Lançado em janeiro de 2026, “Leões Adormecidos” é o segundo livro da saga “Slough House”, thriller de espionagem de Mick Herron que traz à tona o dia a dia de agentes marginalizados do MI5 após falhas em operações de campo. A obra mantém a acidez e o humor irônico que caracterizam a série literária, responsável por inspirar a produção televisiva “Slow Horses” da Apple TV+.
Na trama, que sucede os eventos do primeiro volume, Herron aprofunda as dinâmicas entre os agentes ao explorar o passado do comandante Jackson Lamb, especialmente sua ligação com o assassinato de um antigo colega e com uma conspiração russa remanescente da Guerra Fria. Essa caçada reacende memórias e segredos antigos, levando o grupo de renegados a se unir novamente para enfrentar o adversário e desenterrar verdades que ainda reverberam no presente.
Herron detalha as dinâmicas internas e a cooperação em “Slough House”, superando a complexidade do primeiro livro. O enredo foca nas tensões políticas da inteligência britânica e introduz novas figuras de forma orgânica, reforçando a sensação de perigo iminente.
Embora repita vícios do volume anterior, como descrições excessivas em certos capítulos, “Leões Adormecidos” entrega uma estrutura mais coesa e fluida. A investigação central é envolvente: desbrava as nuances da espionagem e os traumas íntimos dos agentes, ampliando o escopo da saga.
O grande destaque fica por conta dos plot twists envolvendo os antigos operativos russos, os “leões adormecidos”, e a liderança de Jackson Lamb. O temperamento rude e sarcástico do comandante dita o ritmo da história e conquista o leitor. Como resumiu o próprio autor, “o caos do mundo de hoje penetrou nos personagens”, fator que ajuda a explicar o sucesso da série literária, já consolidada com cerca de 4 milhões de cópias vendidas.

(Foto: Divulgação/Apple TV+)
De modo geral, “Leões Adormecidos” é uma obra mais sólida e bem construída que seu antecessor. O desfecho maduro e trágico é cativante, e o mistério por trás do thriller mantém o interesse do leitor, mesmo quando a leitura se alonga. Herron expande e aprimora seu universo de espionagem, garantindo fôlego para perpetuar a jornada dos slow horses, sem soar genérico ou forçado.
Resenha crítica de Camila Teixeira, com edição de texto de João Gabriel Lopes
Foto de capa: Divulgação/Intrínseca
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