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“Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes” vai agradar fãs de The Weeknd, mas poderia fazer mais

Mesmo com uma boa premissa, a execução não foi das melhores.

Na última quinta feira (15), estreou nos cinemas brasileiros o filme “Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes”, estrelado por Abel Tesfaye, astro musical conhecido como The Weeknd, além de Jenna Ortega e Barry Keoghan. O filme dirigido por Trey Edward Shults, e escrito também por Trey, junto de Abel e Reza Fahim, tem a premissa de uma odisseia aterrorizante, e até consegue entregar isso, mas a execução deixa a desejar, com um roteiro que parece confuso e complexo até demais.

Abel interpreta uma versão dele próprio, um superstar com problemas que ele mesmo expõe em diversas de suas músicas, mostrando o peso que o astro sentiu perdendo a voz na vida real em um show. No filme, isso acontece com seu personagem logo após ser convencido a entrar para fazer um show com o estádio lotado de fãs, ao mesmo tempo em que sofre com um fim de relacionamento conturbado, resultando em um mergulho nas drogas, álcool e tristeza. A partir disso, a história, mesmo que confusa, se desenrola.

O longa conta com diversas músicas retiradas do álbum mais recente de The Weeknd, de mesmo nome que o filme, evidenciando que ambos os projetos nasceram juntos e intrinsecamente ligados. A trilha contém músicas boas por este fato, porém acaba sendo excessiva, onde muitas vezes as canções entram quando na verdade a história necessitava de um diálogo.

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(Reprodução: Divulgação/lionsgate)

As atuações aqui tem uma carga dramática forte. Barry Keoghan, que interpreta Lee, um amigo de Abel, tem a função de forçar o parceiro a fazer o que evidentemente ele não consegue. Fora isso, ele fica de escanteio por maior parte do filme, entregando uma atuação razoável, a menos emotiva dentre os três, e sem brilho. Jenna Ortega interpreta Anima, uma jovem com problemas evidentes, e é uma peça fundamental para a história. Sua atuação é boa, com uma carga emocional forte e cumprindo o papel da personagem na trama, mas o roteiro peca em conexões e desenvolvimento, com muitas cenas parecendo não fazer sentido estarem lá.

O filme enfim toma uma direção um pouco mais clara após a personagem de Ortega entrar no caminho de Abel, mesmo com o roteiro falhando em fazer isso acontecer de forma convincente, deixando explicações necessárias de fora, escolhendo menos diálogo e mais trilha sonora nas cenas.

The Weeknd é o foco do filme, assim como álbum, seus problemas e sua vida, o que facilita viver o personagem, afinal é o próprio. Sua atuação é a que carrega mais drama e peso emocional, entregando um super astro carregado de inseguranças e medos. A performance convence mas não brilha, talvez por falta de capacidade ou uma escrita que não lhe favoreceu, mas supera a de “The Idol”, talvez deixando claro que seu foco deve ficar em suas músicas, pois nesse ramo ele garante excepcionalidade.

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Abel sempre foi fã de cinema, se inspirando em clássicos para produção de seus videoclipes musicais
(Reprodução: Divulgação/Lionsgate)

Por fim, o longa tenta ser mais profundo e complexo do que o necessário, e acaba se perdendo nisso, deixando passar oportunidades de discorrer sobre o que está por trás das letras de The Weeknd. “Hurry Up Tomorrow” fica apenas no quase, junto a uma montagem que funcionaria bem melhor como um clipe musical, mas nas telonas, não funcionou como o esperado. Para os fãs de Abel, que conhecem os temas abordados sobre ele no filme, a experiência será melhor, mas para um público geral, peca em uma coesão.

Confira abaixo o trailer de “Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes”:

Título: “Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes”

Gênero : Suspense/ Thriller Psicológico e Musical

Direção: Trey Edward Shults

Foto de capa : Reprodução/Lionsgate

Crítica por Raul César, com edição de texto de João Agner

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