Cinema Cultura Geral

“A Sapatona Galáctica” usa humor e música para falar de identidade e desejo no espaço

A trama acompanha uma missão espacial que vira um percurso sobre identidade desejo e pertencimento dentro de uma animação queer e musical

Antes de parecer apenas mais uma animação ambientada no espaço, “A Sapatona Galáctica” se afirma como uma comédia sci-fi afiada, que usa humor e música para discutir identidade, desejo e pertencimento.

Codirigido e coescrito por Emma Hough Hobbs e Leela Varghese, o filme acompanha Saira, princesa do planeta Clitopolis, em uma missão para resgatar Kiki, sua ex-namorada e caçadora de recompensas capturada pelos Homeliens Héteros Brancos, uma raça que insiste em uma noção de superioridade já desgastada pelo tempo. O ponto de partida é simples, mas o roteiro rapidamente expande esse conflito ao transformar a jornada em um processo íntimo de revisão afetiva e política.

Saira, protagonista e parte central do enredo.
(Foto: Divulgação/ Umbrella Entertainment)

Ao longo do caminho, Saira encontra companheiros improváveis. Willow, uma popstar não binária, assume papel central tanto na dinâmica do grupo quanto na estrutura musical do filme. Já a nave espacial, marcada por preconceitos herdados de antigos capitães, funciona como comentário irônico sobre tradições que continuam sendo reproduzidas mesmo quando já não façam sentido.

A animação circulou por festivais de peso como Berlim, Sydney e Festival do Rio, onde recebeu o Prêmio Félix em 2025, além de conquistar o Prêmio do Público de Melhor Filme Internacional no MixBrasil.

No campo estético e narrativo, “A Sapatona Galáctica” funciona como um mosaico de referências da cultura pop. Há espaço para sátira, homenagem e paródia, com destaque para uma citação direta à Saga Crepúsculo em uma recriação de uma cena de Lua Nova. A música ocupa um lugar decisivo na condução da história. As canções, interpretadas principalmente por Willow, criam uma dinâmica próxima à um musical clássico, expondo seus sentimentos e ações.

Hough Hobbs e Varghese apostam em diálogos rápidos e tiradas bem calculadas, que dão ritmo à narrativa. Ainda assim, o humor é claramente direcionado. As piadas funcionam melhor para quem reconhece, o que pode criar certa distância para parte do público. Essa escolha, porém, parece consciente e coerente com a proposta.

Distribuído no Brasil pela Synapse Distribution, “A Sapatona Galáctica” estreia nos cinemas no dia 12 de fevereiro.

Título: A Sapatona Galáctica

Direção: Emma Hough Hobbs e Leela Varghese

Gênero: Animação, Comédia, Ficção Científica, Romance

Classificação indicativa: 16 anos

Foto de capa: Divulgação/Umbrella Entertainment

Crítica de Wilson Estevam com edição de texto de Gabriel Goulart

LEIA TAMBÉM: “Um Cabra Bom de Bola” ensina a sempre sonhar grande na vida

LEIA TAMBÉM: O Morro dos Ventos Uivantes: nova versão confunde intensidade com excesso

1 comentário em ““A Sapatona Galáctica” usa humor e música para falar de identidade e desejo no espaço

  1. Pingback: “Slow Horses” dá vida ao imaginário da espionagem através da sátira | Agência UVA

Deixe um comentário