Nova aposta de Spielberg. O filme chega nesta quinta-feira (11) aos cinemas brasileiros, sendo aclamado pela crítica especializada com 90% de aprovação, de acordo com Rotten Tomatoes. O novo filme de ficção científica do diretor de Jurassic Park e Guerra dos Mundos (2005), resgata a temática extraterrestres, já explorada anteriormente na filmografia do icônico diretor.
O longa marca o retorno de Spielberg após vinte anos a ficção cientifica, após o lançamento de Guerra dos Mundos, seu ultimo filme centrado na presença de vidas extraterrestres. Reunindo novamente a parceria do diretor com o roteirista David Koepp, além de contar em seu elenco com Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Wyatt Russel e Eve Hewson.

(Foto: Divulgação/IMDB)
Com um ritmo frenético e sem rodeios, o filme nos apresenta, logo nos minutos iniciais, a um dos protagonistas Daniel Keller (Josh O’Conor) um ex-especialista em cibersegurança, após o roubo de dados sigilosos da Wardex, uma ONG ligada ao governo dos Estados Unidos. Com o objetivo de expor a “verdade” sobre arquivos militares mantidos em segredo do público, Daniel embarca em uma fuga alucinante ao lado de sua namorada (Eve Hewson), contando com a ajuda de ex-funcionários dessa ONG, liderados por Hugo (Colman Domingo), que o auxiliam a escapar em uma corrida contra o tempo para expor toda a verdade.
Paralelamente, acompanhamos a meteorologista Margaret Fairchild (Emily Blunt), que leva uma rotina agitada até que, inesperadamente, tudo muda ao encontrar um pardal vermelho. A partir desse acontecimento peculiar, após esse evento, sua trajetória passa a se conectar indiretamente com as de Daniel, Hugo e a organização Wardex e antagonista vivido por Colin Firth.

(Foto: Divulgação/IMDB)
O filme tem sido amplamente elogiado pela crítica especializada, acertando em cheio na escolha de Emily Blunt, que rouba a cena em todos os momentos em que aparece e entrega uma de suas melhores performances em sua carreira. Sendo a estrela da produção, a atriz transita da comédia, a tensão e ao drama, permitindo que o espectador se conecte com os conflitos e emoções ocorridas com sua personagem.
Entretanto, o mesmo não pode ser dito de seu co-protagonista, Josh O’ Connor, que aparece apagado durante boa parte da trama. Ao lado de um elenco talentoso, seu personagem se prejudica por um roteiro que oferece poucas oportunidades de exploração de seu personagem, não permitindo todo seu potencial enquanto ator.

(Foto: Divulgação/IMDB)
Contudo, há outro ponto a se considerado: mesmo com um elenco de peso, a dinâmica entre os personagens de Collin Firth e Colman Domingo, não funciona tão bem quanto poderia. No papel de Noah Scanlon, chefe da Wardex, Firth possui uma atuação competente, porém se torna um vilão excessivamente maniqueísta e por, vezes caricato.
Já Domigo, como ex-funcionário da Wardex, limita-se ao papel de guia e observador passivo da revelação da “verdade” e dos acontecimentos que movimentam a trama. Desse modo, parte do enredo é desenvolvido de forma morna, apesar do potencial do elenco.
Por outro lado, o que pode gerar quebra de expectativa e até mesmo uma frustação em parte do público é que, como o próprio título sugere, o Dia da Revelação, permanece quase sempre em segundo plano. Isso se deve, em parte, ao roteiro, que esvazia o potencial dramático da premissa apresentada, inevitavelmente não explorando plenamente as a repercussões de um evento dessa magnitude.
Koepp, por vezes tropeça na condução do roteiro, permitido permitindo a existência de alguns furos. Além disso, a dupla Spielberg-Koepp responsáveis por vários blockbuster de sucessos, não consegue sustentar a mesma excelência vista em seus antecessores. O filme parece perder parte de seu folego ao revelar sua trama alienígena cedo demais, reduzindo o mistério e o impacto por detrás de suas principal trama.
Ainda assim, o filme se destaca em sua cinematografia, especialmente pela composição visual, pelo uso de iluminação em cenas e pela qualidade fotografica e de seus enquadramentos. Soma-se a isso a grandiosa trilha sonora do emblemático compositor John Williams, embora em determinados momentos mais discreta ao longo do filme, se faz presente nos instantes certos da trama, reforçando a atmosfera da narrativa e seus aspectos emocionais para os personagens. Sendo assim, permitindo um dos aspectos mais sólidos da produção através da união entre, montagem, fotografia e sonoridade.
Dia D, consegue resgatar a essência de outras obras de Spielberg, sem, no entanto, apresentar algo excepcional em sua trama ou despertar o mesmo fascínio pelo desconhecido que marcou a cinebiografia do diretor. Dessa forma, Spielberg entrega uma reflexão pertinente e atual sobre estar diante daquilo que não conhecermos. Apesar de suas falhas, Dia D funciona em diferentes níveis, seja como entretenimento, como reflexão sobre o medo do desconhecido, ou a necessidade humana de encontrar respostas para o inexplicável.
Confira o trailer do filme abaixo:
Título: Dia D
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp
Gênero: Ficção Cientifica
Duração: 2 h 25 min
Classificação: 12 anos
Foto de capa: Divulgação/Universal Pictures
Crítica de Jéssica de Araujo Lima, com edição de texto de Ana Carolina Freitas
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