Após a vitória da Viradouro no carnaval deste ano, as demais agremiações começaram as divulgações dos enredos para a edição de 2027 do carnaval carioca. Além das recentes mudanças na classificação e desfiles das escolas de samba, os temas que passarão pela Sapucaí já estão sendo revelados, passando por histórias da literatura e religião. Confira os enredos confirmados até o momento:
Paraíso do Tuiuti – “Ciata: A Mãe Preta do Samba”
A agremiação de São Cristóvão foi a primeira a divulgar o enredo do seu próximo desfile, em que vai abordar a história de Ciata, mãe de santo e figura central da história carioca. A baiana, Hilária Batista de Almeida, se mudou para o Rio de Janeiro aos 22 anos, onde se casou e teve 14 filhos. Conhecida como Ciata, viveu na Pedra do Sal e posteriormente na Cidade Nova, sendo responsável pelo surgimento do samba-carioca, se tornando uma espécie de Primeira Dama na comunidade. Sua casa foi ponto de encontro para artistas como Donga, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres. O desenvolvimento do enredo ficará por conta do carnavalesco Renato Lage, seu primeiro ano na agremiação. A escola desfila no domingo de carnaval (07/02).
Mangueira – “Oyá Por Nós”
A Estação Primeira de Mangueira anunciou que levará a história de Oyá para a avenida, contando uma narrativa religiosa, com intuito de exaltar a orixá. Em 2016, a escola da Zona Norte desfilou com o tema: “Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá”, se tornando campeã do carnaval daquele ano, mostrando a ligação com a senhora dos ventos. Antes mesmo de ser confirmado, o tema do enredo de 2027 já ventava pela comunidade, que recebeu com carinho a escolha da agremiação. Pelo terceiro ano consecutivo, o desenvolvimento do enredo está nas mãos do carnavalesco Sidnei França. A escola desfila na terça-feira de carnaval (09/02).
Beija-Flor – “Zeneida: O Sopro do Pé de Louro”
O enredo escolhido pela Beija-Flor de Nilópolis conta a história da última pajé marajoara, sendo um dos pilares de referência cultural Marajó. Zeneida Lima, além de pajé, é compositora, escritora, poeta e ativista social, protegendo sua ancestralidade e defendendo causas ambientalistas. Assim como a Mangueira, a agremiação da Baixada já manteve contato com o tema em anos anteriores, em 1998. Em 2027, a escola apresenta a trajetória de vida da figura religiosa, com enredo desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo. A vice-campeã traz ancestralidade e a floresta amazônica para a Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfiles, domingo (07/02).
Unidos da Tijuca – A Cabeça do Santo
A Unidos da Tijuca usará o livro “A Cabeça do Santo”, sucesso literário da autora Socorro Acioli, como tema do enredo de 2027. A história retrata a cabeça de uma estátua de Santo Antônio perdida no sertão do Ceará, sendo o restante do corpo encontrado no alto do município de Caridade. Após ler a notícia nos jornais, a autora se inspirou na história, escrevendo o livro sobre um homem que vive dentro da cabeça do santo, se tornando um sucesso de vendas e será adaptado para os cinemas e para a Sapucaí. Quem cuida do desenvolvimento é o carnavalesco Lucas Milato, passando pela avenida na segunda-feira (08/02).
Portela – “Ao mestre, com carinho”
Sob novo comando, Paulo Barros retorna para a azul e branco de Oswaldo Cruz e traz o enredo que homenageia o mestre Monarco, maior cantor e compositor da história da escola. Nascido em 1933, Monarco integrou a ala de compositores da agremiação em 1950, tendo suas obras gravadas por grandes nomes da música brasileira e se tornou um símbolo na história da escola de samba. A diretoria segue com grandes mudanças para 2027, e aposta alto nas expectativas para o próximo desfile. A Portela abre a última noite de desfiles, terça-feira (09/02).
Imperatriz Leopoldinense – “A MEMÓRIA DO REI E O SUMIÇO DE DONA JÚLIA”
A agremiação de Ramos leva para a avenida a história de Dona Júlia, uma boneca criada para ser a calunga do Maracatu, vistas como símbolo espiritual e de ligação com ancestrais, sendo ancestralizada pelo Egun de Maria Júlia do Nascimento, nacionalmente conhecida como Dona Santa, “a rainha do maracatu elefante”. Em 1978, a boneca foi dada como desaparecida, indo parar em um museu, sendo encontrada um mês antes do carnaval de 2014, quando um estudante devolveu ela a um terreiro em Olinda, Recife, alegando que a boneca amaldiçoava sua casa. A Imperatriz Leopoldinense promete trazer a origem, o sumiço e o reencontro com Dona Júlia, com um tom religioso e espiritual. A verde e branco da Zona Norte fecha a segunda noite de desfiles do grupo especial, segunda-feira (08/02), sendo desenvolvida pelo carnavalesco Leandro Vieira.
Ainda faltam outras seis escolas de samba para a divulgação completa dos enredos para o Carnaval 2027.
Foto de Capa: Diário do Rio
Reportagem de Gabriel Goulart
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