A eleição presidencial dos Estados Unidos da América (EUA) está marcada para a próxima terça-feira (5). O resultado marcará o desfecho da disputa entre os candidatos Donald Trump, do Partido Republicano, e Kamala Harris, do Partido Democrata. Além disso, quem vencer terá o controle da Casa Branca por um mandato de quatro anos a partir do dia 20 de janeiro de 2025.
A data da votação segue uma tradição do país. Segundo uma lei de 1845, o pleito sempre deve ser realizado no 11º mês do ano e no mesmo dia da semana. Ou seja, há uma preservação das eleições ocorrerem no mês de novembro durante uma terça-feira.
Confira uma apresentação sobre quem são os postulantes ao cargo mais alto da Casa Branca:
Donald Trump
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de 78 anos, está em sua terceira corrida presidencial. O político filiado ao Partido Republicano também é empresário e personalidade televisiva.
Na primeira campanha eleitoral ainda em 2016, Trump venceu Hillary Clinton, do Partido Democrata. Na época, apresentou-se como um candidato anti-sistema que combateria a elite política e a entrada de imigrantes, além de ser capaz de resgatar os melhores tempos do passado. O então presidenciável, inclusive, lançou o slogan “Make America Great Again”, que pode ser traduzido como “Faça a América grande de novo”. Depois, este lema usado na campanha passou a ser movimento social.
Com isso, ele foi o 45º presidente da história do país norte-americano e governou por um mandato de quatro anos. Sua gestão foi marcada pela revogação de medidas do governo Obama, retirada dos EUA de acordos internacionais, incentivo ao medo de imigrantes, proibição da entrada de pessoas de sete países muçulmanos e aproximação de laços com líderes autocratas como Vladimir Putin, da Rússia, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte.
Ao encarar o primeiro ano da pandemia de Covid-19, o governo Trump seguiu o sentido contrário a todas as normas de segurança sanitária. Era contra o uso de máscaras, realização de testes e confinamento, além de ser a favor de medidas que contrariavam a opinião médica.
Com o cenário nos EUA que liderava o número de casos e mortes pela doença no mundo inteiro, Trump foi derrotado por Joe Biden, do Partido Democrata, ao tentar a reeleição na campanha de 2020. Apesar disso, o republicano não aceitou o resultado e começou uma campanha alegando que houve fraude eleitoral. Esta teoria se espalhou e resultou na invasão ao Capitólio no dia 6 de janeiro de 2021, quando mais de dois mil apoiadores do ex-presidente invadiram a instituição, 140 policiais foram feridos e cinco pessoas acabaram mortas.
O antigo chefe de Estado ainda foi alvo de dois processos de impeachment. Primeiramente, foi condenado pela Câmara dos Representantes dos EUA e absolvido pelos senadores no caso em que teria ameaçado acabar com o apoio militar se a Ucrânia não compartilhasse informações sobre o democrata Joe Biden e seu filho, Hunter Biden. Na outra oportunidade, por conta da influência no episódio da invasão ao Capitólio voltou a ser condenado pela Câmara e absolvido pelo Senado.
Contrariando as expectativas, o político não perdeu força e manteve seu nome como o mais influente dentro do partido. Nos últimos anos, tem estado na mira de investigações e processos criminais. Também esteve construindo sua terceira candidatura presidencial de forma consecutiva. Agora, como líder da oposição, tenta vencer o pleito deste ano para ter um segundo mandato à frente da presidência. J. D. Vance, de 39 anos, complementa a chapa e concorre como vice-presidente.

(Foto: Reprodução/Openverse)
Kamala Harris
A atual vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, de 60 anos, está participando pela primeira vez de uma campanha presidencial como cabeça de chapa. A advogada e política está filiada ao Partido Democrata e já foi senadora, além de ter sido procuradora-geral tanto de São Francisco quanto da Califórnia. Em caso de vitória nas eleições, ela se tornará a primeira mulher na história a ser presidente do país.
A estadunidense é a 49ª vice-presidente da história do país e até julho deste ano voltaria a concorrer ao cargo pela chapa de Joe Biden, porém o cenário mudou. O desempenho do atual presidente era questionável e cada vez mais sua campanha à reeleição perdia a adesão de aliados e eleitores. Assim, o chefe de Estado desistiu de sua candidatura e imediatamente apoiou o nome de Kamala Harris. Ela, por sua vez, conseguiu unir o partido em torno de si evitando um processo longo de escolha por primárias com o tempo curto para as eleições. Tim Walz, de 60 anos, complementa a chapa e concorre como vice-presidente.
Kamala é filha de imigrantes. Sua mãe era indiana e seu pai jamaicano. A estadunidense tem o histórico marcado por ser precursora em diferentes momentos na carreira política. Ela, por exemplo, foi a primeira mulher a exercer o cargo da promotoria de São Francisco de 2004 a 2010. Depois, foi a primeira mulher, assim como a primeira pessoa preta, a estar no posto de procuradora-geral da Califórnia de 2011 a 2017.
A política se tornou senadora em 2017 e participou das primárias presidenciais dos democratas ainda em 2019, porém deixou a disputa por falta de apoio. Apesar disso, em agosto de 2020 foi escolhida por Joe Biden como sua candidata a vice e em novembro daquele ano derrotaram a chapa de Donald Trump e Mike Pence.
Na vice-presidência, Kamala se envolveu diretamente com discussões relevantes com relação a aborto, direito a votação e fronteira. Depois que a Suprema Corte anulou o precedente que poderia assegurar o direito ao aborto para todas as mulheres em 2022 por exemplo, ela se tornou a principal liderança da administração federal sobre o tópico e pressionou o Congresso para que aprovassem uma lei que desse a garantia destes direitos as mulheres ao redor do país.
Dentro do governo, ela também esteve ativa com as questões sobre a fronteira americana, um dos pontos que mais foi criticado ao longo do mandato de Biden. Por outro lado, a política alega ter apoiado uma legislação bipartidária que reforçaria a segurança nessas regiões, mas a medida não obteve apoio para não gerar capital político ao atual chefe de Estado norte-americano.

Kamala Harris tenta ser a primeira mulher a presidir os Estados Unidos.
(Foto: Reprodução/Openverse)
Foto de capa: Divulgação/Pexels
Reportagem de Gustavo Pinheiro, com edição de texto de Gabriel Ribeiro
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