O filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é um fenômeno mundial. Segundo dados da ANCINE, até março de 2025, o filme possuía uma bilheteria de R$110,5 milhões apenas no território brasileiro. O sucesso foi tanto que o filme ficou em cartaz nos cinemas por cinco meses, desde a sua estreia no dia 7 de novembro de 2024 até o começo de abril.
Com o grande sucesso, alguns filmes nacionais começaram se beneficiar, como é o caso de “Vitória”, estralado por Fernanda Montenegro, mãe de Torres, que estreou liderando as bilheterias no Brasil, com R$ 4,68 milhões superando filmes internacionais em cartaz no circuito.

Para o professor de cinema Evângelo Leal , esse hype faz parte do efeito “spillover”, que é quando um outro filme se beneficia do impacto do filme anterior, e que isso é muito benéfico para o futuro do cinema nacional.
“As programadoras, as salas de cinema, os streamings, percebendo o interesse do público no próprio cinema nacional, podem, também, aumentar a oferta de longas nacionais que possuem em suas cartelas e cruzar o marketing desses filmes e promover outros trabalhos,” explica Evângelo.
A vitória do longa no Oscar gerou uma grande comoção em todo o país, pois foi a primeira vez em que um filme inteiramente brasileiro ganhou um Oscar. A conquista é vista com olhos otimistas para o crescimento do cinema nacional no Brasil.
“Podemos dizer que estamos em uma nova fase do cinema nacional, ainda mais depois do hiato da pandemia, dos governos Temer e Bolsonaro, então entramos em uma nova possibilidade de investimentos,” diz Evângelo

Evângelo também destaca como a indústria cinematográfica brasileira pode usar o filme e seu padrão de qualidade como exemplo para aprimorar seus próximos longas, e ajudar com que o mercado continue em expansão mundo afora.
“Podemos entender que essa nova fase demonstra um padrão técnico que se atingiu, e que o público vai continuar querendo esse tipo de padrão, esse pode ser um aprendizado, a indústria também pode entender que os gêneros podem se diversificar e sair desse ponto de ter só comédia e investir mais em outros estilos e gêneros,” explica Evângelo.
Mesmo com o grande sucesso do filme, ainda existe um medo do grande público e de algumas pessoas da indústria de que haja uma queda no mercado após o hype do filme.
“Depende, não necessariamente essa sustentação se dá sozinha e é preciso que as políticas públicas continuem incentivando as produções, é preciso que o público se eduque cinematograficamente, porque analisar filmes, discutir filmes é uma forma de manter o padrão elevado,” diz Evângelo.
O filme “Ainda estou aqui”, foi adicionado no catálogo do Globoplay no dia 6 de abril, já “Vitória” está em cartaz nos cinemas.
Foto de capa: Sony Pictures
Reportagem de Pedro Turteltaub, com edição de texto de João Agner
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