O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu hoje (23) a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas com um discurso marcado por críticas às políticas externas dos Estados Unidos e pela defesa da soberania de países em desenvolvimento. Foi a terceira vez em seu atual mandato que o líder brasileiro ocupou a tribuna de abertura da sessão, mantendo a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar, desde 1955.
Em sua fala, Lula criticou as sanções econômicas unilaterais impostas por Washington e outras potências a países da América Latina, em especial à Venezuela, classificando-as como medidas “ilegítimas” que punem populações inteiras. Segundo ele, os bloqueios e tarifas comerciais funcionam como “instrumentos de coerção que ampliam desigualdades”.
“Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra”, afirmou o presidente durante seu discurso.

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente brasileiro também destacou a necessidade de reforma nas instituições globais, como o Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a governança global ainda reflete os interesses das potências do século XX.
“O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta Organização está em xeque”, disse Lula, em referência à ONU.
Em tom simbólico, Lula destacou a resistência do Brasil diante de crises democráticas recentes ao citar nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que seu antecessor havia “isolado o Brasil” e prejudicado a imagem internacional do país. A menção gerou reação imediata entre aliados de Bolsonaro nas redes sociais.
“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, declarou Luís Inácio, em alusão ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito.
Entre os pontos de agenda ambiental, Lula mencionou a COP30, que será sediada em Belém do Pará em 2025, como oportunidade histórica para reafirmar compromissos globais. Segundo ele:
“A COP30 será a COP da verdade. Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta”.

Na questão internacional, Lula defendeu uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia e criticou duramente a violência em Gaza.
“Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza. Ali estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente”, disse o presidente.
Por fim, o presidente reforçou a necessidade de combater as desigualdades sociais e a fome, pondo elas como prioridade mundial, reiterando que a agenda brasileira de inclusão deve servir de modelo para políticas públicas globais.
“A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza”, afirmou Lula ao defender a Aliança Global lançada pelo Brasil no G20, que é apoiada por mais de 100 países.
O encontro entre Lula e Trump
Lula se encontrou brevemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos bastidores da ONU. O encontro foi cordial, mas carregado de simbolismo político, já que o brasileiro havia criticado as sanções norte-americanas minutos antes.
De acordo com interlocutores, Lula enfatizou a necessidade de diálogo respeitoso entre os dois países, especialmente no campo ambiental e comercial. Trump, por sua vez, respondeu em tom pragmático:
“Os Estados Unidos sempre defenderão seus interesses, mas querem parceiros fortes como o Brasil”, disse o atual presidente dos Estados Unidos.

(Foto: Alan Santos/PR)
Analistas apontam que a relação entre os dois líderes deve ser marcada por tensões em temas como comércio, Amazônia e políticas de imigração, mas ambos sinalizaram disposição para manter canais de diálogo abertos. Tanto que há expectativas de que os dois líderes se encontrem para debater sobre certos assuntos de interesse, na semana que vem.
Foto de capa: Ricardo Stuckert/PR
Reportagem de Raphael Lopes, com edição de texto de Gabriel Ribeiro
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