Autora da aclamada série de livros “Perdida”, recentemente adaptada para filme pela Disney, Carina Rissi é escritora e roteirista. Inspirada por Jane Austen, uma de suas maiores influências, a autora marcou presença na Bienal do Livro 2025.
Com obras publicadas em países como Portugal, Itália, França, Espanha, Rússia e Ucrânia, a best-seller é um sucesso entre os leitores apaixonados por romances. Em entrevista à Agência UVA, a autora revela detalhes sobre seu processo criativo e compartilha curiosidades suas.
Agência UVA: Você costuma dizer que lê a última página dos livros antes de começar. Isso também vale para sua escrita? Você começa a criar suas histórias já sabendo como elas vão terminar?
Carina Rissi: Às vezes, eu não tenho um padrão criativo, começo, meio e fim. Ou, às vezes, nem começo, nem fim… só o meio. Começo por onde a inspiração vem. Às vezes, visualizo uma cena específica, já aconteceu de ser até a cena final. Então, fico super curiosa para descobrir como aquela história chegou até ali. Comigo acontece o mesmo na leitura. Algumas pessoas perguntam: “Mas você não se importa com spoiler?”. Pelo contrário! Acho que acabo pegando mais spoiler lendo a contracapa ou a sinopse do que a última página. Para mim, isso só aumenta a curiosidade. Chego naquele final e penso: “Gente, como é que a história chegou até aqui?”. Quero entender o caminho. E, na escrita, isso acontece do mesmo jeito.
AUVA: A série Perdida começou como um livro único e foi crescendo. Em que momento você percebeu que aquela história não caberia em um só volume? Foi uma decisão sua ou um pedido do público?
CR: Na verdade… bom, não que eu saiba exatamente o que estou fazendo hoje. Eu ainda não sei direito, mas na época eu sabia muito menos. Então, quando terminei “Perdida”, criei um arquivo chamado “Epílogo”. E, quando percebi, ele já tinha 80 páginas. Eu pensei: olha só, isso não está certo, não pode ter 80 páginas. Essas 80 páginas já eram o início do livro “Encantada”, o segundo da série, e foi ali que percebi que ainda tinha tanta coisa para contar. Eu queria expandir a história da Sofia. Mas, claro, eu estava começando, ainda não tinha uma editora. Era um sonho que ficou guardadinho até que, finalmente, consegui uma chance de mostrar para os leitores. E, por sorte, eles quiseram ler!
AUVA: Seus livros se passam em épocas, lugares e situações diferentes. O que te move primeiro: a construção desse universo ou a jornada dos personagens?
CR: A jornada. Sempre a jornada. Eu acho que é muito como a nossa vida, sabe? Os livros que eu gosto de ler ou as histórias que eu gosto de escrever. Eu gosto de gente, de amores e das desventuras da vida que todos nós temos, seja em um mundo muito ficcional, como é o da Sofia, ou em algo mais pé no chão, como “Procura-se um Marido” ou “Amor sob Encomenda”, por exemplo. O que me motiva sempre é descobrir qual é a história daquele personagem.

AUVA: Já aconteceu de uma personagem te surpreender quando estava escrevendo e seguir um caminho totalmente diferente do que você havia pensado?
CR: Já. Quase sempre. Eu gosto de… eu fico muito encantada. Um pouquinho de inveja, até, feia, eu admito, mas não deixa de ser verdade. De autores que dizem: eu tenho controle total sobre minha história, eu sei exatamente por onde ela vai. Eu acho que sei, mas eu nunca sei. O personagem, às vezes, toma as rédeas da história. Aconteceu com a Sofia, aconteceu com a Luna, e eu acho que acaba ficando mais verdadeiro na voz delas do que se eu tentasse forçar um caminho que não era o delas.
AUVA: Você já teve três livros adaptados. Participou de perto dos roteiros? É desafiador equilibrar sua visão de autora com as mudanças que o cinema exige?
CR: Eu participei bem mais de perto da adaptação do filme “Perdida”. Eu gostei muito do resultado, fiquei muito feliz. É claro que é um desafio você pegar a sua história, né? Eu trabalhei tanto tempo naquele livro, tive tantos sonhos e planos, e entregar isso nas mãos de outra pessoa. Mas, por sorte, foram todas pessoas muito bem capacitadas, profissionais competentes, que também se encantaram pelas minhas histórias. E, claro, trouxeram um olhar diferente. Então, é uma nova maneira de contar a mesma história. E eu gosto.
AUVA: E pra fechar… você está trabalhando em algum novo livro, projeto ou adaptação? Podemos esperar novidades em breve? E, se puder, deixa um spoiler pra gente!
CR: Eu estou trabalhando em um projeto que não é exatamente meu, digamos assim, e me permitiram estar bem perto, como você perguntou agorinha há pouco. É uma adaptação. Logo vem… Ai, estou muito ansiosa. Cheio de planos e coisas boas vindo, sabe? Cabeça cheia e o coração também.
Foto de capa: Divulgação/Bienal do Livro
Reportagem de Cássia Verly com edição de texto de Vinicius Corrêa
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