Na última quarta-feira (14) , O Theatro Municipal completou 106 anos com direito a comemoração das 10h às 20h, com programação gratuita. O evento foi realizado pela Fundação Theatro Municipal, vinculada à Secretaria de Estado do Rio de Janeiro e contou com apresentações de ballet, coro, orquestra sinfônica, além do grupo “Os Pequenos Mozart” e os alunos da “Escola de Dança, Artes e Técnicas do Theatro Municipal Maria Olewa”. “Até duas semanas atrás, eu era o grande frequentador do Theatro Municipal, desde quando eu comecei a estudar música e passando pela fase que eu fui professor e diretor da Escola de Música da UFRJ, diretor da sala de Cecília Meirelles. Há duas semanas eu tive esse privilégio de passar a dirigir essa instituição. Então, pra mim hoje é um aniversário muito especial, porque é a primeira vez que eu participo dessa festa vendo de dentro. Tudo aqui transpira paixão, tanto das pessoas que trabalham quanto as que frequentam”. Disse o presidente do Theatro Municipal, João Guilherme Ripper.

Em 1894, Arthur Azevedo propôs a construção de um teatro aos moldes da Ópera de Paris, porém o projeto resultou apenas em uma lei municipal. Somente em 1903, o prefeito Pereira Passos lançou um edital com um concurso para a apresentação de projetos para a construção do teatro. Em 1905, o prédio começou a ser erguido e só quatro anos e meio mais tarde, 1909, foi inaugurado o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com capacidade para 1.739 espectadores. “O Theatro municipal passou por fases diversas. Por exemplo, na época em que ele abrigava temporadas que vinham da Europa e que eram os empresários que pautavam o Theatro, como a italiana e francesa. Hoje, nós temos ainda produtores que trazem de fora, mas é dever do Theatro ser propositivo na sua programação e é o que a gente está trabalhando agora, que o Theatro tenha uma assinatura de programação como característica própria para trazer ao público do Brasil repertório voltado para ballet, coral e sinfônico”. Segundo o presidente do Theatro Municipal.

O dia começou com a apresentação no Foyer, do grupo de violinistas “Os Pequenos Mozart”, composto por crianças de 3 a 14 anos e sob o acompanhamento de Suray Soren. Dentre as músicas tocadas estão Garota de Ipanema de Tom Jobim e Trem das Onze de Adoniran Barbosa, clássicos da música brasileira. Ás 11h foi a vez da “Escola de Dança, Artes e Técnicas do Theatro Municipal Maria Olewa” mostrar um pouco do trabalho já realizado com 88 anos de experiência. As coreografias foram retiradas de diversos ballets, como Giselle e Taras Bulba. “Temos uma emoção muito grande, principalmente, quando abre a cortina e a gente já está no palco. Vamos fazendo os passos e vendo aqueles flashes. Bate o medo de errar às vezes, porque podemos nos desequilibrar em coreografias mais arriscadas”. Disse a dançarina da escola, Giulia Rodrigues. “Estar dentro do Theatro Municipal é muito gratificante por ele fazer parte da história do Brasil. E nós aprendemos com os mais experientes. Mesmo assim quando entramos no palco já dá aquele nervosismo.” Comenta Gheise Angelles, que também se apresentou.

À tarde, houve um espetáculo com o grupo de Ballet do Theatro Municipal, dividido em duas partes. Na primeira parte os espectadores puderam apreciar a leveza da coreografia tradicional, a inovação do ballet moderno, e ainda, a rapidez dos movimentos trazidos pela música de Tchaikovsky, com piruetas e saltos de tirar o fôlego. “Foi a primeira vez que eu vim no Theatro Municipal e gostei muito da apresentação de ballet e do lugar. Superou todas as minhas expectativas. Tirei foto com a Ana Botafogo também.” Relata a visitante Merielen Lima.
A segunda parte apresenta a predominância de movimentos mais suaves, como em “O Lago Dos Cisnes”. “Foram ballet’s bem executados. Gostei bastante do segundo, “Gopak”. Senti falta só de ver mais a história do ballet, porque foi só um trecho. A força física que eles têm é absurda e eles não ficam tontos girando o tempo todo”. Comenta a visitante Gabriele Santos acerca da segunda parte do ballet.
Mais tarde, os “Solistas do Coro do Theatro Municipal” interpretaram trechos de títulos da Ópera Francesa, como “Romeu e Julieta”. A ópera foi cantada por três solistas com o acompanhamento de piano. Na parte da noite, o “Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal” finaliza a programação com aberturas e coros de óperas.
“Hoje é o dia que abrimos o Theatro, portas e janelas, para mostrar o que é a produção do Theatro Municipal. É uma amostra do que se tem aqui, mas no lado que não aparece temos figurinistas, aderecistas e uma série de outros profissionais que constroem o Theatro Municipal. Nós temos, na verdade, 490 funcionários que trabalham para que tudo isso aconteça. Isso que eu acho bacana de celebrar”. Finaliza o presidente.

Por: Luiza Esteves
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