como arauto a “senhora da palavra” como disse Inês Pedrosa fazendo referência a Bethânia em expressão eternizada em uma sala cercada por poemas escritos a giz, diversas pinturas e fotos foram escolhidas para fazer parte da coletânea visual.
A ativação do olfato fica por conta da “sala dos aromas”, em que seis perfumes, de diversas marcas, feitos em homenagem à cantora são dispostos enfileirados com sua devida explicação. O tato demonstra-se através das tantas esculturas de animais da Floresta Amazônica, representando seu lado ambientalista, e uma escultura dela como deusa.

A audição é conceituada através das duas videoinstalações, uma delas com narração da própria Bethânia, com Vinícius de Moraes, sobre “Orfeu” e também pela sala em que se podem ouvir músicas compostas reverênciando ela, cantadas por muitas vozes conhecidas do MPB. Por fim, o paladar, fica por conta de Dona Canô que sempre foi admirada, entre tantas razões, por seus dons na cozinha. Suas receitas ficaram dispostas em um dos ambientes acompanhas por uma foto sua e de seu marido, José Teles Veloso.
“Quisemos usar as emoções que a Bethania provoca nas pessoas e os elementos do seu imaginário” contou Bia Lessa, diretora da exposição, em entrevista ao jornal O Globo.
Ziraldo e Maurício de Souza criaram pinturas com seus estilos característicos de arte, Manoel de Santa Maria deixou sua literatura de Cordel, cuja distribuição é gratuita, contando a história dos 50 anos de carreira. Artesões como André da Marinheira produziram esculturas, poetas e escritores elaboraram textos e depoimentos. Zélia Duncan, por exemplo, deixou um poema definindo a amiga como “modificadora de cartografias, mas principalmente de vidas”. Grupos musicais se apresentam nos fins de semana às 18 horas no último salão do andar com músicas de raízes brasileiras, assim como ela tem tanto orgulho de ser.
O título da exposição “Maria de todas nós” é facilmente explicado quando se visita a mostra. Ela foi, é, e provavelmente sempre será fonte de inspiração para todos os níveis artísticos. É como se todos pudessem experimentar um pouco de sua completa capacidade de criar e deste modo, como cocriadores, mas seguindo sua trilha, fossem elaborado uma nova época e estilo de processo criativo: a Cultura Bethânica.
Por: Luana Feliciano

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