Nos últimos anos, o Brasil ampliou significativamente a produção de documentários true crime, explorando casos que marcaram a história recente e levantaram debates sobre violência, mídia, justiça e segurança pública. Plataformas como Netflix, HBO Max, Globoplay e Prime Video passaram a investir em séries e longas que revisitam crimes emblemáticos, reunindo depoimentos inéditos, imagens de arquivo e análises que ajudam a entender como esses episódios repercutiram no imaginário nacional. A seguir, uma seleção dos documentários mais impactantes produzidos no país.
Um dos títulos mais conhecidos é “Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime”, da Netflix. A obra revisita o assassinato de Marcos Kitano Matsunaga, morto e esquartejado pela esposa, Elize, em 2012. Com entrevistas exclusivas da própria ré, o documentário reconstitui a trajetória do casal, o histórico de conflitos e o processo judicial que mobilizou a opinião pública.

Outro caso que voltou ao debate com força é o da menina Isabella Nardoni, morta em 2008. O documentário “Isabella: O Caso Nardoni”, também da Netflix, recupera reportagens da época, depoimentos de familiares e especialistas, além de analisar os desdobramentos do julgamento que condenou Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. A produção examina falhas, dúvidas, evidências e o impacto emocional do caso em todo o país.

Também lançado recentemente, “Caso Eloá: Refém ao Vivo” reconstrói o sequestro e a morte da adolescente Eloá Pimentel, em 2008, episódio transmitido ao vivo pela televisão e hoje considerado um dos maiores exemplos de sensacionalismo policial. O documentário reúne familiares, amigos, policiais, jornalistas envolvidos na cobertura e especialistas em segurança pública, abrindo discussões sobre erros estratégicos e violações éticas durante a operação.

A HBO Max investiu em produções que revisitam crimes amplamente conhecidos. Em “Flordelis: Em Nome da Mãe”, a plataforma revisita o caso da ex-deputada e pastora Flordelis dos Santos, condenada pelo assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo. A série mergulha no cenário familiar, nas denúncias de abusos e no esquema de manipulação e poder que cercava a figura de Flordelis, trazendo depoimentos de filhos, investigadores e membros da comunidade.

Outro destaque da HBO Max é “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez”, que reconta o homicídio da atriz Daniella Perez em 1992. A série, conduzida pela mãe da vítima, Glória Perez, reúne imagens de arquivo, entrevistas e documentos judiciais, revisitando as circunstâncias do crime cometido por Guilherme de Pádua e sua esposa. O documentário reacendeu discussões sobre violência contra a mulher, cobertura midiática e falhas institucionais da época.

Além dos casos amplamente conhecidos, há produções que investigam crimes menos midiáticos, mas igualmente marcantes. Entre elas está “Cadê o Amarildo?”, que aborda o desaparecimento do pedreiro Amarildo Dias de Souza na Rocinha, em 2013. A obra denuncia abusos policiais e a dificuldade das famílias vítimas de violência estatal em buscar respostas e justiça.

Outro documentário que mobilizou debates foi “João de Deus: Cura e Crime”, que investiga os abusos cometidos pelo médium João Teixeira de Faria, acusado de agressões e crimes sexuais. A produção reúne vítimas, autoridades e testemunhas, revelando o funcionamento de uma rede de exploração que atuou durante décadas.

Há ainda espaço para produções que desconstroem a relação entre crime e mídia. “Bandidos na TV”, da Netflix, explora o caso de Wallace Souza, apresentador e político amazonense acusado de comandar execuções para aumentar a audiência de seu programa policial. A série examina o cruzamento entre violência, espetáculo e influência política.

Outro destaque do gênero é “O Caso Evandro”, série documental que revisita um dos episódios mais controversos do país: o desaparecimento e assassinato de um menino no Paraná, em 1992. A produção aprofunda os bastidores da investigação, denúncias de tortura, erros processuais e disputas políticas que marcaram o caso, além de reunir novas entrevistas e documentos inéditos.

Entre as produções mais recentes, “Vale dos Isolados: O Assassinato de Bruno e Dom” analisa o duplo homicídio do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorrido em 2022, na região amazônica. O documentário destaca conflitos ambientais, ameaças enfrentadas por defensores dos povos indígenas e a escalada de violência em áreas remotas do país.

Casos contemporâneos também ganharam espaço, como “O Assassinato do Ator Rafael Miguel”, que examina o crime que vitimou o ator e seus pais em 2019. A produção combina testemunhos, documentos e reconstruções, abordando conflitos familiares, vigilância armada e a repercussão nacional da tragédia.

Com diferentes abordagens, narrativas e linguagens, esses documentários mostram como o audiovisual brasileiro tem se consolidado no campo do true crime, usando o gênero não apenas para revisitar episódios marcantes, mas para discutir estruturas de poder, violência e desigualdade. Em comum, todas as produções revelam o interesse crescente do público por histórias reais e complexas — e a importância de revisitar esses casos com responsabilidade, rigor e sensibilidade.
Foto de capa: NaTelinha UOL
Reportagem de Ana Carolina Freitas, com edição de texto de Gabriel Goulart
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Sou fã desse gênero, pois aprendemos a nos precaver com o entendimento de que a violência pode bater à porta de qualquer um. Bela matéria!
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