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Babi A. Sette celebra o sucesso do seu romance esportivo na Bienal do Livro

Em entrevista exclusiva, Babi A. Sette revela seu processo criativo nos romances esportivos e adianta novidades sobre seus próximos projetos

Babi A. Sette é autora de romances que conquistam milhares de leitores pelo país, como os best-sellers “Senhorita Aurora” e “Beijo na Neve”. Reconhecida por suas histórias que unem emoção, profundidade e cenários encantadores, a escritora transita entre diferentes gêneros, sempre com personagens marcantes e tramas intensas.

Durante a Bienal do Livro do Rio, no último sábado (21), Babi participou do painel “Apostando no amor: romances e conquistas nos esportes”, onde falou sobre sua paixão pela patinação no gelo e o que a inspirou a levar o esporte para suas histórias. No mesmo dia, encontrou os fãs em uma roda de conversa no estande da Skello e também participou de uma tarde de autógrafos, reunindo diversos leitores.

A autora distribuiu simpatia e autógrafo para os seus fãs. (Foto: Divulgação/Bienal do Livro)

Depois, respondeu a algumas perguntas exclusivas da Agência UVA, em que falou sobre sua transição entre gêneros, detalhou seu processo criativo e ainda deixou um spoiler do que está por vir.

Agência UVA: Você ficou conhecida pelos romances de época, depois mergulhou no new adult com “Senhorita Aurora”. Como é para você migrar entre esses gêneros?

Babi A. Sette: “Senhorita Aurora” tem um pezinho no romance de época, por quê? Porque o maestro Daniel, protagonista do livro, é um verdadeiro lorde inglês. Ele mora em um castelo tão antigo, centenário, a mansão da família, e trata a Aurora sempre como “senhorita”. Por isso o título, “Senhorita Aurora”. Todo mundo lá é tratado como senhor ou senhorita. A Nicole, que é a protagonista, é fã de Jane Austen. Então, de certa forma, eu acabei transferindo um pouco do amor que tenho pelos romances de época para esse meu primeiro new adult. Mas foi tranquilo migrar. Eu, como leitora, gosto de ler vários gêneros, e como autora, também gosto de alternar. Para mim, isso me renova, renova a inspiração, a vontade e o meu ânimo para escrever.

AUVA: Seus romances como “Beijo na Neve’ e “Sapatilhas de Gelo” se passam em cenários de frio intenso, tão diferentes da nossa realidade aqui no Brasil. De onde vem essa paixão por criar histórias em ambientes gelados?

BS: Eu fiz uma viagem em 2014, passei 21 dias num inverno no Canadá. E foi um inverno muito rigoroso, assim, tão rigoroso que, nos lugares em que eu entrava, os canadenses diziam: “Nossa, desculpa pelo frio”. Tipo, como se fosse culpa deles. E assim, foi uma coisa tão louca essa viagem, porque é o que você falou, é um cenário tão diferente do nosso, de quem nasceu, cresceu, viveu a vida inteira no Brasil. Eu nunca tinha visto neve, foi a primeira vez que eu vi neve, e vi muita neve. Ali eu tive uma vontade muito grande de retratar um lugar assim, tão distinto, tão diferente do nosso, e paisagens tão diferentes, que são… É tão diferente que parece meio mágico, assim, sabe? Parece um outro universo. E eu fiquei… Nessa viagem eu já saí de lá pirada. “Não, vou escrever um livro no inverno, no Canadá, não sei o quê”, e tal. Não veio imediatamente, mas veio junto com a minha vontade de escrever sobre patinação no gelo. Aí eu uni e falei: “Bom, já que eu quero escrever um livro de patinação, eu vou escrever um livro no Canadá.”

AUVA: Quando você escreveu “Beijo na Neve”, já sabia que criaria uma história para a Natalie e o Lucas? Eles já estavam inseridos no universo, e “Sapatilhas de Gelo” veio só um ano depois. Essa história já estava planejada desde o início ou surgiu depois, com vontade de dar voz a eles?

BS: Eu meio que já senti, assim, porque tem uma cena em “Beijo na Neve” que é um jantar na casa da Nina, onde a Natalie já está ali, já rola um climinha entre os dois, sabe? Fica evidente ali que tem uma faísca acontecendo. E a Natalie é uma personagem do universo de “Senhorita Aurora”, então… assim, que é um romance que foi o meu primeiro new adult, como a gente tá falando. Então, pra mim foi muito legal, foi muito gratificante como autora trazer a Natalie, que é de outro romance, para o universo de “Beijo na Neve” e depois fazer com que esses universos se casassem de vez em “Sapatilhas de Gelo”.

AUVA: No Brasil, patinação no gelo e hóquei não são esportes tão comuns. Como foi seu processo de pesquisa para retratar esses universos? Você já acompanhava ou mergulhou nesse mundo só para construir a história?

BS: Patinação no gelo eu sempre amei. Então, assim, desde pequena eu acho que vejo, eu amo ver as Olimpíadas de Inverno, amo assistir aos mundiais de patinação. É uma coisa que sempre acompanhei, por achar lindo. É um esporte maravilhoso, na minha opinião, um dos mais bonitos que existe. E aí eu acabei mergulhando, quando decidi que ia escrever sobre patinação, mergulhei no processo de escrita, técnico mesmo, sabe? Porque eles são profissionais, não são amadores, não estão ali brincando de patinar. Eles são atletas olímpicos, então eu teria que ter alguma propriedade para falar sobre esse esporte.

E aí eu fechei um curso num site — não sei se é americano ou canadense, mas é em inglês — de um técnico de patinação no gelo que disponibilizou um curso para iniciantes, depois para pessoas em nível intermediário e, por fim, no nível mais avançado. Eu fechei o curso e assisti a várias aulas, gente, sobre como fazer o salto tal, onde a lâmina tem que pousar. Gente, foi uma loucura, mas foi maravilhoso, porque realmente me trouxe um conhecimento que eu nem imaginava sobre o esporte.

Não só isso, pesquisei muito, vi muitas entrevistas, documentários. Mergulhei mesmo nesse universo, mas de uma maneira mais técnica, para entender os desafios, entender o que significa fazer um triple axel, que é um dos saltos mais difíceis que existem. Pouquíssimos patinadores no mundo conseguem fazer até hoje. A gente pensa que o esporte evoluiu muito — e evoluiu —, mas existem saltos tão difíceis que, por exemplo, na modalidade feminina, o triple axel é tipo o topo do mais desafiador. E, mesmo assim, hoje em dia, são poucas patinadoras no mundo que conseguem realizar.

AUVA: Como você falou, seus livros são cheios de detalhes. Você já pensou em ver essas histórias adaptadas para as telas? Existem conversas, planos ou esse é um sonho para o futuro?

BS: Com certeza, já pensei muito. Eu adoraria ver uma dessas histórias na tela, tanto “Beijo na Neve”, como “Senhorita Aurora”, ou até “Sapatilhas de Gelo”, que é de hóquei, né? Eu acabei também pesquisando muito sobre hóquei, assistindo a jogos. Hóquei nunca foi uma modalidade que eu pensava “ai, que legal”, mas, como resolvi que ia escrever sobre o esporte, acabei assistindo aos jogos, entendendo os nomes, os termos e tudo mais.

E sonho, sim. Poxa, tenho muita vontade de ver. Tem alguma coisa em análise, em andamento… Mas como são livros que se passam fora do Brasil, normalmente a adaptação por aqui fica um pouquinho mais complicada por conta dos custos de desenvolvimento e produção. Mas a esperança é a última que morre, então a gente continua sonhando.

AUVA: E pra fechar… podemos esperar mais histórias nesse clima de inverno, com patinação, hóquei e muito romance? O que vem por aí? Tem algum projeto novo, próximos livros ou até um spoilerzinho que você pode contar?

BS:  Claro que eu posso! Eu acabei de escrever a minha primeira romantasia. Então, o próximo lançamento é uma romantasia, um gênero que eu amo, amo, amo desde criança. É um dos meus gêneros favoritos de filmes, séries e livros, e há muitos anos eu queria escrever algo assim. E agora finalizei a minha primeira romantasia.

Foto de capa: Divulgação/Bienal do Livro

Reportagem de Nathalia Bittencourt, com edição de texto de Vinicius Corrêa

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