Conhecido por romances marcados pelo mistério e pela investigação, Joël Dicker apresenta em “O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico” uma narrativa mais leve, sem abrir mão do elemento investigativo, ao acompanhar Josephine e seus amigos na tentativa de descobrir como a escola onde estudam foi alagada. Narrado pelo olhar infantil e atravessado por humor, sensibilidade e crítica ao comportamento dos adultos, o livro surge como uma surpresa para leitores já acostumados ao estilo do autor.

(Foto: Reprodução/X)
Ao lado dos amigos Otto, Artie, Thomas, Giovanni e Yoshi, ela decide investigar o que provocou o alagamento da escola. A partir desse ponto, a trama avança por uma sucessão de acontecimentos e catástrofes que conduzem à supercatástrofe anunciada no título, mantendo o ritmo da narrativa e o interesse do leitor.
Um dos aspectos mais interessantes da obra está no ponto de vista que conduz a história. Tudo é apresentado a partir do olhar inocente de Josephine, uma criança que sonha em se tornar criadora de palavrões quando crescer. Seu olhar dá ao texto um tom espontâneo e, em muitos momentos, divertido. Esse recurso ganha ainda mais força pelo fato de a narradora e seus amigos serem crianças no espectro autista, o que faz com que muitas falas dos adultos sejam interpretadas ao pé da letra.
Ao mesmo tempo, o livro também expõe a forma como os adultos se relacionam com essas crianças. Em vários momentos, eles aparecem como figuras ignorantes ou até preconceituosas, subestimando os personagens infantis. Entretanto, a narrativa mostra que essas crianças sabem se defender e, mais do que isso, conseguem inverter essa lógica ao dar lições importantes aos próprios adultos.
Com esse livro, Joël Dicker mostra versatilidade ao transitar por outro registro sem abandonar sua habilidade de contar uma boa história. “O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico” se destaca como uma surpresa para quem já conhece a escrita do autor, justamente por combinar leveza, humor e crítica em uma narrativa envolvente, sustentada pelo carisma imediato de seus personagens.
Foto de capa: Reprodução/Intrínseca
Resenha de Wilson Estevam, com edição de texto de Nathália Messias
LEIA TAMBÉM : “Que tal mais um gato?” cansa ao repetir a mesma fórmula de seus antecessores
LEIA TAMBÉM : “Paixão por Acaso” de Olivia Dade, aposta em romance intenso e crítica aos bastidores de Hollywood

0 comentário em “Joël Dicker troca o suspense por leveza em narrativa infantil sobre amizade e investigação”